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Escritor, psicanalista e poeta nascido no Rio de Janeiro em 1976. Considerado um dos poetas brasileiros mais representativos da década de 2000 na antologia Roteiro da Poesia Brasileira (Global, 2009), é autor de vários livros publicados gratuitamente em seu blog, cujos melhores poemas foram reunidos em A Magia da Poesia (Papel&Virtual, 2000), Corte (Ibis Libris, 2004), rio raso (Patuá, 2014) e o budismo e o tinder (Multifoco, 2020). Mantém o bem sucedido site “A Magia da Poesia”, que teve mais de um milhão de acessos em 2012, onde divulga a obra de grandes poetas. Seus poemas já foram selecionados para livros escolares, traduzidos para o russo e publicados em diversas revistas literárias.

12/09/2018

carol

filmes de 1950 nos vivem ao ritmo de 1950

os problemas são os mesmos
mas a velocidade
o tempo
a atenção
são outras personagens

09/09/2018

atypical (mais de um é um grupo)

o problema não é estar sozinho quando estou sozinho
(tenho pós doutorado em estar sozinho)
o problema é a visceral incapacidade de estar em grupo
(mesmo em grupo)

despertar (às vezes choro sem motivo vendo TV)

a gente dorme quando desiste de si mesmo
deixa as histórias se contarem
e solta as intermináveis expectativas

a gente dorme quando o ar entra mais suave
e sai mais demorado
(no ritmo do mar)

a gente dorme quando o corpo agitado
para de produzir tanto calor
e se deixa abraçar pelo pano

a gente dorme quando o último músculo tenso
solta a última vontade e o último medo
e aceita a condição de devir

a gente dorme quando todo o corpo desmancha na terra
e desiste de ser uma montanha
carregando o céu nas costas

08/09/2018

democracia dita dura

todos os proponentes do holocausto
deveriam andar de armadura
(por pura lógica)

mas não é a facadas
que o coração com ódio
se cura

05/09/2018

e nem falo da presidência

no país do desenvolvimento
a média é de uma criança por dia atirando no colégio
nos colegas consumidores
depois da guerra civil

com quem esse país não fez guerra?

o país da overdose
o país do overweight
o país doente
modelo da nossa elite

volume

a onda gigante do meu sonho repetido
agora afunda casas
hotéis
moradas

a onda eu nem noto
na água do sonho
mesmo e outro

03/09/2018

soltar

a água se adia
até não se conter:
chuva

e sempre acha caminhos
entre os céus e as pedras
entre os corações e os olhos

apesar de

se meu silêncio
não for cercado de palavras
por todos os lados
a ansiedade da noite enorme
não forja o sorriso
da criança que cria

oroboros

nada mais certo que meus caminhos errados
a sinuosidade de suas curvas
meus futuros acabados

e o bispo no poder ainda fala

quero não crer
que todo esforço
acaba na lava
e no fogo

jato anti-assistencialista:
sobram meteoros
queimam livros

o país da elite em golpe plácido
resulta em fogo

fragmentos (telas do tinder)

partes do passado em que partiram
os vários rostos que só havia em meus olhos

partes do parto do presente
entre o Cel a TV o PC

coágulo

tc
tc
tc com
partes do futuro possível
com nomes histórias e fotos

que se acumulam
misturam
confundem

anti-busca: a porta

sigo buscando flores
na véspera da guerra

a saída aberta

ouço infinitas instruções
de como sair pela porta

porta presente além do presente
silenciosa
aberta

e sigo buscando flores
na véspera da guerra

02/09/2018

da busca

a gente abre a torneira e sai água morna:
por isso começamos a escalar montanhas
jogar videogames
entrar no tinder

31/08/2018

meditem:

gosto de fado e tango
mas passo a vida comendo fandango
e pregando o que não faço

24/08/2018

em vez de abrir a janela

meu avô tomava banho de chuva no nordeste. não era um tempo muito longe. a gente teme. tem capa de chuva. guarda chuva. o excesso é temerário. o presidente não eleito é temer. e olha no celular a previsão do tempo em vez de abrir a janela.