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Escritor, psicanalista e poeta nascido no Rio de Janeiro em 1976. Considerado um dos poetas brasileiros mais representativos da década de 2000 na antologia Roteiro da Poesia Brasileira (Global, 2009), é autor de vários livros publicados gratuitamente em seu blog, cujos melhores poemas foram reunidos em A Magia da Poesia (Papel&Virtual, 2000), Corte (Ibis Libris, 2004), rio raso (Patuá, 2014) e o budismo e o tinder (Multifoco, 2020). Mantém o bem sucedido site “A Magia da Poesia”, que teve mais de um milhão de acessos em 2012, onde divulga a obra de grandes poetas. Seus poemas já foram selecionados para livros escolares, traduzidos para o russo e publicados em diversas revistas literárias.
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11/11/2022

lançamento

luzes estranhas avisto
por sobre a negritude da reserva
e um mar negro de espumas
saliva o outro lado da estrada

disco voador, fogo fátuo?
não:
luzes de natal que começam a brotar
nas janelas cansadas

luzes de natal das mãos de um homem
talvez religioso
talvez cheio de certezas

e a chegada da data me aperta o plexo
tantos mortos
tantas faltas
tantos antigos

me arrasto das gôndolas
ao natrifrício marketing pessoal

um planeta que morre
e ele
e nós
(e eu)
com Vendas aos olhos:

o mais belo dos homens
não vale o que come

05/05/2022

a evolução não para

sobrevivemos
comendo o lixo e o plástico que produzimos
trabalhando longe da família

a evolução não para:
cai a calota polar
o urso morre afogado
mas meu fusca tem calota prateada

30/06/2017

Tá quase explodindo...

A paixão (e o casamento, acoplado) segundo a ciência durava 5 anos, no máximo. Depois, passou pra 3 anos. Agora, vários especialistas de diversas áreas já falam de 2 anos. Contagem regressiva. Em breve, ignição: lançarão o foguete da paixão pra lua. Feliz ano novo!

04/05/2015

quase 40

estou farto de falar de amor com boca mole
as palavras velhas me soando a mim mesmo falsas

cadafalsas
como borboletas sem cor
e rinite em dias quentes

meus olhos buscadores
aponto
contra o hábito de mim mesmo
a olhar através dos mesmos óculos
buscando

24/03/2015

quarto poema para camila

um silêncio tão maior
que a soma dos ruídos

todos indo
pra lá e pra cá
passando com pressa

enquanto
a criança dança
bailarina
sozinha e sorrindo

das costas brotando
verde de folha
duas asas sem peso

19/03/2015

do dragonismo (salto)

(para Nilton Bonder)

toda tradição pede traição

a pele assim transcende hábitos
e brota a transgressora pluma

nosso olhar muda

movimento inexorável para cima

não mais dormir que a vida passa
mas ir além:
ávido mártir
espelho de pássaro

17/03/2015

mercado de trabalho

manifestação de desapoio
ao grande masturbador desconhecido
que a cada vez que goza
cria milhões de empregos sem sentido

11/03/2015

formal - foi mal

venho manco
por meio destra
tropeçar

quantos bancos em praças
desocupados
enquanto as gentes
se impregnam de cinza
nos escritórios?

vida pesada
correndo correndo
pro destino sem pegada

- não é assim que destruímos o mundo?

10/02/2015

forma e vazio

calar
enquanto o mundo grita

preferir manter a paz dos píncaros
da neve nas montanhas
do tibete
de nietzsche

sem precisar estar lá

alegrar e alegrar-se
neste espaço e neste tempo
perto e presente
aberto

deixar o tempo escorrer no agora
enquanto o mundo apressa futuros
fugindo do passado
que - assim - se repete
e repete
e repete...

quebrar ciclos infinitos

olhar um pouco de fora
viagens, empregos, relações
todos as formas de brinquedos da mente
sabendo seu vazio

27/01/2015

o grande tropeço é a pressa

tenho trocado a poesia pelo silêncio
e o plano pela curva

tenho parado
no meio do movimento
sem ter nem a mim

10/01/2015

mar-in

as pessoas no carro, ônibus e trem
indo ou vindo atrás do pão
as pessoas no avião, cavalo e navio
com a boca toda não
as pessoas assim
não chegam

voo pelas palavras
numa nau só sim
sem pedir a mão
sem pedir perdão
aprendendo a não pedir

vou singrando um mar negro
pelas palavras
pelo sagrado
nesse apartamento vazio
iluminado apenas
pelos olhos dos que olham além de si

04/01/2015

o renascimento do parto - um poema

não sabemos mais nascer:
cesariana

não sabemos mais morrer:
UTI

e entre estes dois verbos brancos
fazemos de tudo
pra nos distrair

03/01/2015

meia-noite em copacabana

o fogo de artifício
- a arte -
tem o ofício
de acender a pólvora
da revolução
que está pronta desde sempre
no centro de sua imensidão

mas você adia
e se espreme
todo dia
com cara de limão
saltando - com cuidado - o vão
entre o trem e a estação
para chegar no horário
e receber
salário

26/11/2014

12/11/2014

o mesmo

os abjetos psicólogos criam problemas.
os objetivos de seus bolsos sem objetos:
manter você no sistema

junto

bem junto

adjunto adjetivado do respectivo cargo

(respeitosamente)

27/10/2014

privada: funcionalismo público em ciranda

o assistente é amigo do presidente
que finge ser amigo do assessor
que finge ser amigo da estagiária
que finge ser amiga do diretor
que por nada fingir perdeu o cargo

21/10/2014

flores secas

o fogo por trás das montanhas
adivinhamos pelo olho do sapo
pelo grito da maritaca

fingindo não saber
batemos ponto
e banhamos calçadas
com nossa futura sede

sob um céu negro
pleno meio dia
bebemos coca-cola
com sabor de alegria

16/02/2014

salvo-me da salvação

(Para M.)

monto a minha paz
dissolvendo-me ao chão
com passos de silêncio e agora
sem cavalos loucos, sem paixões de fora

Imagem: “His Last Dream” – Julio Larraz