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Escritor, psicanalista e poeta nascido no Rio de Janeiro em 1976. Considerado um dos poetas brasileiros mais representativos da década de 2000 na antologia Roteiro da Poesia Brasileira (Global, 2009), é autor de vários livros publicados gratuitamente em seu blog, cujos melhores poemas foram reunidos em A Magia da Poesia (Papel&Virtual, 2000), Corte (Ibis Libris, 2004), rio raso (Patuá, 2014) e o budismo e o tinder (Multifoco, 2020). Mantém o bem sucedido site “A Magia da Poesia”, que teve mais de um milhão de acessos em 2012, onde divulga a obra de grandes poetas. Seus poemas já foram selecionados para livros escolares, traduzidos para o russo e publicados em diversas revistas literárias.
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09/09/2018

despertar (às vezes choro sem motivo vendo TV)

a gente dorme quando desiste de si mesmo
deixa as histórias se contarem
e solta as intermináveis expectativas

a gente dorme quando o ar entra mais suave
e sai mais demorado
(no ritmo do mar)

a gente dorme quando o corpo agitado
para de produzir tanto calor
e se deixa abraçar pelo pano

a gente dorme quando o último músculo tenso
solta a última vontade e o último medo
e aceita a condição de devir

a gente dorme quando todo o corpo desmancha na terra
e desiste de ser uma montanha
carregando o céu nas costas

28/10/2017

terra vista

quase todos os meus sonhos
são mais amplos que o mar

acordo maior que eu
até olhar o celular

algo como perceber a luz
no constante som do ar

baleias de fogo heroínas
arrancam âncoras de mágoa

palavras mágicas
pra voar na água

minha vida
é um navio brilhando dourado
no crepúsculo de letras

todos olham com aplausos
mas ninguém embarca
por completo

07/06/2017

alto lá

o posto fincado:
traçar um caminho nas rochas
e seguir pelo céu rajado

o salto requer
não querer nem
o salto

distração do eu torto
no silêncio sólido da montanha
o rio descendo pelo corpo entregue ao dia
sem a aranha da ira, quente por si
trocando com todos: ar, ideias, palavras, energia
o sol nos olhos

10/05/2016

(a)trai e (re)pele

o calor que aumenta em tua pele frita
é o mesmo
se o inimigo te irrita
ou se a paixão te (a)trai

o mesmo

você pode entrar nesse vão
(na chuva de meteoros pra se desmolhar)
ou olhar de fora
do fogo da ilusão

você sempre pode
escolher

11/08/2015

uno

pelo silêncio da água
mergulho suave
no absoluto

05/02/2015

lung de Bodichita

perdemos os nomes entre os trens
e as plataformas de lançamento
de felicidades futuras

duras águas frias cantarão
infinitos passados sem cura
mas o certo
o mais certo
é o silêncio do plexo