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Escritor, psicanalista e poeta nascido no Rio de Janeiro em 1976. Considerado um dos poetas brasileiros mais representativos da década de 2000 na antologia Roteiro da Poesia Brasileira (Global, 2009), é autor de vários livros publicados gratuitamente em seu blog, cujos melhores poemas foram reunidos em A Magia da Poesia (Papel&Virtual, 2000), Corte (Ibis Libris, 2004), rio raso (Patuá, 2014) e o budismo e o tinder (Multifoco, 2020). Mantém o bem sucedido site “A Magia da Poesia”, que teve mais de um milhão de acessos em 2012, onde divulga a obra de grandes poetas. Seus poemas já foram selecionados para livros escolares, traduzidos para o russo e publicados em diversas revistas literárias.
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04/05/2025

pólen-amor

o amor livre
ficou tão livre
que se perdeu de si

27/12/2019

eu sei o que é amor

a música lembra
mas os passos na praia
deixam o passado pra trás

(pássaros: gaivotas)

por mais que se tema sem trema sobre o tema
o passado traz um presente:
a capacidade de conexão
interação
interesse
prazer
não morre

(a gente é que morre)

eu perdoo

08/05/2017

amor livro

o meu amor é meu:
não idealizo mais
em ninguém

o meu amor é meu
porque não é meu:
rosa
que abre para todos
seu perfume

30/12/2016

eu amo várias (corpo)

cada vez
danço melhor
no copo metade cheio
de amores mais que líquidos

19/12/2016

dia um

ela topou
não ser cobrada
nem me cobrar nada

sorrindo deito em verdes pastos
imaginando pássaros coloridos
voando livres num céu branco

assim vamos sem trancos
citando drummond
no whatsapp
com coração

20/04/2015

da primeira vez que vi teresa

era um personagem

com o peito em frangalhos
desenhando outro rosto feminino
pra sobreviver ao vazio
pra respirar

não é assim que nos inventamos?

ela segue linda
lá e cá
mas todas vez que tento reificar
meu eu desenhista ou ela como desenho
a vida
dentro do vazio
me brilha pra dançar
um canto muito mais
amplo

12/04/2015

abrindo a porta pra fora da doença (brazil, 1985)

tenho tido vislumbres
de uma alegria incomensurável
e branca

um rosto de mulher
na linha de luz
do antes ao depois

asas
e
letras

uma fenda de oito horas de ar
todo dia
pra minha solidão criar

e uma vontade de sonho
sendo a alegria dos olhos
dos primeiros estrangeiros
chegando em nova iorque

ouvindo os prédios
e a imensidão
pela primeira vez

28/02/2015

disrupção

tento esquecer o que quero ser
dentro da boca de quem sou

aceito
de olivas

olho a carne nova e salivo
e vejo deus e a nona de beethoven
tocarem em meu plexo sorriso

brilha azul
a palavra salvação
enquanto tento agarrar a bóia

dou um passo atrás
e danço com três pés
observo a pele, a fome, a praia
e a vontade crescente

absorvo a liberdade
de apenas ir no ritmo
com ou sem poder
com ou sem paz

a maior das sabedorias:
- tanto faz

27/10/2014

vento na vela

ando debaixo da nuvenzinha branca

ao meu lado a grama
ao lado dela o azul

vamos no mesmo ritmo
porque venta

nem eu sustento ela
nem ela me sustenta

vamos pro mesmo lado

digam norte
digam sul

vamos pro mesmo lado:

lugar nenhum

12/09/2014

na Minha cama

numa tarde de redenção e de lume
levei a mão de uma ao seio da outra
e senti no ouvido o perfume

então as duas se beijaram
e foi o meu melhor ciúme

26/02/2014

os homens com medo

(Para M.)

dei uma rosa pra ela
no meio da nossa primavera

os homens com medo
recomendaram pedras
pra me proteger

então abri ainda mais o vermelho
e fomos morar um no outro

Imagem: “Freedom” – Ilya Repin

24/02/2014

a borboleta

Para M.

foi quando descobriu que havia ar
em cima da água
que lhe pesava pulmões

novos olhos
mesmos cômodos
menos incômodos

eis agora a bênção
de respirar sem guerra

ela ao lado
me ensinando a ensinar

ela ao lado
bem do lado de dentro

ela ao lado
melado de doce

ela ao lado
música, amor leve

ela ao quadrado
(que se curva)

ela ao lado, meço:
uma estátua de carne e arte
começando a parte de viver
enquanto recomeço

Imagem: “Sunset in Mid Ocean” – Thomas Moran

12/02/2014

santíssima trindade

santo é quem mete a mão nas chamas do inferno
com a coragem de construir o novo
depois de desabado tanto antigo

o santo vai de mão dada com o louco
pra cada vez mais perto do perigo
soprando asas contra o certo

Imagem: “Snow Storm” – Turner

07/02/2014

eu sou o furo no barco de minha própria fraude

cansado de varrer o coração pra baixo do tapete
eu sou o furo no barco de minha própria fraude:
tenho saudades do amor feinho
de prender e ser preso
de viver brigando
de ir ao mercado reclamando
de voltar pra casa pelo mesmo caminho
de ver filme ruim e achar ruim a vida com o outro
da mesma rotina da mesma rotina da mesma rotina
dos finais de semana nas mesmas esquinas
do corpo não perfeito
do sentimento não perfeito
da mente não perfeita
do sexo não perfeito
feito jarro mais bonito espatifado

06/02/2014

autopoiesis

Para Ana Thomaz

a perna direita é biológica
a esquerda, cultural

a vida manca corpos nossos
corpos segmentados por relógios e áreas de conhecimento
enquanto seguimos inconscientes de sermos inteiros
criando linguagens ininteligíveis de grupos menores
e superiores impotentes precisando de poder

seguimos denominando emoções estagnadas, respostas prontas
ressentimentos antigos enquanto tudo flui
mas apesar dessa cultura patriarcal redutora
nos sabemos no outro

(o corpo enquanto corpo possibilita a emoção
emoção que move as duas pernas
para além do múltiplo, para perto)

e tropeçamos realidades criadas
únicas, pessoais, intransferíveis
criamos a nós mesmos
enquanto a natureza nos sorri
seu equilíbrio
sua unidade

25/01/2014

eu tu nós

o amor padrão é sempre esta merda:
você pensa e tensa
você mede e perde

20/01/2014

círculo perfeito no peito

Para Anna

quantas dores cabem
num poema de amor?

tempus fugit

talvez eu seja
só mais um careta e covarde

ou só quando da Paixão
tentando transformar tédio em melodia
bebendo poesia - tesão veneno antimonotonia
meu medo aumente abaixo do papel
porque dentro de todo lençol
tem uma máscara de água

talvez não

talvez o distante apenas
brilhe horizontes assim

ou tonto
eu siga tentando dançar
sem ter pernas
na véspera de ir bater ponto

foto: Fabio Rocha

16/01/2014

estranhamento lírico livre poliamoroso

o poema vou

vou pro norte de trem
pro oeste de carro
pro sul de avião

voo pro alto, superman

sem cair
sem sair de mim
e sem mentir pra ninguém

13/01/2014

las brumas de Lima

Para Olga

mis hombros fueron hechos
para recibir tu cabeza

como el mar helado del pacifico
recibe gaviotas

y las olas
que se mueven por todo el planeta
sin desprenderse del agua

09/01/2014

me acalmo:

conto as musas
antes de dormir
no céu de minha boca