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Escritor, psicanalista e poeta nascido no Rio de Janeiro em 1976. Considerado um dos poetas brasileiros mais representativos da década de 2000 na antologia Roteiro da Poesia Brasileira (Global, 2009), é autor de vários livros publicados gratuitamente em seu blog, cujos melhores poemas foram reunidos em A Magia da Poesia (Papel&Virtual, 2000), Corte (Ibis Libris, 2004), rio raso (Patuá, 2014) e o budismo e o tinder (Multifoco, 2020). Mantém o bem sucedido site “A Magia da Poesia”, que teve mais de um milhão de acessos em 2012, onde divulga a obra de grandes poetas. Seus poemas já foram selecionados para livros escolares, traduzidos para o russo e publicados em diversas revistas literárias.
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09/02/2026

lux vivens

irrupção

voo

pelos poros o sonho toma o corpo
antes da palavra sonho, o sonho

o corpo pré-verbal desnuda o tempo
o silêncio observa o silêncio

hoje em dia a palavra honra a gente vende
e com a grana suborna o guarda

antes sonhos derrubavam impérios
e a palavra valia mais que a mais-valia

porém o sonho resiste
fora dos celulares
dentro de cada célula

01/07/2024

dia primeiro

acordo com o frio e os sons estranhos do prédio. desliguei o ar condicionado às três da manhã, quando finalmente consegui colocar dinheiro o suficiente na conta para pagar a fatura do cartão de crédito e parar de suar. desde março só me fodo. em junho, mais de dez porcento de prejuízo no mês com criptomoedas e os filhas das putas no youtube continuam falando de alta infinita das altcoins para vender curso. nunca mais compro nada que não seja bitcoin. economizo até no sapato furado para comprar criptomoedas e tomo prejuízo. o malabarismo com as contas do cartão de crédito foi tamanho que dormi exausto e sonhei com um endividado. eu devolvia ele pra sua casa, falando para a mulher: "então é pra você que ele liga quando não tem nem mais cinquenta reais para voltar de uber." ele era eu. e acho charmoso não ter pra quem ligar.

07/04/2023

trecho onírico de erasmo e roberto

para que começar
se isso vai ter fim?

e tudo fica assim
fora do teu laço

eu pedaço
de volta pra mim

30/04/2021

sonho

acordei no crepúsculo

meu quase casamento
era uma caixa com aliança numa gaveta esquecida
dentro de uma foto

o piloto errou e fez do prédio uma caverna
onde meus quase sogros recebiam conversando o mar
sem saber se era dia ou noite

dentro do acidente encravado na pedra
onde havia casa
tudo era a borda de minha mente

na reportagem falavam do erro do piloto
mostravam que ele tinha família e filhos
e aquele era seu videogame

sem casa nem mente

25/09/2020

estrondo

o silêncio bate à meia-noite
no combate
à poesia

15/10/2019

simbologia do esquecido

os peixes que esqueci no sonho
que esqueci
não morreram sem comida:
multiplicaram-se

a água pouca e suja
para os peixes muitos
pequenos e vários

alimentei-os

05/04/2018

nenhuma palavra toca nem de leve seu perfume no ombro direito da minha camisa (real)

acordei de um sonho lúdico
em que eu esculpia
meu poema último numa escada
as pessoas elogiavam desciam subiam
enquanto eu - desconhecido - chorava

(porque em sonhos consigo chorar)

09/03/2018

completo

nasço um poema morninho
pra acolher todas as faltas
pacificar todas as distâncias
acalmar o passado magro sobre cavalos de sonho
e caminhar sem pressa na beira da praia

completo

sem nenhuma meta além de
caminhar sem pressa na beira da praia

09/02/2017

um livro de poemas é tipo um unicórnio

dormi demais e sonhei que andava pela cidade
do rio de janeiro
até passar num set de filmagem
e reconhecer um poema

eu precisava passar
mas o poema era bom
então deitei no chão e fiquei

vis os efeitos especiais da declamação
a diretora reclamando das pessoas atrapalhando ao chão
a namorada de cabelo cor de rosa com olho brilhando
impressionada porque ele teve uma hora de prosa com um poeta famoso

mas o que mais me impressionou
é que o poema
era bom
então fiquei:

"miraflores de auréolas mirabolantes
acordar com mais de mil palavras na goela
se espremendo pra gritar em ordem revolucionária
que passo
e passo a passo
ainda não me basto
e por mais que me esforce em cada ato
quero gritar pra ser mais amado

o fio da meada o fio da faca o fio da revolução
perdida pro ego
o dom
perdido pra fama
como poemas curtos
que nada dizem
pra ser mais amado
e a fortuna crítica
e os concursos literários
e as conquistas acadêmicas
e as mulheres jovens de cabelo cor de rosa
(com olhos brilhando)
não bastam
nunca bastam

mas é nesta dança
que balança e cansa
que estamos e sempre estaremos
enquanto não virmos
além do breu
além do eu"

era mais ou menos assim
o poema de que eu não me lembro

12/04/2015

abrindo a porta pra fora da doença (brazil, 1985)

tenho tido vislumbres
de uma alegria incomensurável
e branca

um rosto de mulher
na linha de luz
do antes ao depois

asas
e
letras

uma fenda de oito horas de ar
todo dia
pra minha solidão criar

e uma vontade de sonho
sendo a alegria dos olhos
dos primeiros estrangeiros
chegando em nova iorque

ouvindo os prédios
e a imensidão
pela primeira vez

19/08/2014

alaya vijnana

cavo o pó dos sonhos findos
passados, futuros
em baús enferrujados

lado a lado oficino
formas e fórmulas
de uns 3 mil anos atrás
quando nasci assassino

silencio dias e noites
silencio olhos e mares azuis
até que a voz
seja luz

02/04/2014

sonho

na beira oval do silo imenso

tenso - a porta aberta me sai

do fatigado peito, asilo
o mesmo objeto em sincronia:
uma maçã, um coração, uma agonia

mas o redondo não cai

não estranho nem adio:
um passo e