o ovo se quebra sem esforço
e o tempo põe outro novo
todo castelo mundano
ruirá
até o próximo plano
do eu
(doeu)
a depressão é a doença mais necessária de nosso tempo:
precisamos cansar disso
mas o que eu não quero olhar
quando me distraio
com tinder comida videogame coca cola?
não quero olhar o medo da morte dos meus pais
que são o único refúgio
quando rompe a barragem de minha raiva
e as outras relações afundam
(assim aprendi a amar?)
não quero olhar
o vazio triste
da história da infância morta
quando eu chorava ouvindo caipirapirapora
não quero olhar
a tristeza das músicas românticas que não ouço
sem namorar
não quero olhar a morte
mas por simplesmente parar quieto
eu olho:
há de haver algo maior
mais largo e profundo
algo além das breves alegrias do eu-mundo
no verbo amar
sem sujeito
em silêncio
amar mais profundo e verdadeiro
sem eu nem ela nem você
de todos e para todos
sem tempo nem espaço
sem história
e muito além da linguagem
- Fabio Rocha
- Escritor, psicanalista e poeta nascido no Rio de Janeiro em 1976. Considerado um dos poetas brasileiros mais representativos da década de 2000 na antologia Roteiro da Poesia Brasileira (Global, 2009), é autor de vários livros publicados gratuitamente em seu blog, cujos melhores poemas foram reunidos em A Magia da Poesia (Papel&Virtual, 2000), Corte (Ibis Libris, 2004), rio raso (Patuá, 2014) e o budismo e o tinder (Multifoco, 2020). Mantém o bem sucedido site “A Magia da Poesia”, que teve mais de um milhão de acessos em 2012, onde divulga a obra de grandes poetas. Seus poemas já foram selecionados para livros escolares, traduzidos para o russo e publicados em diversas revistas literárias.
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12/11/2018
17/09/2018
as energias dançando (tin tinder)
7 meses sem programa
e num mesmo fim de semana
ana aceitou o cinema
juliana adorou jantar
e mariana aplacou a dor
7 dias depois
ana criou um dilema
juliana parou de falar
e mariana pediu 300 reais para fazer amor
(Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes que não tinha entrado na história)
e num mesmo fim de semana
ana aceitou o cinema
juliana adorou jantar
e mariana aplacou a dor
7 dias depois
ana criou um dilema
juliana parou de falar
e mariana pediu 300 reais para fazer amor
(Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes que não tinha entrado na história)
09/08/2018
nada a fazer (samsara)
o agredido foi agressor
o agressor, agredido será
busco a vírgula
do que me é familiar
o agressor, agredido será
busco a vírgula
do que me é familiar
01/06/2018
samsara 2
o problema não é nem a pressa
mas acreditar na promessa
essa
essa
essa
essa
(todas do mundo)
o problema não é nem a esperança de não ter medo
mas ser sempre cedo
para ter medo da esperança
mas acreditar na promessa
essa
essa
essa
essa
(todas do mundo)
o problema não é nem a esperança de não ter medo
mas ser sempre cedo
para ter medo da esperança
19/05/2018
em círculos
a vida não se resolve
com avidez ou sem
dissolve
o chacra do plexo solar
tem
mania ainda de tentar
com avidez ou sem
dissolve
o chacra do plexo solar
tem
mania ainda de tentar
09/07/2017
ad infinitum
na tentativa vã
de reaprender a ter olhos
que se encantem com o mundo
acabam nascendo poemas mudos
achamos que nascemos
e levamos a vida toda aprendendo
a andar a ler a trabalhar a se encaixar e a morrer
para depois repetir todo o processo
ad infinitum
mas a janela pra fora da prisão
não está no beijo na cerveja na tv:
a saída mora desde sempre
em você
de reaprender a ter olhos
que se encantem com o mundo
acabam nascendo poemas mudos
achamos que nascemos
e levamos a vida toda aprendendo
a andar a ler a trabalhar a se encaixar e a morrer
para depois repetir todo o processo
ad infinitum
mas a janela pra fora da prisão
não está no beijo na cerveja na tv:
a saída mora desde sempre
em você
09/05/2016
insatisfatoriedade
entre a doença e a cura
entre a cura e a doença
investir seu tempo e crença
no mundo médio de esperança
na balança entre a conquista, o medo e o tédio
até renascer
entre a doença e a cura
entre a cura e a doença
investir seu tempo e crença
no mundo médio de esperança
na balança entre a conquista, o medo e o tédio
até renascer
a noite vai grande e alta
abraçados sem dança
eu e minha falta indo
pelos hábitos errados nos ferindo
mas a vontade de mais
(mimada demais)
perto de sair do ciclo de ais
empurra ao caminho certo
entre a cura e a doença
investir seu tempo e crença
no mundo médio de esperança
na balança entre a conquista, o medo e o tédio
até renascer
entre a doença e a cura
entre a cura e a doença
investir seu tempo e crença
no mundo médio de esperança
na balança entre a conquista, o medo e o tédio
até renascer
a noite vai grande e alta
abraçados sem dança
eu e minha falta indo
pelos hábitos errados nos ferindo
mas a vontade de mais
(mimada demais)
perto de sair do ciclo de ais
empurra ao caminho certo
26/08/2015
10/02/2015
forma e vazio
calar
enquanto o mundo grita
preferir manter a paz dos píncaros
da neve nas montanhas
do tibete
de nietzsche
sem precisar estar lá
alegrar e alegrar-se
neste espaço e neste tempo
perto e presente
aberto
deixar o tempo escorrer no agora
enquanto o mundo apressa futuros
fugindo do passado
que - assim - se repete
e repete
e repete...
quebrar ciclos infinitos
olhar um pouco de fora
viagens, empregos, relações
todos as formas de brinquedos da mente
sabendo seu vazio
enquanto o mundo grita
preferir manter a paz dos píncaros
da neve nas montanhas
do tibete
de nietzsche
sem precisar estar lá
alegrar e alegrar-se
neste espaço e neste tempo
perto e presente
aberto
deixar o tempo escorrer no agora
enquanto o mundo apressa futuros
fugindo do passado
que - assim - se repete
e repete
e repete...
quebrar ciclos infinitos
olhar um pouco de fora
viagens, empregos, relações
todos as formas de brinquedos da mente
sabendo seu vazio
07/02/2015
vendo Birdman sem cortes
e os tambores constantes
como é grande a luta
dos que buscam fama, prestígio, poder
um filme longo
logo agora que o sábio
para de olhar as horas
pra perceber as engrenagens
dentro do relógio
e por detrás delas
um invisível maior que o tempo
indivisível de tudo
indizível em versos
concatena silêncios sem ilusão
com as negras mãos dos universos
e os tambores constantes
como é grande a luta
dos que buscam fama, prestígio, poder
um filme longo
logo agora que o sábio
para de olhar as horas
pra perceber as engrenagens
dentro do relógio
e por detrás delas
um invisível maior que o tempo
indivisível de tudo
indizível em versos
concatena silêncios sem ilusão
com as negras mãos dos universos
e os tambores constantes
Temas:
budismo,
cinema,
eu,
meditação,
melhores poemas,
poesia,
prajnaparamita,
samsara,
vacuidade
01/02/2015
mas tenho o whatsapp do porteiro
não conheço nenhum vizinho
mas ajudei um mago da noruega
a passar de fase no joguinho online
e tenho o whatsapp do porteiro
a vida me tira as peças
me tira as pernas
só tira
mas tenho o whatsapp do porteiro
me atiro no sofá da sala
ouvindo os gritos de cássia
e a tempestade lá fora
sem saber se alguém ouve
se alguém houve
se alguém move
meu coração
mas tenho o whatsapp do porteiro
mas ajudei um mago da noruega
a passar de fase no joguinho online
e tenho o whatsapp do porteiro
a vida me tira as peças
me tira as pernas
só tira
mas tenho o whatsapp do porteiro
me atiro no sofá da sala
ouvindo os gritos de cássia
e a tempestade lá fora
sem saber se alguém ouve
se alguém houve
se alguém move
meu coração
mas tenho o whatsapp do porteiro
19/01/2015
dançar porém no pasto
escrevo adiantando o passo
do espaço onde não estou
eu todo cadarço
na lama
e o falso refúgio que não vem
e quando vem, não basta
e quando basta, passa
do espaço onde não estou
eu todo cadarço
na lama
e o falso refúgio que não vem
e quando vem, não basta
e quando basta, passa
Temas:
budismo,
eu,
falso refúgio,
insatisfatoriedade,
meditação,
poesia,
samsara
09/12/2014
samsara: retrato
equilibrando pratos
depois de pratos
depois de pratos
pratos caem
pratos surgem
pratos novos brilham nossos olhos e os queremos
redondos
pratos velhos nos enjoam e os largamos
redondos
seguiremos assim
circulares
vida após vida
(sem vida)
até quando?
depois de pratos
depois de pratos
pratos caem
pratos surgem
pratos novos brilham nossos olhos e os queremos
redondos
pratos velhos nos enjoam e os largamos
redondos
seguiremos assim
circulares
vida após vida
(sem vida)
até quando?
18/11/2014
o outro
o sol me arde e coça
mas nado no imperfeito
e vou assim mesmo
o olho com brilho
a vida com jeito
mas nado no imperfeito
e vou assim mesmo
o olho com brilho
a vida com jeito
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