eu não deveria ter comido esse tacão de carne depois da meia-noite
agora estou com calor mesmo no ar condicionado
e esse filme do godard não ajuda
tudo que retumba quando meditei me volta
julgo a tudo e a todos, perdoai
não tem uma mulher que eu tenha namorado nos últimos anos
que consiga ter na maldita conta bancária dez mil reais
mas todas fazem 3 terapias, pagam 2 academias e querem 4 filhos
viajam pelo mundo para postar
compram um carro pagando dois com juros
geralmente gostam de sertanejo e filme dublado
alugam moradas ainda em bairros nobres
sem o sonho da casa própria
(e eu chamando urubu de meu loiro)
dito isso,
- Fabio Rocha
- Escritor, psicanalista e poeta nascido no Rio de Janeiro em 1976. Considerado um dos poetas brasileiros mais representativos da década de 2000 na antologia Roteiro da Poesia Brasileira (Global, 2009), é autor de vários livros publicados gratuitamente em seu blog, cujos melhores poemas foram reunidos em A Magia da Poesia (Papel&Virtual, 2000), Corte (Ibis Libris, 2004), rio raso (Patuá, 2014) e o budismo e o tinder (Multifoco, 2020). Mantém o bem sucedido site “A Magia da Poesia”, que teve mais de um milhão de acessos em 2012, onde divulga a obra de grandes poetas. Seus poemas já foram selecionados para livros escolares, traduzidos para o russo e publicados em diversas revistas literárias.
Mostrando postagens com marcador poesia como salvação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador poesia como salvação. Mostrar todas as postagens
10/08/2024
o demônio das onze horas
Temas:
autocrítica,
cinema,
crítica social,
eu,
humor,
meditação,
melhores poemas,
poesia,
poesia como salvação,
top10,
top20,
top30,
top50
27/06/2022
sempre
com Hilda Hilst descobri que as estrelas estão sós
enquanto olhamos nossas mãos
(e os aparelhos em nossas mãos)
enquanto olhamos nossas mãos
(e os aparelhos em nossas mãos)
como mendigos
minha vida é uma espera
num lugar nunca pronto
solidão e obediência
entende?
às vezes são
às vezes tonto
me distraio com videogames da adolescência
no castelo que me prende
o furo da prisão é a janela
abrindo sorriso
o futuro da solidão é ela
a poesia que resiste calada
minha vida é uma espera
num lugar nunca pronto
solidão e obediência
entende?
às vezes são
às vezes tonto
me distraio com videogames da adolescência
no castelo que me prende
o furo da prisão é a janela
abrindo sorriso
o futuro da solidão é ela
a poesia que resiste calada
e na menos previsível madrugada
estrela
estrela
05/11/2013
16/10/2013
centro
sempre vi
no silêncio das árvores
a sombra da perenidade
é deste silêncio
que brota tudo
inclusive a nossa forma
de ver o mundo
vou junto
juntando palavras
para oferecer aos seus olhos
no silêncio das árvores
a sombra da perenidade
é deste silêncio
que brota tudo
inclusive a nossa forma
de ver o mundo
vou junto
juntando palavras
para oferecer aos seus olhos
19/09/2013
alegria
hoje tenho alergia a poesia
mas tento manter a sanidade
a cada tecla fria
- bom dia
- bom dia
cá dentro, uma ave morre
e nenhuma palavra me socorre
fui no RH adiantar férias:
não pode de forma alguma
na mesa da menina tinham fotos
na minha, nenhuma
mas tento manter a sanidade
a cada tecla fria
- bom dia
- bom dia
cá dentro, uma ave morre
e nenhuma palavra me socorre
fui no RH adiantar férias:
não pode de forma alguma
na mesa da menina tinham fotos
na minha, nenhuma
08/09/2013
manhãs sem luz em apartamentos não incendiados
todos dormem menos eu
no vasto
o som do sábado é o do tempo se perdendo
a vitrola que não tenho toca silêncio
sonho com baobás e passados
caminhões fazem trânsito lá no fora
carros
sempre muitos
sempre indo e vindo
e o mundo esta merda
e eu preso à falta e a mim
(atchim)
leio um poeta aleatório
jogo videogame
como dois pães e chocolate
nada adianta
nada
nada consegue a mínima marola
no oceano de areia do tempo
todos dormem
longe
(espero e espirro)
o peito teima em mostrar que existe
sem enfartar, porém
pulsa suas derrotas todas
(as mesmas de sempre)
sigo sem aprender absolutamente:
alianças no lixo
e mais armários e gavetas
que não abro
sigo sem aprender:
não tenho condições
de começar nada
exceto - talvez - um poema inexato
no vasto
o som do sábado é o do tempo se perdendo
a vitrola que não tenho toca silêncio
sonho com baobás e passados
caminhões fazem trânsito lá no fora
carros
sempre muitos
sempre indo e vindo
e o mundo esta merda
e eu preso à falta e a mim
(atchim)
leio um poeta aleatório
jogo videogame
como dois pães e chocolate
nada adianta
nada
nada consegue a mínima marola
no oceano de areia do tempo
todos dormem
longe
(espero e espirro)
o peito teima em mostrar que existe
sem enfartar, porém
pulsa suas derrotas todas
(as mesmas de sempre)
sigo sem aprender absolutamente:
alianças no lixo
e mais armários e gavetas
que não abro
sigo sem aprender:
não tenho condições
de começar nada
exceto - talvez - um poema inexato
27/08/2013
ponte de angústia aérea
ela vai, ela vem:
ela não sai
daqui
porém
nem vou além
de ir também
você sabe que não há saída
eu sei que não há saída
e mesmo assim seguimos
indo
(arrepio de nostradamus)
mais nenhuma música salva
mais nenhuma lágrima alivia
mas ainda há saliva
e às 5 da manhã algo ainda pia
(além de frio, agora chove
sobre a minha pobre rima)
transbordo a poesia
só por pura mania
de esperançar o dia
assim vou
com a mesma expressão
de quem já calou muita dor
e sabe a paixão
menor que o amor
(me disseram isso um dia)
ela não sai
daqui
porém
nem vou além
de ir também
você sabe que não há saída
eu sei que não há saída
e mesmo assim seguimos
indo
(arrepio de nostradamus)
mais nenhuma música salva
mais nenhuma lágrima alivia
mas ainda há saliva
e às 5 da manhã algo ainda pia
(além de frio, agora chove
sobre a minha pobre rima)
transbordo a poesia
só por pura mania
de esperançar o dia
assim vou
com a mesma expressão
de quem já calou muita dor
e sabe a paixão
menor que o amor
(me disseram isso um dia)
13/08/2013
sem escolha
danço apenas com a poesia
por inícios breves
por longos fins
danço apenas com a poesia
chovem demônios
queimam serafins
danço apenas com a poesia
no grande salão sem orquestra
da ausência em mim
por inícios breves
por longos fins
danço apenas com a poesia
chovem demônios
queimam serafins
danço apenas com a poesia
no grande salão sem orquestra
da ausência em mim
02/06/2013
sem volúpia
salvo uma palavra que me salve
(salva de palmas)
saliva de violões vazios
cheios de som, sacrifício, saudade, desperdício...
olhos desertos
que se teimam
abertos
abertos ante o medo da grande noite
noite maior que todos
que a todos apaga a luz
quantas armas inúteis
ultratecnológicas
hiperverborrágicas
quanto tempo perdido com armas
facas, canivetes, espadas...
o que salva da noite
é o abraço
não o corte, a ferida
o oposto da morte
é o amor
não a vida
(salva de palmas)
saliva de violões vazios
cheios de som, sacrifício, saudade, desperdício...
olhos desertos
que se teimam
abertos
abertos ante o medo da grande noite
noite maior que todos
que a todos apaga a luz
quantas armas inúteis
ultratecnológicas
hiperverborrágicas
quanto tempo perdido com armas
facas, canivetes, espadas...
o que salva da noite
é o abraço
não o corte, a ferida
o oposto da morte
é o amor
não a vida
31/05/2013
aracnofobia
o meu afeto
é essa aranha tateando a parede
branco
o meu afeto é manco
sem tato
no corpo
seu contato
com o Outro
atravessa
a palavra
(Poema inspirado na poesia de Mar Becker.)
é essa aranha tateando a parede
branco
o meu afeto é manco
sem tato
no corpo
seu contato
com o Outro
atravessa
a palavra
![]() |
| Imagem: Maísa Motta |
(Poema inspirado na poesia de Mar Becker.)
10/05/2013
quase aos 40 do segundo tempo
esquisito:
sei quando gamo
mas não sou quando amo.
amo
mas não cedo
amo
pelo meio
amo
pelo medo de amar
amo e odeio
amodiar...
isto dito,
a esta altura do campeonato,
cabe aceitar o fato
e fazer um poema bonito.
sei quando gamo
mas não sou quando amo.
amo
mas não cedo
amo
pelo meio
amo
pelo medo de amar
amo e odeio
amodiar...
isto dito,
a esta altura do campeonato,
cabe aceitar o fato
e fazer um poema bonito.
02/04/2013
definições líquidas
famílias são agentes econômicos
espiões são agentes secretos
poemas são desagentes
espiões são agentes secretos
poemas são desagentes
23/03/2013
do fazer poético
acariciar estrelas por meio de teclas
louvar letras
coser sons
enquanto tudo se despedaça
louvar letras
coser sons
enquanto tudo se despedaça
23/01/2013
o que for
chova o que for em meu ouvido
olhos
qualquer parte
estarei vivo
enquanto escrever
um pingo de arte
olhos
qualquer parte
estarei vivo
enquanto escrever
um pingo de arte
18/12/2012
anarquia é rima rica de poesia
cada letra de um poema
é uma revolução
contra o sistema
cada letra
um cadafalso
verdadeiro
pra certezas caírem
e crianças inseguras plantarem
sementes quentes
de futuros sãos.
é uma revolução
contra o sistema
cada letra
um cadafalso
verdadeiro
pra certezas caírem
e crianças inseguras plantarem
sementes quentes
de futuros sãos.
15/12/2012
14/12/2012
pro_fundo
voltar a poesia para si mesma
por si mesma
deixar essa busca de olhos
e amanhãs
calar os mestres
retroceder ao ponto inicial:
um poema de amor
se escrevendo em minha falta
por si mesma
deixar essa busca de olhos
e amanhãs
calar os mestres
retroceder ao ponto inicial:
um poema de amor
se escrevendo em minha falta
Assinar:
Postagens (Atom)

