começa pela água
que se molda ao receptáculo onde relaxa
entende o outro
a forma do outro
se forma como outro
para poder livrá-lo de ser outro
depois a firmeza da terra
a certeza sólida em cada passo de que
o ouro do outro brilha apesar de tudo
e nos alegra e nos move e nos energiza
junto
então o fogo
nos purifica e transforma
mostrando racionalmente e além da razão
que há um jeito de sair do sofrimento
e nos motiva a seguir o caminho
e o ar
expande
sem pestanejar
corta feito espada
o que deve ser cortado
finalmente o brilho
do silêncio
além do último e do primeiro
atento
e além do tempo
- Fabio Rocha
- Escritor, psicanalista e poeta nascido no Rio de Janeiro em 1976. Considerado um dos poetas brasileiros mais representativos da década de 2000 na antologia Roteiro da Poesia Brasileira (Global, 2009), é autor de vários livros publicados gratuitamente em seu blog, cujos melhores poemas foram reunidos em A Magia da Poesia (Papel&Virtual, 2000), Corte (Ibis Libris, 2004), rio raso (Patuá, 2014) e o budismo e o tinder (Multifoco, 2020). Mantém o bem sucedido site “A Magia da Poesia”, que teve mais de um milhão de acessos em 2012, onde divulga a obra de grandes poetas. Seus poemas já foram selecionados para livros escolares, traduzidos para o russo e publicados em diversas revistas literárias.
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24/07/2017
06/10/2016
chama fogo
o fogo não sabe que se chama fogo
no fogão é azul
na fogueira tem som
às vezes dança
às vezes brilha parado
na química é combustão
na física é calor
nos corpos pode ser amor
às vezes tem fumaça
às vezes não
o fogo não tem forma ou definição
e não sabe que se chama fogo
mesmo assim queima a mão distraída
e transforma grão
em comida
no fogão é azul
na fogueira tem som
às vezes dança
às vezes brilha parado
na química é combustão
na física é calor
nos corpos pode ser amor
às vezes tem fumaça
às vezes não
o fogo não tem forma ou definição
e não sabe que se chama fogo
mesmo assim queima a mão distraída
e transforma grão
em comida
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10/05/2016
(a)trai e (re)pele
o calor que aumenta em tua pele frita
é o mesmo
se o inimigo te irrita
ou se a paixão te (a)trai
o mesmo
você pode entrar nesse vão
(na chuva de meteoros pra se desmolhar)
ou olhar de fora
do fogo da ilusão
você sempre pode
escolher
é o mesmo
se o inimigo te irrita
ou se a paixão te (a)trai
o mesmo
você pode entrar nesse vão
(na chuva de meteoros pra se desmolhar)
ou olhar de fora
do fogo da ilusão
você sempre pode
escolher
03/07/2015
m_ar
deixo a água
invadir meus sonhos
meus olhos
minhas intenções
todas as partes quase antigas
duras como rocha
que deixavam
todos à parte
enquanto meu fogo criava
poemas amigos sobre o mar
invadir meus sonhos
meus olhos
minhas intenções
todas as partes quase antigas
duras como rocha
que deixavam
todos à parte
enquanto meu fogo criava
poemas amigos sobre o mar
22/07/2013
exercício
mergulho um rio de vidro
fino silêncio
mais e mais fundo
até encontrar água
e prazer
devido a pressões constantes
respirar é leve
elevo-te
no salto
insisto
repito
expando
é possível mais
mais ainda
ainda mais
o voo:
dor vira arte
dor virá arte
ágape
no sorriso dela
vermelho fogo
até a última brasa
fino silêncio
mais e mais fundo
até encontrar água
e prazer
devido a pressões constantes
respirar é leve
elevo-te
no salto
insisto
repito
expando
é possível mais
mais ainda
ainda mais
o voo:
dor vira arte
dor virá arte
ágape
no sorriso dela
vermelho fogo
até a última brasa
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