26/02/2021

voltando a dormir

bukowskis à parte
meus braços cansados se estendem fixos
apenas ao amor que se afasta
(tão bonito)

escorre leve
disfarçadamente
num silêncio de navio que sente
o porto se afastando

22/02/2021

e fazendo doações

o mar segue mandando ondas de noite
quando você dorme?

gastei anos tentando desenvolver uma empatia que não tenho
por medo de um inferno em que não acredito

18/02/2021

eu ateu?

sou ateu se a varoa é muito feia 
temo a deus se a varoa é muito bela 
(sou pecado se donzela)

17/02/2021

quarentena - quarenta anos em um

passou um ano
o natal o réveillon o carnaval
mas não passou o vírus

a vacina parece minha iluminação através da meditação budista
ou meus encontros do tinder
sempre há (precisa ter) um depois

aguarde mais um pouco
também
pelo final deste poema

06/02/2021

soul (às vésperas da vacina)

a máscara embaça os óculos
mas a vida 
com um pouco mais de consciência
clareia

ponto final

talvez eu só não tenha fobia social
com a mulher que amo.
talvez isso não seja um mal

21/01/2021

não é tudo um sonho?

vivemos na época de malucos nazistas eleitos
e absorventes coach

dentre curas milagrosas não comprovadas
terraplanistas perguntam:
como pode melhorar?

está na moda falar em cocriação 
coemergência 
"é tudo um sonho"
"sofrimento é escolha"
mas todos - sem exceção - aceitam doação

enquanto nas UTIs em manaus sem oxigênio
aguardam solenemente a filmagem
(todo infeliz tem celular)
do primeiro mestre levitar 

20/01/2021

cinefilia

o bom dos filmes bons
é que nos momentos amplos
nos momentos de grandeza beleza ternura prazer
entra alta
uma música
que na vida falta

desinstalei o jogo de novo

um poema por pura teimosia
a mente pulando de um galho pro outro
eu paro pra poesia
e segue o macaco louco 

05/01/2021

a esperança é entre parênteses

sempre há escolha

por instance:
eu podia passar o dia brigando com o síndico
mas escolhi escolher versos pra te mandar

a maioria se espanta
mas eu escolho continuar 
criando minha relação de um lado
e mandando poemas e corações alados

se ponto:
pronto. 
final!

aí enterro a invenção com flores
adubo a emoção
e morro um pouco junto
até rimar novos amores

(algumas vezes dá frutos)