calo a voz
de minhas mãos sem calos
os ponteiros rebobinam
o fio invisível do tempo:
aproximam
a morte
- Fabio Rocha
- Escritor, psicanalista e poeta nascido no Rio de Janeiro em 1976. Considerado um dos poetas brasileiros mais representativos da década de 2000 na antologia Roteiro da Poesia Brasileira (Global, 2009), é autor de vários livros publicados gratuitamente em seu blog, cujos melhores poemas foram reunidos em A Magia da Poesia (Papel&Virtual, 2000), Corte (Ibis Libris, 2004), rio raso (Patuá, 2014) e o budismo e o tinder (Multifoco, 2020). Mantém o bem sucedido site “A Magia da Poesia”, que teve mais de um milhão de acessos em 2012, onde divulga a obra de grandes poetas. Seus poemas já foram selecionados para livros escolares, traduzidos para o russo e publicados em diversas revistas literárias.
Mostrando postagens com marcador relógio. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador relógio. Mostrar todas as postagens
11/11/2014
28/07/2013
CSN cravo e canela
noite de sonho
café da manhã
o passado te acha
em qualquer cidade ou idade
essa janela sem vista
é o prédio da infância otimista:
bege e destroçado
nenhuma árvore
pra pousar minha esperança
*
Gabriela
a cidade com as curvas dela:
volta
redonda
(a acarinhar minha ternura)
ah, o mundo de sutilezas
que perdemos
pelo hábito
aqui
os garçons sorriem
e nós
dois (anormais)
nos percebemos iguais
sob relógios enormes
minha musa
minha música
um abraço
cala o frio
e deságua o rio de dentro
(fotografo na mente seus detalhes)
um abraço simples
no centro da praça
em frente ao casal de velhinhos
*
vi a fábrica de noite
sua fumaça de Blade Runner
operário gigante no meio da cidade que dorme
ao som de um saxofone imaginário
respirei aço em pó no ar
por dois dias
e me fiz de aço de novo
eu que me desmanchava
um polvo sem asa
(U tem cílio de escritórion)
agora
homem de aço
voando pra casa
café da manhã
o passado te acha
em qualquer cidade ou idade
essa janela sem vista
é o prédio da infância otimista:
bege e destroçado
nenhuma árvore
pra pousar minha esperança
*
Gabriela
a cidade com as curvas dela:
volta
redonda
(a acarinhar minha ternura)
ah, o mundo de sutilezas
que perdemos
pelo hábito
aqui
os garçons sorriem
e nós
dois (anormais)
nos percebemos iguais
sob relógios enormes
minha musa
minha música
um abraço
cala o frio
e deságua o rio de dentro
(fotografo na mente seus detalhes)
um abraço simples
no centro da praça
em frente ao casal de velhinhos
*
vi a fábrica de noite
sua fumaça de Blade Runner
operário gigante no meio da cidade que dorme
ao som de um saxofone imaginário
respirei aço em pó no ar
por dois dias
e me fiz de aço de novo
eu que me desmanchava
um polvo sem asa
(U tem cílio de escritórion)
agora
homem de aço
voando pra casa
Temas:
amor,
cidadezinha,
estrangeiro,
homenagem,
melhores poemas,
musas,
paixão,
passado,
poesia,
relógio
02/07/2013
escafandro
grafite é quase diamante
sou menos poeta
que amante
da poesia do amor
olho os ponteiros sem alvo
do relógio do escritório
o azul
mais que cor
ação de parar
e dor seguir:
semáforo incolor
bússola
querendo me expandir
pra além do medo
da angústia de estar no mesmo lugar
ah, mar imenso
longe daqui
mistério molhado de horizonte
nunca (vi)verei seu todo
sou menos poeta
que amante
da poesia do amor
olho os ponteiros sem alvo
do relógio do escritório
o azul
mais que cor
ação de parar
e dor seguir:
semáforo incolor
bússola
querendo me expandir
pra além do medo
da angústia de estar no mesmo lugar
ah, mar imenso
longe daqui
mistério molhado de horizonte
nunca (vi)verei seu todo
Temas:
amor,
dúvida,
jogo de palavras,
mar,
melhores poemas,
poesia,
relógio,
tempo,
top50,
trabalho
Assinar:
Postagens (Atom)