amor é presença na distância
fogo que arde sem chover
amor se eterniza na lembrança
do claro e breve relâmpago
(depois sofrer)
e se nessa sexta-feira à meia-noite
eu também esteja nesse teu espaço denso
entre palavra, imagem e esperança
me delicio com este silêncio
enquanto aranha focada em ti
querendo prender cada pedaço de sua alva perfeição
em minhas antigas veias
(nossa natureza)
és e somos
um dos raros sonhos maiores que a cópula
você, minha estátua
eu, tua cópia
os amores
possíveis:
os impossíveis
é o que tinha
sardinha em latas
doenças que se tocam e estranham
(estrangeiros de almofada)
é o que tinha
e aqui estamos
sem conexões côncavo-convexo
tigres nos armários trancados que se entreolham complexos
minha pressa passa a porta e rosna
sem base
minha nova palavra minha
minha minha minha
(outrora a coisa ia
ela-eu pensava conversava completava escrevia:
ela me lia - elo
eu me me lava)
para que começar
se isso vai ter fim?
e tudo fica assim
fora do teu laço
eu pedaço
de volta pra mim