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Escritor, psicanalista e poeta nascido no Rio de Janeiro em 1976. Considerado um dos poetas brasileiros mais representativos da década de 2000 na antologia Roteiro da Poesia Brasileira (Global, 2009), é autor de vários livros publicados gratuitamente em seu blog, cujos melhores poemas foram reunidos em A Magia da Poesia (Papel&Virtual, 2000), Corte (Ibis Libris, 2004), rio raso (Patuá, 2014) e o budismo e o tinder (Multifoco, 2020). Mantém o bem sucedido site “A Magia da Poesia”, que teve mais de um milhão de acessos em 2012, onde divulga a obra de grandes poetas. Seus poemas já foram selecionados para livros escolares, traduzidos para o russo e publicados em diversas revistas literárias.
Mostrando postagens com marcador poemas de amor. Mostrar todas as postagens
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19/04/2025

trovão

amor maior que a língua na boca:
linguagem própria

amor é presença na distância
fogo que arde sem chover

amor se eterniza na lembrança
do claro e breve relâmpago
(depois sofrer)

07/09/2024

teias

e se nessa sexta-feira à meia-noite
eu também esteja nesse teu espaço denso
entre palavra, imagem e esperança

me delicio com este silêncio
enquanto aranha focada em ti
querendo prender cada pedaço de sua alva perfeição
em minhas antigas veias

(nossa natureza)

és e somos
um dos raros sonhos maiores que a cópula

você, minha estátua
eu, tua cópia

22/02/2024

ambos com um sorriso lindo

e se a paixão for ver o imaginário realizado?

mesmo que passe
mesmo que mude
mesmo que acabe

ambos com um sorriso lindo

23/11/2023

wish you were here

é o que tinha
sardinha em latas
doenças que se tocam e estranham
(estrangeiros de almofada)

é o que tinha
e aqui estamos
sem conexões côncavo-convexo
tigres nos armários trancados que se entreolham complexos

minha pressa passa a porta e rosna
sem base

minha nova palavra minha
minha minha minha

(outrora a coisa ia
ela-eu pensava conversava completava escrevia:
ela me lia - elo
eu me me lava)

07/04/2023

trecho onírico de erasmo e roberto

para que começar
se isso vai ter fim?

e tudo fica assim
fora do teu laço

eu pedaço
de volta pra mim

26/11/2022

sessão de cinema das cinco

ela tem uma boca
e eu a roupa da poesia mais louca
a escorrer dos dedos quentes

há um jantar futuro
mas não deixo o furo
estragar o presente

ela longe - ela rente
a energia o sonho a vontade o possível a palavra:
a gente

10/08/2022

ode a todos os amores do passado

acolho vocês no presente
o presente que me são
porque foram

a pandemia tá cedendo
bolsonaro vai perder
e eu não vou (nem tento) esquecer

sei que é tempo de frio
o calor do que foi me acalenta o que poderá ser
assobio

guardo dentro de um abraço
o que foram o que fomos
e caminho

e também fico
e também passo

27/06/2022

sempre

com Hilda Hilst descobri que as estrelas estão sós
enquanto olhamos nossas mãos
(e os aparelhos em nossas mãos)
como mendigos

minha vida é uma espera
num lugar nunca pronto

solidão e obediência
entende?

às vezes são
às vezes tonto
me distraio com videogames da adolescência
no castelo que me prende

o furo da prisão é a janela
abrindo sorriso

o futuro da solidão é ela
a poesia que resiste calada
e na menos previsível madrugada
estrela

26/05/2022

spam

é tempo de atentado
desatenção 
golpe
assassinato

roubo 
fraude
separação 
tipo johnny depp

democracia 
em extinção

(agressiva agressão)

...

parecem milênios
mas há poucos anos atrás
eu namorava e tínhamos nossa música

no primário eu desenhava coração
e o nome do bem querer
dentro da canção

05/06/2021

cartola (o mar e a rocha)

na antessala pra alvorada
depois de um inverno infinito
enquanto lá fora toca funk
abro ainda mais a janela pro frio

os primeiros raios de luz parecem um milagre doentio
vejo o caos me olhar esguio
na rede social

silencio com palavras a saudade

eu poderia olhar pra luz vindoura
o nascimento cristalizado da luz
mas olho pra trás os cacos
o brilho dos cacos de cetim
o fraco por ser bom
sem perguntar por que foi tão 
se foi quebrado?
(e por que quebrado se foi tão?)

melhor assim

um gato mia

ninguém dorme direito na pandemia

o caos me olha e sabe
eu calo daqui e sei também
culpa? de ninguém

a costa da bahia sabe
mas a gente silencia
olha o mar

vai sair o sol:


28/10/2020

ainda sobre a construção

o esforço maior do poeta 
é ficar no trivial

passa uma mariposa sem simbologia:
tudo bem

ela no shopping olhando bijuterias
ela perto do aniversário e do coração
ela sorria

tudo bem

operário

céu de tarde
tarde de céu 

tarde demais
outonais em sombras
zelo em construção passada
implosão

(e implosão e implosão e implosão)

eleição onde políticos sorriem
televisão e telas

edifico a construção
lento 
como quem não teme
como quem não treme

abaixo
trovões e gatos

abaixo
imensidão

um risco tênue sobre terremotos
se ergue sem olhar o céu

horizonto meio tonto sua mão dada

15/05/2020

poemas de amores lidos

é dever informar - caiu outro ministro
os lulistas temem - os conservadores tremem
e insisto em não insistir:
todos concordam silenciosamente
(temos um imbecil no poder)

o imbecil nos une e irmana
e as meninas e os meninos
e os velhinhos e velhinhas
em eterna minoria
declamam

poemas de amores idos

27/12/2019

eu sei o que é amor

a música lembra
mas os passos na praia
deixam o passado pra trás

(pássaros: gaivotas)

por mais que se tema sem trema sobre o tema
o passado traz um presente:
a capacidade de conexão
interação
interesse
prazer
não morre

(a gente é que morre)

eu perdoo

26/11/2019

quente

amar em cada célula
repetindo em fogo
eu te amo - eu te amo

o corpo todo pulsa
quer e treme

não venha me falar do desapego
de como jesus amou

eu existo
eu tenho fome
eu como
e eu amo
com vigor

05/11/2018

quando ela finalmente veio

(Para Amanda)

Depois de meditar ela me agarrou e beijou e tudo brilhou muito mais do que em sete anos de meditação. Não fodeu mas foi o melhor quase da minha vida. Ela só andava de calcinha fio dental preta. Isso me encheu a vida de cor. Estava sempre maquiada, alta, corpo perfeito em cada detalhe, seios, cintura, perfume. Acordava linda. Batom vermelho. Cabelo preto liso. Pele branca lisa. Desde que ela foi embora nada tem cor. Marco encontros com outras mulheres e elas vão sem batom sem brincos sem cor. Cabelos desgrenhados. Algumas vezes com remelas. Como amendoim e não resolve. Bebo coca-cola e não resolve. Jogo videogame e não resolve. Compro sorvete e não resolve. Esqueço dela e não resolve. Resolvo escrever e ela parece ainda mais colorida. (Se não me engano peguei pneumonia...)

29/10/2018

bahia

fecho os esqueletos
abro o afeto

o amor vai chegar amanhã
tudo bem

feto
fato

ao palato mole
só resta esperar

04/01/2018

antimusa

cansado do ar condicionado
abro a janela
e percebo que não precisava de ar condicionado

ela entra
sento na cadeira mais confortável
e aperto as mesmas letras
das máquinas de escrever de todos o escritores

ela não quer meus poemas
e eu entendo ela

meus poemas tendem a assustar
desacreditar ardor e intenções
matar pela raiz
exagerar nos sons da palavra amor
lá fora

meus poemas tendem a perder o agora
este
este
este
por não estarem distraídos

pela janela
entram sons escuros
vozes de longe
perfumes futuros
ela

(mas obedeço: não escrevo)