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Escritor, psicanalista e poeta nascido no Rio de Janeiro em 1976. Considerado um dos poetas brasileiros mais representativos da década de 2000 na antologia Roteiro da Poesia Brasileira (Global, 2009), é autor de vários livros publicados gratuitamente em seu blog, cujos melhores poemas foram reunidos em A Magia da Poesia (Papel&Virtual, 2000), Corte (Ibis Libris, 2004), rio raso (Patuá, 2014) e o budismo e o tinder (Multifoco, 2020). Mantém o bem sucedido site “A Magia da Poesia”, que teve mais de um milhão de acessos em 2012, onde divulga a obra de grandes poetas. Seus poemas já foram selecionados para livros escolares, traduzidos para o russo e publicados em diversas revistas literárias.
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02/09/2024

para quê?

fico sozinho
tentando me acostumar a ficar sozinho
(sem sucesso)

para evitar
o terror
de me acostumar
à alguém
e perdê-la

09/09/2023

beca,

em cima do que fomos
há um terraço que somos
pronto para ver o céu

23/03/2018

desculpe mas eu tenho que fazer uma obra-prima

enquanto mastigo meus próprios dentes
e a lombalgia dura antes durante e depois
busco algo fora pra me ocupar

porque ocupado não sinto a baleia respirando sob a lua
no mar que toca e é
que sou
que somos

porque ocupado fecho o vidro do carro
para o eu que me pede - pare
e sigo o curso do padrão estável
dentro dos meus muros
e dos muros que ergo pra proteger os meus

porque ocupado culpo o cupido
ou me distraio correndo pra próxima
e a próxima
e a próxima
ouvindo a música de amor
ou vendo o filme romântico
pra me distrair da anterior

porque ocupado o capeta
ocupa a mente vazia
e com foco na muleta
deixo a louça na pia
e cuspo no prato que se erguia na sombra da letra

porque ocupado
em procurar culpados externos
meu esterno se comprime
e me faço no compasso de panos quentes
e uma lista enorme de desistências
e fracassos

ocupado
dentro de meus dentes moles agora quebrados
enquanto mastigo meus próprios crentes
e a lombalgia dura antes
durante
e depois

20/05/2017

Prajna com foco no ego

O problema é que a gente cria o personagem, acredita em sua solidez e entra no papel. Mas algo sábio em nós (e além de nós) sabe que não há nada ali. Então, atrás de estabilidade e segurança, automaticamente passamos a defender e reafirmar o personagem. Porque sabemos que ele é um sonho. Pichamos muros com nossos nomes. Assinamos poemas, quadros, filmes com nossos nomes. Queremos pendurar nossos nomes no alto da História. Maiúsculo. Tiramos selfies. Fazemos check-in. Ai de quem vai contra o personagem. "Você sabe com quem está falando?" Solidificamos e comprovamos nossa presença no mundo sólido porque sabemos que não há nada sólido. A profissão parece nosso sobrenome. O ser amado comprova que somos o personagem, e ele é capaz de ser querido, ele é capaz de ser amado e admirado, sólido. Não renunciamos ao cargo, nem com gravações provando que não estamos a altura do cargo de personagem... Lutamos até o final. Até a última respiração. Todos nós.