- Fabio Rocha
- Escritor, psicanalista e poeta nascido no Rio de Janeiro em 1976. Considerado um dos poetas brasileiros mais representativos da década de 2000 na antologia Roteiro da Poesia Brasileira (Global, 2009), é autor de vários livros publicados gratuitamente em seu blog, cujos melhores poemas foram reunidos em A Magia da Poesia (Papel&Virtual, 2000), Corte (Ibis Libris, 2004), rio raso (Patuá, 2014) e o budismo e o tinder (Multifoco, 2020). Mantém o bem sucedido site “A Magia da Poesia”, que teve mais de um milhão de acessos em 2012, onde divulga a obra de grandes poetas. Seus poemas já foram selecionados para livros escolares, traduzidos para o russo e publicados em diversas revistas literárias.
04/06/2026
nas entrelinhas
nas pequenas letras e tombos
onde leio e releio e me ralo
há meio século
perpasso a impressão de nada mudar
apresso o passo
e por mais que doa
olho para cima:
jesus perdoa
18/03/2026
a minha raiva
minha raiva é tamanha
que chega 30 minutos antes
ai deles
se não me chamarem
09/03/2026
eu crisóstomo (o filho de mil homens)
eu desse poço de egoísmo e ilusão de separatividade
venho pouco a pouco entendendo deus quando estudo
sentindo deus quando silencio
e ignoro a produtividade e a pressa
mesmo eu crisóstomo
tenho feito progressos, acho
nesse sábado por exemplo
mesmo sem namorada
mesmo sem ter tido chamada
me estranhei completo
no momento presente
inteiro no segundo que passa
do jeito que passa
(passarei passarinho)
04/03/2026
28/02/2026
50 anos vindouros
nem a bronquite ou o pânico
e agora dói um dente e a coluna
(minha vida não tem mais mulheres ou risadas com amigos)
uma palestra do lama padma samten
ou um documentário do milton nascimento
e vou em silêncio pelas letras de braço dado com as palavras
imaginando que sou um cantor
que serei
que fui
e lá se vai mais um dia
08/09/2025
21/08/2025
finch
meu olho pula
não posso depender de alguém
cuja sombra me aponte um caminho
me sugira uma melhora
o eu que não tenho antifaz e faz as rotas
todos os passos sem destino lógico
para frente e para trás
(o não eu beira a doença e a iluminação teórica)
com um robô e um homem doente
24/07/2025
16/06/2025
conatus (500 abas abertas que nem a vida)
além do tempo e espaço
vontade é antidepressão
vontade é o sentido da vida
mesmo que a vida não precise de um sentido, uma missão
o Não é o oposto da grandeza do Sim
amor-fati
amor: fato
30/05/2025
em resumo
pelo caminho ficou um braço um tempo um fígado
dois ou três corações partidos
mas sigo catando palavras e abraços
09/05/2025
estação onze
acho o seriado
a cara dela
o corpo dela
a manda: vais teixeira
a mando
amanda vai no tempo
amanda indo na estrada
amanda se queixando
amanda aqui (dentro) ficando
15/04/2025
25/02/2025
03/02/2025
filmes de arte (versus criptomoedas)
arte me brota e me aquece
me aquiesce
inacreditável:
saio desta guerra
mais rico
10/01/2025
abrir
não tento mais o indizível
caio em prantos e escadas
céus de acalanto
todo dia
dia sim dia não
o problema é o verbo buscar
solo de guitarra
com areia azul
para fechar
29/11/2024
aprendizado
talvez eu morra em breve
mas tenho criptomoedas e opções futuras
a boca seca sem saber o que falar
o peito oprimido
(mas com grandes esperanças)
medo
medo mesmo
já mora em mim faz tempo
(aprendi)
10/08/2024
o demônio das onze horas
eu não deveria ter comido esse tacão de carne depois da meia-noite
agora estou com calor mesmo no ar condicionado
e esse filme do godard não ajuda
tudo que retumba quando meditei me volta
julgo a tudo e a todos, perdoai
não tem uma mulher que eu tenha namorado nos últimos anos
que consiga ter na maldita conta bancária dez mil reais
mas todas fazem 3 terapias, pagam 2 academias e querem 4 filhos
viajam pelo mundo para postar
compram um carro pagando dois com juros
geralmente gostam de sertanejo e filme dublado
alugam moradas ainda em bairros nobres
sem o sonho da casa própria
(e eu chamando urubu de meu loiro)
dito isso,
14/02/2024
fatalidade (arte)
um novo olhar
como um arrepio de magia
breve
muito breve
e voltar a rimar com banalidade
21/12/2023
o ano finda
o ano finda
não a minha vida
mesmo assim não sei de onde
este medo nas entranhas
e a chegada vã de doenças estranhas
preparo o site caso eu morra
os blogs os livros as redes sociais
(corro as camisetas e feliznatais)
e todo ano corvo
(novo e de novo e de novo)
me preparo e não morro
