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Escritor, psicanalista e poeta nascido no Rio de Janeiro em 1976. Considerado um dos poetas brasileiros mais representativos da década de 2000 na antologia Roteiro da Poesia Brasileira (Global, 2009), é autor de vários livros publicados gratuitamente em seu blog, cujos melhores poemas foram reunidos em A Magia da Poesia (Papel&Virtual, 2000), Corte (Ibis Libris, 2004), rio raso (Patuá, 2014) e o budismo e o tinder (Multifoco, 2020). Mantém o bem sucedido site “A Magia da Poesia”, que teve mais de um milhão de acessos em 2012, onde divulga a obra de grandes poetas. Seus poemas já foram selecionados para livros escolares, traduzidos para o russo e publicados em diversas revistas literárias.
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27/03/2022

caminho

ao poema perfeito nunca se chega
vou em cada letra um passo
um pássaro
e voo

07/07/2020

exatamente agora

e se só faltar
o próximo passo
para ser pássaro?

12/05/2015

agride

pássaros voam
sobre as nossas
grades

19/03/2015

do dragonismo (salto)

(para Nilton Bonder)

toda tradição pede traição

a pele assim transcende hábitos
e brota a transgressora pluma

nosso olhar muda

movimento inexorável para cima

não mais dormir que a vida passa
mas ir além:
ávido mártir
espelho de pássaro

06/06/2014

07/02/2014

LP

vi a capa de um disco antigo
na casa da minha vó
e nunca mais esqueci:
porque doeu

era um cara de peito aberto
costelas arrebentadas por asas
saindo um pássaro que cantava mudo:
era eu

23/07/2013

kryptonita no inconsciente 37

grito contra a kryptonita
contra o passado
com ira dos que
já se sabem fracasso:

todo voo
(re)quer descanso

(sangro o sangue de jesus
pela boca da noite)

22/07/2013

exercício

mergulho um rio de vidro
fino silêncio
mais e mais fundo

até encontrar água
e prazer

devido a pressões constantes
respirar é leve

elevo-te
no salto

insisto
repito
expando

é possível mais

mais ainda

ainda mais

o voo:
dor vira arte
dor virá arte
ágape
no sorriso dela

vermelho fogo
até a última brasa

11/06/2013

bem que se quis

mundo enorme
em que estranho estar

disforme

literal, preciso, nítido
desértico, populoso, artístico

com plexo transbordado
em toda parte
escorre arte

observo sem dizer um ai
estes céus de vanilla sky
das cinco da manhã

não mais ir
deitado no banco de trás
do carro dos pais

ser o Único herói
capaz de fazer
a criança crescer

num mundo frio de ar
sem casaco ou afã
sob um sol que amarela
através de catracas vãs

voo