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Escritor, psicanalista e poeta nascido no Rio de Janeiro em 1976. Considerado um dos poetas brasileiros mais representativos da década de 2000 na antologia Roteiro da Poesia Brasileira (Global, 2009), é autor de vários livros publicados gratuitamente em seu blog, cujos melhores poemas foram reunidos em A Magia da Poesia (Papel&Virtual, 2000), Corte (Ibis Libris, 2004), rio raso (Patuá, 2014) e o budismo e o tinder (Multifoco, 2020). Mantém o bem sucedido site “A Magia da Poesia”, que teve mais de um milhão de acessos em 2012, onde divulga a obra de grandes poetas. Seus poemas já foram selecionados para livros escolares, traduzidos para o russo e publicados em diversas revistas literárias.

28/10/2015

motivo

andei pela praia
e o vento era maior

quis chorar
mas não consegui

andei todo meu peso
contra o vento
até acabar a areia

tentei sorrir
mas desisti

o vento enorme
andei até
querer ser mar

andei sem parar
até todo o peso desmanchar
em letra

limites e responsividades

olho o espaço até o futuro morto
lembro de respirar
rio do drama
sem porto

a lama, o lodo, a água

invisto em boiar
sem me agarrar a nada
(nem nadar)

a água, o lodo, a lama

falsos refúgios repetitivos e surpreendentes

perspectivas particulares
quentinhas, bonitas, felizes com condições e confiança de que façam o que quero
para guardar em casa, mumificadas, até que amor-te
de amar-te falsamente vira fato:
vou embora

vou embora pipocando nos olhos sem brilho
vou embora deitando lentamente nos pequeno gestos
vou embora ameaçando a geladeira
vou embora que tanto tememos e esperamos e trememos

surpreendente até ser palavra:
vou
embora

o amor verdadeiro
olhando calado
do lado de fora

25/10/2015

23/10/2015

do amor (romântico) ou os ecos de meus cacos são tantos que quase me deixam gago

respiração curta
dor de barriga
dor na barriga
estômago maluco
frio mais frio
frio frio demais
sono por não dormir
não dormir pela falta de sono
pela falta de paz

mas você
você faz o quê?

ruminando planos passados
planejando futuros melhores
perde o presente

procura correndo
o próximo
veneno
pra te salvar
do anterior

(sentindo ereto
que agora vai dar
certo)

22/10/2015

lutando pra relaxar

meu apego é à prática
para que chegue
a não ter apego na prática

o amor é um cansaço

eu semeio vento
porque ela é tempestade

ela escreve em prosa
a poesia em que me invento

algumas noites
nossos cansaços se enlaçam
no tempo e no sempre
antes mesmo de ser

para nos proteger
mesmo que precariamente
para nos proteger
mesmo que lindamente

(do frio indizível
dos pactos rompidos
dos besouros mortos)

20/10/2015

e sol

o poeta é o espaço
entre o incisivo e o sideral
que te morde dinamite

that's all

18/10/2015

em silêncio

a abertura solar do plexo
ocasionada por dores rápidas e amores ligeiros
pode ser a chuva
a ampliar profundo o horizonte
e irrigar de luz o mundo

16/10/2015

sem melhor nem pior

já fui traído
invejado
oprimido
abandonado
e todas as variantes autocentradas

tomei comprimido
virei armado
corri prum local protegido
trinquei nos dentes cadeado

hoje
solto

barca no horizonte

tudo fora
um quadro que pintamos com o olhar

tinta de lágrimas
retinas nossas, tuas, vossas
filhas de um azul maior

garrafa de água salgada
no mar
fechada ainda

tons sobre tons
sons dobre sons de ondas
que não percebem ser oceano

aflitas
olhando a direção errada
agitadas
olhando chegada após chegada

sem ver profundo
que somos o mundo
o olho
o olhar
a tinta
o pensar
a cor
a luz
e o pintor

11/10/2015

um suicídio a cada 40 segundos no mundo da monsanto e do eduardo cunha com contas na suíça

deus obrigado por este prato
com animais torturados
que comemos com agrotóxicos
olhando pro outo lado

deus amado
protege nossos muros
nossos trabalhos que destroem o mundo
e o descanso nos feriados

deus sagrado que nos deu
o livre arbítrio
seguido do dilúvio
e um arco-íris bonito
já é tempo
de fazer(mos) sentido?

06/10/2015

yin: yang

vacuidade - o feminino
luminosidade - o masculino

forma é vazio
vazio é forma

dois peixes
nadam em círculo:

nada além deles
(o infinito)

04/10/2015

desistir: vitória

a mulher que perdi no mato
calo nos silêncios de ludovico

eram muitas
a mulher que perdi no mato
(admito)

já zumbia noite
árvores altas
e ela correndo pela estrada
sem calçado
sem calçada
por meu coração apertado

hoje
meu coração exagerado
volta ao mesmo lugar
ouve a mesma música
olha o mesmo rio
e não corre
não morre
nem conta

cala
e espera a sabedoria chegar
com calma e arte

o frio prevê estrelas
breve
muito breve
no céu
meu coração sem casa
brilhará por toda parte

01/10/2015

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repito, espalho, compartilho, divulgo
todo pensamento, imagem, vídeo, quadro, palestra
onde ache que brilha um pingo de sabedoria, profundidade, alento
não como um guia, um sábio, um líder, um mestre, um poeta
mas como outro no escuro - desatento