desatenção
roubo
o mar se move alto
ruge
dentro das horas dentro
líquidas de silêncio
estátuas natimortas observam
céus de azul
algo se aproxima
e seu som é grave
meus pais hoje fazem 48 anos de casados. no sofá, com cobertas, revezam-se em dormir no meio dos programas de tv que compartilham. lá fora, frio, amores líquidos, pandemia, nazismo, guerra, ingratidão, celulares e golpes. aqui dentro, carinho.
OBS.: A Débora Malucelli fez uma arte com este texto:
corpo inteiro
que se abre em espera
e se a semente não vem
se desespera
ferida em ciclo
que se sente
em nós
então a música esperada
redonda e sempre
onde havia
nada
frio laranja e grave pão
a noite lenta sobe a varanda
tempo de renovação
recomeço
ludovico einaudi
o silêncio a repetição
e uma tangerina nem tão doce
(maiores que eu)
nenhum berço
ainda tenho as palavras
perto das mãos
sem terços
o não-cavaleiro
caminha além
da existência ou da não existência do cavalo