28/12/2018

27/12/2018

rede antisocial

nossos corpos
sujeitos a telas

telas maiores que elas
que eles

telas que todos
Olham

telas que ficam
quando o resto passa

22/12/2018

o arco-íris só existe se alguém o vê

as pessoas se espremem no metrô lotado
se esmurram no ônibus num calor absurdo
e eu tento ver tudo como sonho
com os dentes trincados e suando

19/12/2018

relação (ou orgulho da ocupação)

estamos todos ocupados
construindo castelos que ruirão
num lugar sem chão

persona

nunca conheci
uma pessoa
mais interessante
que uma personagem

instalação

o pássaro de prata
se move lento e constante

o passado é o futuro
o futuro é o passado

de dia - avião
de noite - fênix

ele arde? ele arte? ele revolução?
eu com celular na mão

o pássaro gigante
não sai do galpão

12/12/2018

cada ser é delimitado pela amplidão

distraídos venceremos
e a maior vitória é desistir

existir cansa
se a vida não for dança

sem ela
não se descansa
da prisão

a mão que teima em não
perde tempo:
projetos fora ruirão

desistir é sinônimo de soltar
dança boa é sem pensar
a beleza do céu nosso
o céu dela
o céu maior que todos

antes mesmo dos celulares

desde a primeira ópera
nos olhos dos amantes
relógios enormes

surdo

você vive em guerra com o mundo?
no fundo
já sabe quem vai ganhar

11/12/2018

soro

ela me cobra
por não cobrar cobrança
enquanto a vida dobra
e dança
sinuosa
longa
e sem veneno

dura

num mundo de homens fechados
quartos quadrados
relações interrompidas
imbecis eleitos
eu me abro

escrevo o nada
para o nada
com rimas de almofada
pra aveludar a vida

dura

10/12/2018