30/12/2012

quando tonto - 7 passos que não conto:

evitar sol
evitar dó
evitar sal

reestabelecer
a profundidade solene
a lentidão sagrada
da respiração

(nhém nhém nhém)



evitar chocolates
e não evitar chocolates

muito chá

bateria de escola de samba
sexo
e games violentos a gosto

mate

ignorar normas
e o ano que finda

falar
muitas vezes
com infinita intensidade
direto da ponta da língua:

- ela é linda!

25/12/2012

ano que vem

ano que vem
vou morar no sul
que tem mais mulher
ou no norte
que tem mais vento

(ou invento
Pasárgada
onde estiver)

ano que vem
eu que vou

redonda

a lua quase cheia
retumba
na janela quadrada

20/12/2012

perante o mistério do mundo

eu leio os poemas dela...
ela lê os meus poemas...
às vezes basta isso.

poesia

como se no cheiro bom
da fumaça de fogueira
morasse meu avô
de bigode branco
fazendo maria preta
pra queimar e subir
(meus olhos)
até o final do céu

para Walter Cabral de Moura

lentamente leio
a lentidão
da tua palavra

desenho
(como recomenda Quintana)
na brancura das páginas
celebrando sem motivo ou pressa
ainda haver poesia no país, no mundo, no universo...

carregas nas letras
o melhor
de minha infância e da tua

essa tua poesia plana
que não complica
não enfeita, atua
diz a que veio
irmana

instru_mental

em escritórios
trabalhamos sempre
para Darth Vader

finda dezembro

finda dezembro
e as pessoas se abrem como pétalas
ante o vento do tempo

não há jeito:
nem Noel impede
as rosas

18/12/2012

17/12/2012

eu não quero o mundo

o mundo quer que você se eduque
desaprendendo a criar

depois que faça uma redação criativa
pro vestibular

o mundo quer que você estude
pra passar prum concurso público

depois seu chefe lá
não sabe escrever

o mundo quer você
se esforçando em desprazer
com medo de arriscar

o mundo quer você
retorcido
rastejando pra sobreviver

mas a vida
(ávida ave a rimar)
mostra a falta de sentido

tiros em columbine 2

o mundo segue
todo mundo segue
imundo:

batendo ponto
batendo ponto
batendo ponto
batendo ponto

batendo pino

dormir junto

Para Rebeca

na maciez de aprender
a dividir
frio, calor e sonho

14/12/2012

atuação

enquanto a novela vulgariza tua sensibilidade
eu luto pra te mostrar a poesia da lua
e descanso fazendo poemas

pro_fundo

voltar a poesia para si mesma
por si mesma

deixar essa busca de olhos
e amanhãs

calar os mestres

retroceder ao ponto inicial:
um poema de amor
se escrevendo em minha falta

rebeca,

de fora
vê-se amor na casa:
a cozinha acesa

querer o outro bem
com a alma quentinha
satisfeito
em paz

amor é carinho
diminutivozinhos
cartas ridículas
e poemas mais ou menos

12/12/2012

...

a noite me envolve em silêncio alto

estrelas
são reticências...

início

inicio pelo início:
sou a resistência
e a libertação
de mim para comigo

(Fabio Rocha)

OBS.: Este blog é uma continuação do Da Busca. Leia   vinte anos de poemas anteriores aos daqui.