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Poeta nascido no Rio de Janeiro em 1976. Considerado um dos poetas brasileiros mais representativos da década de 2000 na antologia Roteiro da Poesia Brasileira (Global, 2009), é autor de vários livros publicados gratuitamente em seu blog, cujos melhores poemas foram reunidos em Corte (Ibis Libris, 2004) e rio raso (Patuá, 2014). Mantém o bem sucedido site “A Magia da Poesia”, que teve mais de um milhão de acessos em 2012, onde divulga a obra de grandes poetas. Seus poemas já foram selecionados para livros escolares, traduzidos para o russo e publicados em diversas revistas literárias.  (saiba +)

22/10/2016

poemas traduzidos pro Inglês

ramonlvdias ( https://www.blogger.com/profile/05891813151601932341 ) acabou de me mandar 3 traduções pro Inglês de uns poemas meus:


unclouded hills


i see from airplanes
(for heaven's sake)

this yellow and translucent spider
fading into the still life of eve's

seven women for every man
and an immeasurable absence

i miss the maternal care
i miss the girlfriend's slippers aside of bed
i miss those times without any yearning
in peace and free of insomnia
writing imperfect poems

( poema original em http://poesia-fabio-rocha.blogspot.com.br/2013/07/montes-claros.html )

*

alaya vijnana

i hollow the dust of accomplished dreams
past and future tenses
in corroded treasure chests

side by side i engender
shapes and formulas
of three thousand years
ago when i was murderer

i hush days and nights
i hush eyes and blue seas
until the sound
become light

( poema original em http://poesia-fabio-rocha.blogspot.com.br/2014/08/alaya-vijnana.html )

*

steel shutters

so every night
the blank sheet
is moved by
the possibility
of masterpiece

the quiet moon sightsee
outside the window frame
every rhyme
every failure

( poema original em http://poesia-fabio-rocha.blogspot.com.br/2015/06/persianas-de-aco.html )


OBS.: Aqui deixo uns raros que eu mesmo já fiz em Inglês e Espanhol.

17/10/2016

ninguém por perto, fim da gripe e do deserto

a casa arrumada
jimi hendrix na guitarra
nenhuma palavra

o cenário não importa:
as portas pra algo maior
estão fechadas

a mente ocupada
com conteúdos de filme
sem perceber a tela

mesmo sabendo da tela
treinando em se manter na tela
e seu tédio

14/10/2016

sala e quarto (e partiu gikovate)

alisamos paredes brancas
antigas e murchas
gastas de partos
e morte de gatos

dentro de casas e prédios cúbicos
cubículos
retangulares e quadrados
angulares
tecendo métrica em nossos olhares
cada vez mais cartesianos

penso
penso
penso
tenso

fora das janelas
porém
há água
e vejo sempre as mesmas montanhas
em formato de águia

07/10/2016

pincel azul

o pássaro
planta no céu
um traço

06/10/2016

chama fogo

o fogo não sabe que se chama fogo
no fogão é azul
na fogueira tem som

às vezes dança
às vezes brilha parado

na química é combustão
na física é calor
nos corpos pode ser amor

às vezes tem fumaça
às vezes não

o fogo não tem forma ou definição
e não sabe que se chama fogo

mesmo assim queima a mão distraída
e transforma grão
em comida

04/10/2016

intercurso

não sei bem o que busco

mas encontro quando
no encontro
os olhos brilham
e o sorriso abre

pânico-hábito (romântico-religioso)

o coração como vitrola arranhada
agulha sem linha
no meio do sono da tarde

chuva reforçando a profundidade
do mesmo rio

"e agora arde sempre o mesmo frio"

uma canção brota no sonho
(antiga e nova)
e me faz saltar da cama
do peito
do poema

"sem ela mais que com jesus cristo"

01/10/2016

e o crivella liderando as pesquisas?

é tempo de premiar delatores
onde a normalidade é cada um apontar
ciscos e dores para fora de si

é tempo de nosso querido celular
destruir toda e qualquer experiência
toda e qualquer presença

o instante é de estarmos sem estarmos
estrago depois de estrago
vida após vida
perdida

uma era fazendo pose
sem sair do eu
que já doeu demasiado
até na biosfera