19/09/2019

04/09/2019

não sei se é depressão ou budismo este cansaço das coisas do mundo que ruem

ela gostou de algum texto meu na rede social e eu gostei da foto dela. marcamos num centro espírita. a palestra era sobre vícios, compulsões e drogas. eu estava mesmo me convencendo de que deveria ter menos sexo só pelo sexo, videogame e tinder na minha vida. lembrei da mesa radiônica ter me dito que isso era compulsão derivada de 18 vidas atrás... fui. lotado. sentei onde deu. e ela chegou. sentou ao meu lado. vontade e pegar na mão mas não podia. (centro espírita. palestra contra o sexo. outro clima...) um perfume delicioso vindo dos cabelos dela encaracolados e avermelhados. magrinha. 20 anos. pela conversa virtual eu sabia que gostava de homens mais velhos. e sabia mais de literatura do que eu. estudava letras. trabalhava com letras. eu só me perco nas letras... o palestrante falava de como o sexo pode ser viciante. como pode ser igual a uma droga. mas eu estava perdido no perfume dos cabelos dela e não conseguia acompanhar muito bem. acabou a palestra. tomamos passe. não senti nada. saímos. peguei na mão. as bocas se tocaram. fomos pra minha casa no outro lado da cidade de uber. minha cama. ela fazia tudo e bem e muito. gostava de eu ser bem mais velho. depois dos muitos orgasmos ela precisava fumar maconha. e na minha casa não dá pra se fumar maconha, é um centro budista, com altar na sala! nos desentendemos. ameaçou ir embora. meu orgulho deixou ir embora. pediu um fósforo pra fumar lá embaixo. não tinha. a diarista tinha roubado meus fósforos. saiu sem me abraçar. sem chorar. só saiu para sempre e me deixou para sempre só. ela nunca tinha ganhado um poema mas fiz um poema pra ela mesmo assim. não chorei e fui jogar videogame pensando na palestra espírita enquanto a amazônia queimava.