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Poeta nascido no Rio de Janeiro. Considerado um dos poetas brasileiros mais representativos da década de 2000 na antologia Roteiro da Poesia Brasileira (Global, 2009), é autor de vários livros publicados gratuitamente em seu blog, cujos melhores poemas foram reunidos em Corte (Ibis Libris, 2004) e rio raso (Patuá, 2014). Mantém o bem sucedido site “A Magia da Poesia”, que teve mais de um milhão de acessos em 2012, onde divulga a obra de grandes poetas. Seus poemas já foram selecionados para livros escolares, traduzidos para o russo e publicados em diversas revistas literárias.  (saiba +)

28/08/2017

difícil

míssil no céu do japão
meu apartamento vazio
frio que não cabe na mão

26/08/2017

geme, meme

Entraremos para a História como a geração de selfies que deixou Temer acabar com o coletivo.

sexta-feira: eu já sabia

me arrasto pro cerne da noite vazia
procurar fora o que há dentro
(e eu já sabia)

24/08/2017

horizontes

A vida é só um sonho mais longo. A aparente solidez da vida se dá pela ilusão de continuidade do sonho. Por isso tentamos estabilizar tudo, por isso tudo mora na beira do quase e seguimos investindo no total que nunca alcançamos. Horizontes. Mas até mesmo o longo sonho da vida acaba. Olhando mais alto, por cima do tempo, além do tempo, além da visão dos olhos, qual investimento vale a pena? Apenas tentar tirar outros seres do sonho. Despertar para despertar outros.

23/08/2017

antes de tudo

(Para Selton Mello)


era difícil chamar pro cinema
tenso tocar a mão no cinema
delicioso beijar a boca no cinema

hoje temos o tinder
duas semanas (no máximo) de conversa
e não vamos ao cinema


(inspirado em O melhor filme da minha vida)

da preciosidade

A pressa nos faz imprecisos. A pressa nos faz precisar de pessoas novas para novos assuntos.

19/08/2017

dragão adulto

porque perdemos o caminho
de voltar pra casa:
canção em brasa

esperança brilhando olhos:
um dragão fora
(ilusão)

mão atrás de mão
boca atrás de boca
sem solução

posse atrás de posse
apego atrás de apego
tosse de comparação:

- doença e medo

13/08/2017

com sigo

não bebo nem fumo
mas ainda perco
muito tempo

no que brilha
me brilho
e me arrebento

mas sigo:

busco a musa
e o poema
que invento

06/08/2017

porque eu agora acredito na importância do limite

vim escrever um poema sobre o poema
que não devo escrever

evitará sofrimento eu não falar
de como cada toque mínimo
cada olhar
me explode em querer e bem querer

quando se abre seu sorriso de lua
ouço os fogos de artifício do universo

cato meus cacos
fendo em silêncio

(tudo para não ser
no entanto sendo)

sublimo em canto
o não-dito
ainda maior que o sonho

componho
a música mais perfeita
que nunca tocará

04/08/2017

rotina

no crucifixo de minhas imperfeições
aos borbotões
reinvento borboletas
e vento céus

(pessoas passam eu acertando ou errando)

escafandrista de apartamento
transmuto tormento tenso
em véus de poesia
nos intervalos entre o canto
e a prática do silêncio

caminhamos