15/10/2019

simbologia do esquecido

os peixes que esqueci no sonho
que esqueci
não morreram sem comida:
multiplicaram-se

a água pouca e suja
para os peixes muitos
pequenos e vários

alimentei-os

12/10/2019

11/10/2019

a cota condominial segue chegando

imbecis eleitos e depostos
postos de gasolina incendiados
militares a postos

a nova terapia da moda chega e passa
o oceano sobe - o oceano desce
a raça humana nasce
a raça humana desaparece

rimar agora é bom
rimar agora é ruim

o sol talvez não nasça mais assim
mas a cota condominial segue chegando

06/10/2019

hã?

enquanto os poetas da moda se perdem
na forma
sem conteúdo
eu adio meu poema e minha meditação

o marketing digital o marketing digital o marketing digital o marketing digital
- saiu o vídeo novo no youtube daquele boçal, você viu?

- eu vi mas não lembro se vi
porque eu tava também no facebook e plantando bananeira
eu acho

19/09/2019

04/09/2019

não sei se é depressão ou budismo este cansaço das coisas do mundo que ruem

ela gostou de algum texto meu na rede social e eu gostei da foto dela. marcamos num centro espírita. a palestra era sobre vícios, compulsões e drogas. eu estava me convencendo de que deveria ter menos sexo, cerveja e a busca do amor na minha vida. lembrei da mesa radiônica ter me dito que isso era compulsão derivada de 18 vidas atrás... E ela chegou. sentou ao meu lado. vontade e pegar na mão mas não podia. centro espírita. palestra. perfume delicioso vindo dos cabelos dela encaracolados e avermelhados. magrinha. 20 anos. pela conversa virtual, eu sabia que gostava de homens mais velhos e sabia mais de literatura do que eu. estudava letras. trabalhava com letras. eu só me perco nas letras... o palestrante falava de como o sexo pode ser viciante, como pode ser uma droga, mas eu estava perdido no perfume dos cabelos dela. acabou a palestra. tomamos passe. não senti nada. saímos. peguei na mão. as bocas se tocaram. fomos pra minha casa. na cama, ela fazia tudo e bem e muito. gostava de eu ser bem mais velho. depois dos muitos orgasmos, precisava fumar maconha. e na minha casa não dá. nos desentendemos. ameaçou ir embora. meu orgulho deixou ir embora. pediu um fósforo pra fumar lá embaixo. a diarista tinha roubado meus fósforos. saiu sem me abraçar. ela nunca tinha ganhado um poema, mas fiz um poema pra ela mesmo assim. e bebi cerveja pensando na palestra espírita enquanto a amazônia queima.

22/08/2019

doença

a geladeira e o freezer brancos
sãos os guardiões do silêncio da cozinha
escura e impassível

sua luz verde e constante
seu ruído baixo
preservando o tempo