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Poeta nascido no Rio de Janeiro em 1976. Considerado um dos poetas brasileiros mais representativos da década de 2000 na antologia Roteiro da Poesia Brasileira (Global, 2009), é autor de vários livros publicados gratuitamente em seu blog, cujos melhores poemas foram reunidos em Corte (Ibis Libris, 2004) e rio raso (Patuá, 2014). Mantém o bem sucedido site “A Magia da Poesia”, que teve mais de um milhão de acessos em 2012, onde divulga a obra de grandes poetas. Seus poemas já foram selecionados para livros escolares, traduzidos para o russo e publicados em diversas revistas literárias.  (saiba +)

25/05/2017

a esquerda na churrascaria

quem luta pelos direitos dos famintos
é quem mais tem direito de comer bem
(amem, amém)

escrevo sorrindo

quando eu desinstalar o tinder
ouvirei o canto do uirapuru
sentirei o cheiro do umbu

quando eu desinstalar o tinder
vastas paisagens e vento
o sol como alimento

quando eu desinstalar o tinder
a paz das árvores obtusas
e uma - e somente uma - musa

24/05/2017

vórtice em lava

se ela diz que me ama
tudo está bem
tudo é chama
em meus olhos

amá-la amada:
meu coração é motivação
a batalha é sagrada
e a mente cala

está escrito em mateus:
apenas juntos em cruz e espada
o homem e a mulher podem tocar
a face de deus

23/05/2017

irmandade

jesus foi ao deserto
se livrar das palavras

jesus voltou do deserto
para falar:

- todos podemos beber do deserto

a musa

a musa
é o sopro
que eu mesmo sopro
na vela do poema

a musa é a chegada
o caminho
a partida
o mar
o sol

a esperança

proteção

deito virado pro lado esquerdo
ergo as mãos em guarda e dorme o ego

o corpo, as mãos e o colchão
protegendo o coração
por todos os lados

acordo com um poema enviesado
e na primeira letra do primeiro verso
entrego o coração

22/05/2017

mais coringa menos batman

aproveitar o vento
em vez de tentar construir
um castelo de cartas

hoje não meditei

um poema me editou

a musa subiu no telhado (filme repetido não dito)

a musa subiu no telhado

(salva de pausas)

creio em jesus cristo
alma em maharaja
rio às gargalhadas

peito em hepatite
me desfiz das luvas
soletrei rinite

a musa subiu no telhado:
alta alva e rica
me saúda

a musa muda
a saúva pica
o poema salva

20/05/2017

Prajna com foco no ego

O problema é que a gente cria o personagem, acredita em sua solidez e entra no papel. Mas algo sábio em nós (e além de nós) sabe que não há nada ali. Então, atrás de estabilidade e segurança, automaticamente passamos a defender e reafirmar o personagem. Porque sabemos que ele é um sonho. Pichamos muros com nossos nomes. Assinamos poemas, quadros, filmes com nossos nomes. Queremos pendurar nossos nomes no alto da História. Maiúsculo. Tiramos selfies. Fazemos check-in. Ai de quem vai contra o personagem. "Você sabe com quem está falando?" Solidificamos e comprovamos nossa presença no mundo sólido porque sabemos que não há nada sólido. A profissão parece nosso sobrenome. O ser amado comprova que somos o personagem, e ele é capaz de ser querido, ele é capaz de ser amado e admirado, sólido. Não renunciamos ao cargo, nem com gravações provando que não estamos a altura do cargo de personagem... Lutamos até o final. Até a última respiração. Todos nós.