A Fuga Perfeita: O Que o Seu Vício Tenta Esconder (De Álcool a League of Legends)
Existe um equívoco perigoso na forma como a sociedade enxerga o vício. Seja a compulsão pelo álcool, o uso de drogas ilícitas ou a necessidade doentia de passar dez horas seguidas jogando League of Legends, a visão comum é focar no objeto da dependência. O senso comum diz que a garrafa ou o videogame são o problema. Para a psicanálise, eles são apenas a sua solução fracassada para uma realidade insuportável.
O vício não começa com a substância ou com a tela; ele começa com a anestesia. Ele é um escudo construído pelo seu psiquismo para evitar o contato com angústias, frustrações e lacunas afetivas que você recusa a enfrentar.
O jogo como válvula de escape para a raiva reprimida
Pense nos jogos competitivos e violentos. Por que um homem adulto destrói o próprio sono e a própria rotina em partidas infinitas de League of Legends, muitas vezes terminando o dia mais estressado do que começou? O jogo atua como um duto de descarga para uma agressividade reprimida. A raiva que você não consegue expressar na sua vida real — seja contra o seu trabalho, contra a estagnação da sua vida ou contra a sua própria sensação de castração e dependência — é despejada na tela. Você não está jogando para se divertir; você está jogando para descarregar a violência de não conseguir bancar a sua própria vida e para não pensar no vazio que o cerca.
A substância e o silenciamento do Ego
A dinâmica com o álcool e as drogas segue a mesma matriz. A substância química é usada para calar temporariamente o juiz interno que aponta as suas falhas. Ela amortece o medo da rejeição e a paranoia da inadequação. O problema é que a fatura dessa anestesia chega rápido: vínculos destruídos, saúde corroída e um Ego cada vez mais frágil e incapaz de lidar com a sobriedade.
Tratar a compulsão apenas cortando o acesso ao jogo ou à bebida é enxugar gelo. Se a raiz psíquica que exige essa anestesia não for desmantelada, o sintoma apenas migrará para outro lugar. A verdadeira cura exige que você olhe diretamente para a fratura que está tentando anestesiar.
Até quando você vai usar anestésicos para não lidar com a sua própria realidade?
Sou Fabio Rocha, escritor e psicanalista clínico. O trabalho analítico é o espaço onde desconstruímos as fugas e investigamos o que o seu vício está escondendo, para que você possa, finalmente, recuperar a direção da sua vida.
Para agendar sua sessão e dar o primeiro passo, acesse: fabiorocha.com.br

Nenhum comentário:
Postar um comentário