trair é meu nome do meio
traio poetas por ser administrador de empresas
traio administradores por fazer poemas bons
traio poemas bons escrevendo poemas ruins
traio Nietzsche por julgar poemas
me julgo e me condeno
mas amanhã já me solto
por bom comportamento
estado de violenta emoção quando do ato
e outros atenuantes
(mas aí fico trancado em casa mesmo
cansado de mim)
trago no meio do caminho
e no fim do nome
a palavra rocha
como promessa falsa:
- nenhuma palavra me é sólida
- Fabio Rocha
- Escritor, psicanalista e poeta nascido no Rio de Janeiro em 1976. Considerado um dos poetas brasileiros mais representativos da década de 2000 na antologia Roteiro da Poesia Brasileira (Global, 2009), é autor de vários livros publicados gratuitamente em seu blog, cujos melhores poemas foram reunidos em A Magia da Poesia (Papel&Virtual, 2000), Corte (Ibis Libris, 2004), rio raso (Patuá, 2014) e o budismo e o tinder (Multifoco, 2020). Mantém o bem sucedido site “A Magia da Poesia”, que teve mais de um milhão de acessos em 2012, onde divulga a obra de grandes poetas. Seus poemas já foram selecionados para livros escolares, traduzidos para o russo e publicados em diversas revistas literárias.
14/08/2013
13/08/2013
sem escolha
danço apenas com a poesia
por inícios breves
por longos fins
danço apenas com a poesia
chovem demônios
queimam serafins
danço apenas com a poesia
no grande salão sem orquestra
da ausência em mim
por inícios breves
por longos fins
danço apenas com a poesia
chovem demônios
queimam serafins
danço apenas com a poesia
no grande salão sem orquestra
da ausência em mim
cores futuras
forçosamente fecho
a caixa do passado no plexo
imagino um mundo vazio
um caminho em branco
nada complexo
eu diferente
recomeço novamente
em verso livre
passo a passo
sob o céu do universo
a caixa do passado no plexo
imagino um mundo vazio
um caminho em branco
nada complexo
eu diferente
recomeço novamente
em verso livre
passo a passo
sob o céu do universo
12/08/2013
ninho
horror de caminhos errados
gélidos
todos os meus descaminhos
em desalinho noturno
preto no branco
a balança
de minhas perdas:
lança cravada
em meus ganhos
sonhos quebrados
sem ponteiros
cansado do peso da leveza
meto a mão na massa
de novo
porque nenhuma planta germina
sem água
e nenhuma relação termina
sem mágoa
mas a esperança é verde
a esperança é ver-te
na casa pronta
sem armas
sem trancas
sem quereres
um lençol ao vento lá fora
ao sol de mim
nós leves
gélidos
todos os meus descaminhos
em desalinho noturno
preto no branco
a balança
de minhas perdas:
lança cravada
em meus ganhos
sonhos quebrados
sem ponteiros
cansado do peso da leveza
meto a mão na massa
de novo
porque nenhuma planta germina
sem água
e nenhuma relação termina
sem mágoa
mas a esperança é verde
a esperança é ver-te
na casa pronta
sem armas
sem trancas
sem quereres
um lençol ao vento lá fora
ao sol de mim
nós leves
você sente mais a pétala ou o espinho?
os lábios dela em outra boca.
*
tremer de sangue e de frio
testo meu sentir
até virar sensação física
sentir algo não fingido, não inventado, não racionalizado
sentir tremendo algo tremendo
em toda a sua pele
apertando o rosto
o estômago
sem se contaminar com palavras
com a mente, que mente continuamente
ah, um sentimento verdadeiro, ao menos
*
e se for só aquela rosa?
e se forçar aquela rosa?
*
vejo o sangue
em todas as pessoas
sangue e guerra
relações?
torturar o que não está
nos seus padrões?
torturar com arte
torturas por partes
relações?
*
vejo uma gostosa comendo alface
e pela primeira vez na vida penso do fundo da alma:
foda-se
- foda-se a gostosa, a alface, o amor livre, OSHO, o 910, o Papa e a paz mundial!
com sinceridade de cão
com realismo budista:
f o d a - s e
*
nojo de ser poeta
nojo de ser humano
de viver em guerra
amando ou não amando
rio do amor livre
com o corpo tremendo de frio
sem ter onde me enxugar
*
mas é isso
boa noite e boa sorte
boa páscoa
bom natal
(sorriso)
vou trabalhar vazio
e voltar pra casa vazia
e não falar disso
com a psicoterapeuta capitalista
que mandei pastar
*
(não há nenhum jeito que não seja horrível)
*
que vida fácil a dos canalhas
*
tenho retraído tanto as garras
que já nem sinto as mãos
*
atenção
em breve vão morrer os poucos que restaram, Fabio:
será você e a noite:
ninguém por perto para ouvir seu grito
*
tremer de sangue e de frio
testo meu sentir
até virar sensação física
sentir algo não fingido, não inventado, não racionalizado
sentir tremendo algo tremendo
em toda a sua pele
apertando o rosto
o estômago
sem se contaminar com palavras
com a mente, que mente continuamente
ah, um sentimento verdadeiro, ao menos
*
e se for só aquela rosa?
e se forçar aquela rosa?
*
vejo o sangue
em todas as pessoas
sangue e guerra
relações?
torturar o que não está
nos seus padrões?
torturar com arte
torturas por partes
relações?
*
vejo uma gostosa comendo alface
e pela primeira vez na vida penso do fundo da alma:
foda-se
- foda-se a gostosa, a alface, o amor livre, OSHO, o 910, o Papa e a paz mundial!
com sinceridade de cão
com realismo budista:
f o d a - s e
*
nojo de ser poeta
nojo de ser humano
de viver em guerra
amando ou não amando
rio do amor livre
com o corpo tremendo de frio
sem ter onde me enxugar
*
mas é isso
boa noite e boa sorte
boa páscoa
bom natal
(sorriso)
vou trabalhar vazio
e voltar pra casa vazia
e não falar disso
com a psicoterapeuta capitalista
que mandei pastar
*
(não há nenhum jeito que não seja horrível)
*
que vida fácil a dos canalhas
*
tenho retraído tanto as garras
que já nem sinto as mãos
*
atenção
em breve vão morrer os poucos que restaram, Fabio:
será você e a noite:
ninguém por perto para ouvir seu grito
Temas:
amor livre,
anti-paixão,
ira,
melhores poemas,
poemas revoltados,
poesia,
separação,
top10,
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top50
11/08/2013
09/08/2013
uma morte rápida
não sei como colocar este estado
num poema bom
mas tenho fome:
ainda me lembro consternado
da forma excêntrica
como você cortava o pão
num poema bom
mas tenho fome:
ainda me lembro consternado
da forma excêntrica
como você cortava o pão
Temas:
melhores poemas,
morte,
musas,
poemas de amor,
poesia,
rima,
separação
02/08/2013
a um desenho
Para Tayra
me elevo em azul criança
porque cada palavra perfeita tua
tatua leveza
na minha esperança
conforme nos percebemos mais
mais alt(o) ar
em nossa dança
sagrada e leve
ah, menina
Voo contigo
sem nunca te soltar
me elevo em azul criança
porque cada palavra perfeita tua
tatua leveza
na minha esperança
conforme nos percebemos mais
mais alt(o) ar
em nossa dança
sagrada e leve
ah, menina
Voo contigo
sem nunca te soltar
![]() |
| Imagem: Duy Huynh |
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voar
31/07/2013
sem nem pensar
sorvo um rio
de novos amores
cheio de lágrimas
que não choraremos
ah, o amor, o amor:
quando é, não falo
quando falo, não é
se perco, não calo
(sinto em todo o pé)
me convenço
e perco o rumo
me caminho
e perco a fé
ouço músicas que me piorem
não estou pronto
nunca estarei pronto
nunca estive pronto
mas insisto
insisto pelo alívio breve
difícil
distante:
esquecer
que a cada instante
a noite aperta este plexo cansado
(por isso também escrevo)
assim todos os artistas
bons que conheço
caminham curvados
como se seus ombros côncavos
e suas cabeças inclinadas
pudessem proteger sua falta
de novos amores
cheio de lágrimas
que não choraremos
ah, o amor, o amor:
quando é, não falo
quando falo, não é
se perco, não calo
(sinto em todo o pé)
me convenço
e perco o rumo
me caminho
e perco a fé
ouço músicas que me piorem
não estou pronto
nunca estarei pronto
nunca estive pronto
mas insisto
insisto pelo alívio breve
difícil
distante:
esquecer
que a cada instante
a noite aperta este plexo cansado
(por isso também escrevo)
assim todos os artistas
bons que conheço
caminham curvados
como se seus ombros côncavos
e suas cabeças inclinadas
pudessem proteger sua falta
Temas:
amor,
melhores poemas,
poemas de amor,
poesia,
top10,
top20,
top50
o amor mora longe
longo é o tempo sem ela.
longa é a partida dela me partindo ao meio.
ela, que me conhece inteiro.
longa é a partida dela me partindo ao meio.
ela, que me conhece inteiro.
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jogo de palavras,
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poemas de amor,
poesia,
poetrix,
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top10,
top20,
top50
28/07/2013
a-cor-dando (osama nas alturas)
para onde estamos indo?
trabalho que não inunda
o imundo do mundo
amor que dói
amor que prende
tarô que vicia
papa herói
radiestesia
prozac
insônia
paralisia nervosa
da criatividade concêntrica
borda de alegria:
fantasia
num bolo imenso de merda
trabalho que não inunda
o imundo do mundo
amor que dói
amor que prende
tarô que vicia
papa herói
radiestesia
prozac
insônia
paralisia nervosa
da criatividade concêntrica
borda de alegria:
fantasia
num bolo imenso de merda
Temas:
crítica social,
eu,
melhores poemas,
poesia,
top20,
top50,
trabalho
CSN cravo e canela
noite de sonho
café da manhã
o passado te acha
em qualquer cidade ou idade
essa janela sem vista
é o prédio da infância otimista:
bege e destroçado
nenhuma árvore
pra pousar minha esperança
*
Gabriela
a cidade com as curvas dela:
volta
redonda
(a acarinhar minha ternura)
ah, o mundo de sutilezas
que perdemos
pelo hábito
aqui
os garçons sorriem
e nós
dois (anormais)
nos percebemos iguais
sob relógios enormes
minha musa
minha música
um abraço
cala o frio
e deságua o rio de dentro
(fotografo na mente seus detalhes)
um abraço simples
no centro da praça
em frente ao casal de velhinhos
*
vi a fábrica de noite
sua fumaça de Blade Runner
operário gigante no meio da cidade que dorme
ao som de um saxofone imaginário
respirei aço em pó no ar
por dois dias
e me fiz de aço de novo
eu que me desmanchava
um polvo sem asa
(U tem cílio de escritórion)
agora
homem de aço
voando pra casa
café da manhã
o passado te acha
em qualquer cidade ou idade
essa janela sem vista
é o prédio da infância otimista:
bege e destroçado
nenhuma árvore
pra pousar minha esperança
*
Gabriela
a cidade com as curvas dela:
volta
redonda
(a acarinhar minha ternura)
ah, o mundo de sutilezas
que perdemos
pelo hábito
aqui
os garçons sorriem
e nós
dois (anormais)
nos percebemos iguais
sob relógios enormes
minha musa
minha música
um abraço
cala o frio
e deságua o rio de dentro
(fotografo na mente seus detalhes)
um abraço simples
no centro da praça
em frente ao casal de velhinhos
*
vi a fábrica de noite
sua fumaça de Blade Runner
operário gigante no meio da cidade que dorme
ao som de um saxofone imaginário
respirei aço em pó no ar
por dois dias
e me fiz de aço de novo
eu que me desmanchava
um polvo sem asa
(U tem cílio de escritórion)
agora
homem de aço
voando pra casa
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estrangeiro,
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