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Poeta nascido no Rio de Janeiro. Considerado um dos poetas brasileiros mais representativos da década de 2000 na antologia Roteiro da Poesia Brasileira (Global, 2009), é autor de vários livros publicados gratuitamente em seu blog, cujos melhores poemas foram reunidos em Corte (Ibis Libris, 2004) e rio raso (Patuá, 2014). Mantém o bem sucedido site “A Magia da Poesia”, que teve mais de um milhão de acessos em 2012, onde divulga a obra de grandes poetas. Seus poemas já foram selecionados para livros escolares, traduzidos para o russo e publicados em diversas revistas literárias.  (saiba +)

15/02/2017

a culpa não é do celular

a culpa não é do celular, desde sempre aprendemos e mantemos o hábito da insatisfatoriedade. esta fome eterna pelo externo apertando nosso esterno e nos afastando do eterno. o celular é só um jeito de ver um filme sem ver um filme enquanto jantamos com fome de uma curtida no facebook, de um coraçãozinho no tinder, de uma resposta positiva em qualquer uma dessas infintas virtualidades. o celular nos permite buscar fora do presente promessas virtuais de "dias melhores virão'', sem nunca sair dessas promessas virtuais, pois sempre podem vir "dias melhores". o celular possibilita andarmos na rua tropeçando um pouco mais ao olhar emails, pensando na chance do novo emprego ou de perder o emprego antigo, na resposta da possível namorada futura ou do possível fim do namoro. mas  sejamos honestos: tropeçaríamos também sem celular. porque deixamos nossa mente querer demais, porque nos habituamos ao estado de carência, porque repetimos este modo de olhar. o problema é a sensação de alívio, conforto e salvação fora de si mesmo, nas coisas do mundo. do fundo do poço da carência, o celular é o brilho falso que nos afunda ainda mais, porque deixamos. porque todo mundo faz. a corda é a generosidade. oferecer em vez de querer. olhar pra fora de si. acorda.

Um comentário:

  1. Culpa não existe e é de quem cria a sua própria realidade. Cada um tem o tempo certo para acordar e sair do condicionamento de pensar pequeno em limites que não existem para pensar fora da caixa e se libertar um pouco das carências do ego. Beijinho.

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