não imitar o pássaro zangado
brigando contra sua própria imagem
no vidro do carro parado
- Fabio Rocha
- Escritor, psicanalista e poeta nascido no Rio de Janeiro em 1976. Considerado um dos poetas brasileiros mais representativos da década de 2000 na antologia Roteiro da Poesia Brasileira (Global, 2009), é autor de vários livros publicados gratuitamente em seu blog, cujos melhores poemas foram reunidos em A Magia da Poesia (Papel&Virtual, 2000), Corte (Ibis Libris, 2004), rio raso (Patuá, 2014) e o budismo e o tinder (Multifoco, 2020). Mantém o bem sucedido site “A Magia da Poesia”, que teve mais de um milhão de acessos em 2012, onde divulga a obra de grandes poetas. Seus poemas já foram selecionados para livros escolares, traduzidos para o russo e publicados em diversas revistas literárias.
30/09/2013
sem reclamar
29/09/2013
26/09/2013
25/09/2013
24/09/2013
sem nunca mais soltar
quando paro
lentamente
me enraízo
na tristeza
mas me arranco
(ficam partes)
corro por bocas e artes
e quando parece impossível
salto alto
até voar a minha infância
(tão raros
meu sorrisos
verdadeiros...)
abraçado ao teu ar
não há ânsia
de sair
não há mundo abaixo
o peito em pedaços relaxa sem cobranças
e as ruas, os sons, as noites
passam
a vontade total de minha mão
é fixar-se à tua pele
profundo e pra sempre
lentamente
me enraízo
na tristeza
mas me arranco
(ficam partes)
corro por bocas e artes
e quando parece impossível
salto alto
até voar a minha infância
(tão raros
meu sorrisos
verdadeiros...)
abraçado ao teu ar
não há ânsia
de sair
não há mundo abaixo
o peito em pedaços relaxa sem cobranças
e as ruas, os sons, as noites
passam
a vontade total de minha mão
é fixar-se à tua pele
profundo e pra sempre
23/09/2013
tanta gente ferida se ferindo
o casal caminha ao sol.
ela:
- você quer é mulher novinha, pele toda esticadinha, corpinho malhado.
ele:
- não é isso o que busco.
ela não parece crer.
ele parece saber o que dizer.
e seguem juntos, no mesmo passo...
olho o mundo mesmo em toda direção.
vou mudo mesmo.
(eu mesmo, mudo?)
ela:
- você quer é mulher novinha, pele toda esticadinha, corpinho malhado.
ele:
- não é isso o que busco.
ela não parece crer.
ele parece saber o que dizer.
e seguem juntos, no mesmo passo...
olho o mundo mesmo em toda direção.
vou mudo mesmo.
(eu mesmo, mudo?)
21/09/2013
ouvindo lenine
as lavadeiras no rio
lavando a roupa branca
cantando a cobra que vem do fundo
as lavadeiras
de pé na pedra
olhando a cobra
movem o mundo
lavando a roupa branca
cantando a cobra que vem do fundo
as lavadeiras
de pé na pedra
olhando a cobra
movem o mundo
aprendes a certa hora
20/09/2013
recomeço
me deito ao lado do rio
passaram as nuvens de asfalto
a paz
é uma borboleta
que eu (e apenas eu) assobio
passaram as nuvens de asfalto
a paz
é uma borboleta
que eu (e apenas eu) assobio
19/09/2013
alegria
hoje tenho alergia a poesia
mas tento manter a sanidade
a cada tecla fria
- bom dia
- bom dia
cá dentro, uma ave morre
e nenhuma palavra me socorre
fui no RH adiantar férias:
não pode de forma alguma
na mesa da menina tinham fotos
na minha, nenhuma
mas tento manter a sanidade
a cada tecla fria
- bom dia
- bom dia
cá dentro, uma ave morre
e nenhuma palavra me socorre
fui no RH adiantar férias:
não pode de forma alguma
na mesa da menina tinham fotos
na minha, nenhuma
18/09/2013
teoria psicanalítica da libido
Para Talita
em horas distraídas
(atos falhos, sonhos lúcidos)
lembro de teus beijos longos
psicóloga
inesperadamente
vagarosamente
essa mente
aceita a cura
em horas distraídas
(atos falhos, sonhos lúcidos)
lembro de teus beijos longos
psicóloga
inesperadamente
vagarosamente
essa mente
aceita a cura
15/09/2013
rock
uma prancha no ar
voando pra fora do mesmo
casas planetas estrelas
tudo é menor
que a estrada enorme
uma canção devora o seu nome
e minha paz dorme
voando pra fora do mesmo
casas planetas estrelas
tudo é menor
que a estrada enorme
uma canção devora o seu nome
e minha paz dorme
infinito crepuscular
restou o vapor de seus cabelos
negros
nos cantos da lembrança
na casa toda branca
não há mais nenhum deles
formando curvas, retas, vogais
o lume do dia se esvai
e não sei se é melhor ou pior
não lembrar mais do seu perfume
negros
nos cantos da lembrança
na casa toda branca
não há mais nenhum deles
formando curvas, retas, vogais
o lume do dia se esvai
e não sei se é melhor ou pior
não lembrar mais do seu perfume
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