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Escritor, psicanalista e poeta nascido no Rio de Janeiro em 1976. Considerado um dos poetas brasileiros mais representativos da década de 2000 na antologia Roteiro da Poesia Brasileira (Global, 2009), é autor de vários livros publicados gratuitamente em seu blog, cujos melhores poemas foram reunidos em A Magia da Poesia (Papel&Virtual, 2000), Corte (Ibis Libris, 2004), rio raso (Patuá, 2014) e o budismo e o tinder (Multifoco, 2020). Mantém o bem sucedido site “A Magia da Poesia”, que teve mais de um milhão de acessos em 2012, onde divulga a obra de grandes poetas. Seus poemas já foram selecionados para livros escolares, traduzidos para o russo e publicados em diversas revistas literárias.

14/12/2023

~remendo do afetivo

~eu num quero filho porra 
botar nu mundo otro fudido
cum intolerancia a lactose
cum lactentes intolerantes
cum dor di barriga careca i caganera
cum dor na coluna no ovido nas junta tendo qui usá óculus
cum sangue todo fudido de triglicerido i maluco
que num podi cumê nada num pode pegá sol num pode saí di casa nem fuder
pra dispois invelhicê i morrê cum mais duenssainda

cum inteligenssia mano

porra!

05/12/2023

cássia eller djavan

quantos dois sóis atrás
me perdi da paz
na palavra minha?

23/11/2023

wish you were here

é o que tinha
sardinha em latas
doenças que se tocam e estranham
(estrangeiros de almofada)

é o que tinha
e aqui estamos
sem conexões côncavo-convexo
tigres nos armários trancados que se entreolham complexos

minha pressa passa a porta e rosna
sem base

minha nova palavra minha
minha minha minha

(outrora a coisa ia
ela-eu pensava conversava completava escrevia:
ela me lia - elo
eu me me lava)

18/11/2023

idade

talvez já esteja tudo bem

(perdas e ganhos)

de vez em quando canto
de quando em vez escrevo
a profissão nova ajuda os outros

talvez já esteja tudo bem

(suco de uva integral em vez de coca-cola light)

dentre viagens
casei e separei
sorri e chorei
um amigo veio e outro foi
mas amanhã tenho um encontro

06/11/2023

ferencziano kardecista

o ódio recalcado fixa ao objeto odiado
a mágoa não digerida prende
coração ressente
repete
(mas o interno é indestrutível)

é dessa lama
dessa mesma lama
a chance da flor:

a ternura recebida desfaz a cegueira
(amigos da mesma bandeira de luz)
e quebra a corrente antiga
muito além da palavra Jesus

da prece cantada
a lágrima da nova Vida
é quente de amor

29/10/2023

cara

recortes de fome de sede de falta
lentamente se organizam na palavra completude

açaí assalto açude
taça cheia de possível
coração afobado:
o filme?

legendado

19/10/2023

(e não caso)

a pausa da palma do monte
napalm nas crianças nas guerras de sempre

sigo cego mas tateio mamas
dentro frio da confusão de confúcio
deito e nego

os dentes ardentes de raiva
trinco da porta que abre o mesmo

descasos à parte
descanso no mel das pernas

(e não caso)

08/10/2023

ave

uma noite de rodapé
cintila o passado:
passei passo passarei
(pássaro)

11/09/2023

all shall fade (at night)

"home is behind: the world ahead"
diz a canção

espreito a beleza de não ser
tentando ver sincronia e sentido
onde parece só haver
um cão latindo dor e caos

09/09/2023

beca,

em cima do que fomos
há um terraço que somos
pronto para ver o céu

la cã no celular

entre símbolo e real
a ponta do desejo aponta
um relógio sem tempo

29/08/2023

coroa

o círculo 
na coroa onírica 
de minha paciente: 
dente e flores 

de espinhos e frio
a vida se espasma
em ciclos de repetições
que prendem

como uma maçã de cor redonda
mastigo com dentes
que nos sonhos caem

na histeria há repressão da sexualidade genital

no mar nos perdemos

(graças adeus)

01/08/2023

mas escrevo

nenhuma cura possível
não sei nem mais como chorar
nem dormir

21/07/2023

algumas

todas de rosa na estreia do filme da barbie
várias com frio na beira da praia vendendo o corpo
uma com fome rasgando o plástico com lixo

05/07/2023

insisto em suar

as palavras se perdem de mim
como pássaros antigos
do mesmo susto

por mais que eu feche a porta do quarto
o que faltou ao infante
nunca o torna rei

o sonho do que sou
(um pingo de paz dentro de um abraço romântico)
talvez nem exista

tenso
não desisto
(não sei muito bem de quê)

insisto em suar