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Escritor, psicanalista e poeta nascido no Rio de Janeiro em 1976. Considerado um dos poetas brasileiros mais representativos da década de 2000 na antologia Roteiro da Poesia Brasileira (Global, 2009), é autor de vários livros publicados gratuitamente em seu blog, cujos melhores poemas foram reunidos em A Magia da Poesia (Papel&Virtual, 2000), Corte (Ibis Libris, 2004), rio raso (Patuá, 2014) e o budismo e o tinder (Multifoco, 2020). Mantém o bem sucedido site “A Magia da Poesia”, que teve mais de um milhão de acessos em 2012, onde divulga a obra de grandes poetas. Seus poemas já foram selecionados para livros escolares, traduzidos para o russo e publicados em diversas revistas literárias.

09/06/2020

no mesmo quarto

as palavras me voam

adio silêncios
com as mãos na água
em chamas

a alma antiga quer dar conselhos de viagem

talvez seja isso
e apenas isso

1865 (lei e ordem)

tem mais presos negros hoje nos estados unidos
trabalhando como escravos
do que o total histórico de escravos do século dezenove

brancos donos das empresas operadoras de presídios controlam
os políticos brancos que mudam as leis para que
juízes brancos prendam mais negros por mais tempo para que
todos os brancos envolvidos tenham mais segurança e dinheiro para que
o próximo presidente branco possa seguir prometendo lei e ordem para a maioria branca

02/06/2020

leões de horizonte sob um sol amar-elo

o mar ao longe adivinho no ouvir
amar ela branca sozinho

cabelos longos de um futuro inventado
trancado em casa parado

olhando o caminho

27/05/2020

sonho ouvindo looping sem mobilidade social

do nova américa shopping pra maria da graça
(a casa da minha infância)
passando por benfica
brigando com o motorista do uber que voava
senti a dificuldade em aceitar que era uma escolha
do menino de rua vendendo bala
em meio a cães mortos esgoto e pobreza insolúvel

uma escolha insolúvel e insolucionável
enquanto o mundo se distopiza
e a foice da indesejada das gentes se aproxima

escolha de estar ali
vida após vida
em maioria

(entre cães mortos
esgoto
e pobreza)

extintas

acabou a luz
as telas ficaram negras
e as janelas se encheram de estrelas

26/05/2020

24/05/2020

sento perante o tempo

sento perante o tempo

ninguém entenderá a pantera

somente ela

sento perante o novo
e nada há de mais antigo
ultrapasso meu umbigo
gastando o tempo pro outro

desisto de apagar os poemas repetidos
repetitivos
antigos

estão lá e aqui
alma desnuda
na nítida impressão
de que absolutamente nada muda

23/05/2020

além do poema

não se escolhe ser poeta

não há curso possível para ser poeta

não há objetivo em ser poeta
além do poema

21/05/2020

quadrinha tiririca

bolsonaro e cloroquina
cloroquina de jesus
não sei se a terra é plana
mas a gente reduz

bolsonaro e cloroquina
cloroquina de jesus
se salvou da facada
a fake news reluz

bolsonaro e cloroquina
cloroquina habitual
meu filho é inocente
polícia federal

bolsonaro e cloroquina
no churrasco ou jet ski
não precisa de arminha
para matar a ti

bolsonaro e cloroquina
desmatando a amazônia
aprova a ditadura
e veta a maconha

bolsonaro e cloroquina
aprovando o agrotóxico
não sei se agora rima
mas queria ver a reunião com o moro

pandemia

os pobres morrendo na porta dos hospitais lotados
os ricos rebeldes saindo pra andar de patinete sem máscara
(preocupados com o que o lula falou)

19/05/2020

meus descaminhos

meus descaminhos tortos
incompletos

meus descaminhos
que vão e voltam
(breves)

meus descaminhos que me prendem
que não me encaixam

tudo bem:
a poesia me segue
e me acha

15/05/2020

poemas de amores lidos

é dever informar - caiu outro ministro
os lulistas temem - os conservadores tremem
e insisto em não insistir:
todos concordam silenciosamente
(temos um imbecil no poder)

o imbecil nos une e irmana
e as meninas e os meninos
e os velhinhos e velhinhas
em eterna minoria
declamam

poemas de amores idos

o vento na islândia (inspire, expire)

as crianças correm nos apartamentos

ainda há crianças brincando

o céu da islândia brando
branco e frio

os bancos na islândia visando lucro

as mães na islândia se beijando
antes do vírus

o vento na islândia
branco e frio

05/05/2020

solitude

a palavra tão pura
que não pode ferir a pétala
porém o pólen
suave presa

a flor do pequeno príncipe
mora nele

o sagrado é um jardim

uma casa
leve sopra
só pra mim