me invento só
entre o sol
e o vento
- Fabio Rocha
- Escritor, psicanalista e poeta nascido no Rio de Janeiro em 1976. Considerado um dos poetas brasileiros mais representativos da década de 2000 na antologia Roteiro da Poesia Brasileira (Global, 2009), é autor de vários livros publicados gratuitamente em seu blog, cujos melhores poemas foram reunidos em A Magia da Poesia (Papel&Virtual, 2000), Corte (Ibis Libris, 2004), rio raso (Patuá, 2014) e o budismo e o tinder (Multifoco, 2020). Mantém o bem sucedido site “A Magia da Poesia”, que teve mais de um milhão de acessos em 2012, onde divulga a obra de grandes poetas. Seus poemas já foram selecionados para livros escolares, traduzidos para o russo e publicados em diversas revistas literárias.
04/04/2020
03/04/2020
letras para o silêncio
por trás do sol que nasce
a sombra do sol que morre
humanidade clara
escondida do planeta em paz
aqui
jazz
a sombra do sol que morre
humanidade clara
escondida do planeta em paz
aqui
jazz
02/04/2020
realismo estelar
nos hábitos herdados
perdi
o caminho que vai dar no sol
nunca quis filho
para não repassar a ele
meu mundo criado
sobre o criado mudo
(eu ardia mais
quando queria mudar o mundo)
na palavra e no canto
o encanto do brilho
de volta
me arrasto
tentando
reencontrar
o carinho
perdi
o caminho que vai dar no sol
nunca quis filho
para não repassar a ele
meu mundo criado
sobre o criado mudo
(eu ardia mais
quando queria mudar o mundo)
na palavra e no canto
o encanto do brilho
de volta
me arrasto
tentando
reencontrar
o carinho
01/04/2020
interação online
pessoas perdidas guiando pessoas perdidas
pessoas carentes cantam para pessoas carentes:
nada mudou na quarentena
pessoas carentes cantam para pessoas carentes:
nada mudou na quarentena
31/03/2020
corona vírus
em tempos antigos
podíamos ir pra rua vazia
reclamar do tempo
agora enquadrados em apartamentos
olhamos por janelas quadradas
ângulos retos
podíamos ir pra rua vazia
reclamar do tempo
agora enquadrados em apartamentos
olhamos por janelas quadradas
ângulos retos
sem sono
no topo do prédio
o mastro
no topo do mastro
a cabeça
me olha
eu finjo que não vi:
é noite alta
o mastro
no topo do mastro
a cabeça
me olha
eu finjo que não vi:
é noite alta
24/03/2020
11/03/2020
o filme novo da arlequina
empoderamento feminino através da violência exagerada e gratuita
glamourização da violência exagerada e gratuita
normalização da violência exagerada e gratuita
glamourização da violência exagerada e gratuita
normalização da violência exagerada e gratuita
24/02/2020
sol a sol
o texto:
antepasto entre o pasto e o pastel
o passado grama
chama
drama
correm bois em disparada
antepasto entre o pasto e o pastel
o passado grama
chama
drama
correm bois em disparada
11/02/2020
Crítica - Era uma vez em Hollywood
Era uma vez em Hollywood - Uma declaração de amor ao cinema de Tarantino de quase três horas. Também vi uma crítica a séries bobas e formas de arte sem arte que acabamos consumindo nas telas do cinema em filmes ou da TV em seriados nos anos em que se passa trama. Hoje, o que mudou foi que temos mais telas: celulares. O excesso de violência característico do diretor, que também escreveu este filme, não aparece na obra. Todo o sangue aparece na hora certa e merecida e dura apenas poucos minutos que se perdem nas quase três horas de arte. Filme bem dirigido a gente nota na coragem de inovar e criar: nas tomadas lentas, no pé sujo e feio da mulher linda, nos detalhes de cada carro, no ator que esquece as falas e faz a gente não esquecer que é um filme, nas tomadas mais lentas e mais longas e na capacidade de deixar a gente criar o filme que está assistindo. Porque a gente cria tudo o que vê e não percebe. E arte que é arte não nos distrai. Não é pra passar o tempo. É um mergulho na direção contrária da distração. É um encontro consigo mesmo.
10/02/2020
Lindo discurso anti-racista e anti-fascista do vencedor do Oscar de melhor ator, Joaquim Phoenix, que interpretou o Coringa. Numa época que precisa disso, filmes que mostrem os lados das minorias e dos excluídos. Precisa de filmes como Jojo Rabbit zoando Hitler pois a humanidade tem uma capacidade cada vez menor de ver o óbvio e ser humana.
08/02/2020
forma
em que cela
ou cisma
sua poesia enterrada?
flor de sono
sem cor
(preto no branco)
você compra poesia?
você lê poesia?
(nem eu)
onde então
o poeta
no planeta?
ou cisma
sua poesia enterrada?
flor de sono
sem cor
(preto no branco)
você compra poesia?
você lê poesia?
(nem eu)
onde então
o poeta
no planeta?
07/02/2020
você já está morta
o dragão é uma borboleta de sonho
inverso do espelho
pulsão de morte
o dragão é o sonho de uma borboleta
invenção de menina
num filme japonês que não termina
inverso do espelho
pulsão de morte
o dragão é o sonho de uma borboleta
invenção de menina
num filme japonês que não termina
06/02/2020
obrigatório
postergo o post
para um poema que não dança
o cão da vida cansa
mas tenho um jogo
para me distrair
criança
para um poema que não dança
o cão da vida cansa
mas tenho um jogo
para me distrair
criança
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