"olhar de forma mais leve
as flores e rimas"
aham
anotado
em cada enzima
porém
caninos
(porém
meus dentes brancos todos
doendo e se abrindo
até que voz)
a mulher quer casar
o homem quer filho
a mulher quer lantejoulas e os maiores cargos
o homem quer o supercílio do chato
ad infinitum
a mulher separa
o filho vira empecilho
o homem dispara na perda
fale a firma
falha a faca
ad infinitum
todos atrás da vitória
duas, três voltas atrás
infinitas vidas atrás
retardatários...
os homens disparam
nas próprias pernas
- Fabio Rocha
- Escritor, psicanalista e poeta nascido no Rio de Janeiro em 1976. Considerado um dos poetas brasileiros mais representativos da década de 2000 na antologia Roteiro da Poesia Brasileira (Global, 2009), é autor de vários livros publicados gratuitamente em seu blog, cujos melhores poemas foram reunidos em A Magia da Poesia (Papel&Virtual, 2000), Corte (Ibis Libris, 2004), rio raso (Patuá, 2014) e o budismo e o tinder (Multifoco, 2020). Mantém o bem sucedido site “A Magia da Poesia”, que teve mais de um milhão de acessos em 2012, onde divulga a obra de grandes poetas. Seus poemas já foram selecionados para livros escolares, traduzidos para o russo e publicados em diversas revistas literárias.
17/12/2014
o anjo
o anjo loiro (agora escarlate)
mantém o sol como face
seu olhar longo
me vulcaniza
(explosão nuclear, paralisia quântica)
seus cabelos
mudam de cor
seus trejeitos
sei de cor
é perda de tempo tentar
qualquer coisa fora de um poema
o anjo tem a expressão
(e o corpo abissal)
que te fazem instante
e estátua de sal
é natural
que voe distante...
mas abismado e celeste
sorrio sozinho
sem nem tentar mostrar as asas
aos cegos do caminho
mantém o sol como face
seu olhar longo
me vulcaniza
(explosão nuclear, paralisia quântica)
seus cabelos
mudam de cor
seus trejeitos
sei de cor
é perda de tempo tentar
qualquer coisa fora de um poema
o anjo tem a expressão
(e o corpo abissal)
que te fazem instante
e estátua de sal
é natural
que voe distante...
mas abismado e celeste
sorrio sozinho
sem nem tentar mostrar as asas
aos cegos do caminho
09/12/2014
samsara: retrato
equilibrando pratos
depois de pratos
depois de pratos
pratos caem
pratos surgem
pratos novos brilham nossos olhos e os queremos
redondos
pratos velhos nos enjoam e os largamos
redondos
seguiremos assim
circulares
vida após vida
(sem vida)
até quando?
depois de pratos
depois de pratos
pratos caem
pratos surgem
pratos novos brilham nossos olhos e os queremos
redondos
pratos velhos nos enjoam e os largamos
redondos
seguiremos assim
circulares
vida após vida
(sem vida)
até quando?
08/12/2014
luar kolynos
o poeta é o para-raios da loucura
(hastes flexíveis e diversas cores)
em noites vastas
pasta o silêncio da lua
com dentes moles
(entrega grátis de suas dores)
mas sorrimos às balsas
de boca redonda
com os caninos
(tentando vender felicidade - falsa)
(hastes flexíveis e diversas cores)
em noites vastas
pasta o silêncio da lua
com dentes moles
(entrega grátis de suas dores)
mas sorrimos às balsas
de boca redonda
com os caninos
(tentando vender felicidade - falsa)
na beira do campo
a garça parada estatua
do verbo estatuar:
atuar como estátua
(até tatuar o peixe de branco)
do verbo estatuar:
atuar como estátua
(até tatuar o peixe de branco)
26/11/2014
desoprimido
o deprimido
faz mais bem
que o comprimido
faz mais bem
que o comprimido
Temas:
anti-consumismo,
anti-padrão,
budismo,
humor,
meditação,
poesia,
poetrix,
rima
25/11/2014
23/11/2014
18/11/2014
o outro
o sol me arde e coça
mas nado no imperfeito
e vou assim mesmo
o olho com brilho
a vida com jeito
mas nado no imperfeito
e vou assim mesmo
o olho com brilho
a vida com jeito
14/11/2014
imenso e manso
a certa altura
o céu do coração cansa de planos
(ressaca de olhos)
seu quintal
(r)existe
calejado de mãos e esforços vãos
(e desiste)
só então o descanso:
perceber murmúrios constantes
de um mar maior
(e manso)
o céu do coração cansa de planos
(ressaca de olhos)
seu quintal
(r)existe
calejado de mãos e esforços vãos
(e desiste)
só então o descanso:
perceber murmúrios constantes
de um mar maior
(e manso)
13/11/2014
pra sempre
(em memória de Manoel de Barros)
se foi como vegetal
o maior poeta que li
em folhas de papel
tantos encontros verdes profundos
tantos amores embrulhados por suas palavras
revolucionárias
(agora me abraço a todos
no mesmo vento pantaneiro)
e os meninos e meninas que inventam inutilices
com os pés descalços na lama do tempo
sorriem o mesmo sorriso
se foi como vegetal
o maior poeta que li
em folhas de papel
tantos encontros verdes profundos
tantos amores embrulhados por suas palavras
revolucionárias
(agora me abraço a todos
no mesmo vento pantaneiro)
e os meninos e meninas que inventam inutilices
com os pés descalços na lama do tempo
sorriem o mesmo sorriso
12/11/2014
o mesmo
os abjetos psicólogos criam problemas.
os objetivos de seus bolsos sem objetos:
manter você no sistema
junto
bem junto
adjunto adjetivado do respectivo cargo
(respeitosamente)
os objetivos de seus bolsos sem objetos:
manter você no sistema
junto
bem junto
adjunto adjetivado do respectivo cargo
(respeitosamente)
Temas:
anti-mercado,
anti-padrão,
crítica social,
eu,
poesia,
psicologia,
trabalho
11/11/2014
sentido-horário
calo a voz
de minhas mãos sem calos
os ponteiros rebobinam
o fio invisível do tempo:
aproximam
a morte
de minhas mãos sem calos
os ponteiros rebobinam
o fio invisível do tempo:
aproximam
a morte
05/11/2014
possibil-idade
arrumo sem arranhar os futuros
sem medo nem esperança
dos outros lados do muro
sem medo nem esperança
dos outros lados do muro
Temas:
anti-esperança,
anti-medo,
budismo,
muro,
poemas psi,
poesia,
poetrix,
simbologia
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