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Escritor, psicanalista e poeta nascido no Rio de Janeiro em 1976. Considerado um dos poetas brasileiros mais representativos da década de 2000 na antologia Roteiro da Poesia Brasileira (Global, 2009), é autor de vários livros publicados gratuitamente em seu blog, cujos melhores poemas foram reunidos em A Magia da Poesia (Papel&Virtual, 2000), Corte (Ibis Libris, 2004), rio raso (Patuá, 2014) e o budismo e o tinder (Multifoco, 2020). Mantém o bem sucedido site “A Magia da Poesia”, que teve mais de um milhão de acessos em 2012, onde divulga a obra de grandes poetas. Seus poemas já foram selecionados para livros escolares, traduzidos para o russo e publicados em diversas revistas literárias.

12/11/2013

ao lado

fiquei uma semana ou duas sem ouvir música

minha poesia
aquece meu sofrer
tampo a porra da pia
mas quando se alaga
o nada
nado o lago
e se alastra
e me acabo
e pago o pato
e explodo o silêncio que me continha
apesar das boas intenções
que eu nem tinha

10/11/2013

solitude

quieto e relaxado
sem fazer nada
lentamente a vista bonita de janelas antigas
o cheiro da chuva de momentos bons
reencontro na paz
mais que ilusão

09/11/2013

dentre tanta não existência

toco o que não se move
nas coisas que se movem
quando paro quieto

05/11/2013

semeando silêncio

reviso o poema
refaço seu detalhe

entalho a estrada
onde parto

retiro o aço
reponho a arte

02/11/2013

depois de ontem, antes de amanhã

restou essa sopa de dentes.

(e-letras)

enquanto o lixo sempre te aceita
as partes infindas em que partes lentamente
(pentes quebrados, remédios frios, pães congelados, porta-retratos
e adjetivos nos poemas que não faço)

eis o estrabismo interrompido
pelo olhar do outro

súbito
o outro

ah, outro

ouro lúcido leve leve brilho
no beijo mágico primeiro posterior
lúcido, ilúcido, translúcido,
me salva, me cura, me fode, sorri no facebook,
me molha, me leva, me eleva, me verba...
(até que a parede o adjetive)

mas como a parede
antes do outro?
ante um e outro?

a parede, de verdade...

como a parede?

o que nos separa dela
(a pa-re-de)
agora?

como parar a parede?

escombros suportam o mundo

venta aqui
e no passado
ao mesmo tempo

(culpado)

abro todas as janelas
estudo as tantas hipóteses

concluo:

depois de tantos anos de prisão
tremo perante a liberdade
como se fosse traição

30/10/2013

dança

um escritor não deve
viver de tudo na vida

antes de tudo
deve evitar sofrer
porque sente muito mais
que qualquer outro ser

vivemos a um passo da loucura

e a roda da vida não para:
acerto e erro
os pássaros da dança com Mara

paro
respiro
recomeço

que meu último poema
não traga alívio ou incômodo
para todos na samsara

que meu último poema
seja para
ajudar a iluminá-la

29/10/2013

bom dia, amor

Para Danielle

eu feliz no mercado
comprando o que ela gosta
porque ela vem

depois, ela me coça as costas
e me corta o pão
em diagonal
(fica tão bom...)

nessas breves horas de distração
sem o medo futuro, sem o peso passado
ainda ser capaz de amar
e ser amado

28/10/2013

38 e meio

38 e meio

gemo claro no apartamento vazio
o fim de semana inteiro

38 e meio

o corpo para de se mover
e olho o nada
numa meditação avançada
pelo cansaço
pela doença

38 e meio:
minha idade e minha febre

24/10/2013

amitabha

alegrias falsas e impermanentes
dores falsas e impermanentes
saúdo a saída:
os portões da mente

22/10/2013

des_ilusão: tudo um

leio Heráclito
no silêncio
de Sidarta

18/10/2013

única meta possível

jovens querendo mudar o mundo

riachos tênues
percebendo pela primeira vez
a enormidade do deserto

a partir daí
(deste murro mundo muro duro)
alguns pregos quebram
partem

outros compram produtos de marca
outros fazem arte
outros bebem
mas tudo finda

não nascer nem morrer:
a coisa mais linda

17/10/2013

cores e dores

o jardineiro
feio
planta flores

vacuidade

a minha bolha de realidade
esbarra na sua, diferente:
nenhuma existe realmente

16/10/2013

centro

sempre vi
no silêncio das árvores
a sombra da perenidade

é deste silêncio
que brota tudo
inclusive a nossa forma
de ver o mundo

vou junto
juntando palavras
para oferecer aos seus olhos