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Escritor, psicanalista e poeta nascido no Rio de Janeiro em 1976. Considerado um dos poetas brasileiros mais representativos da década de 2000 na antologia Roteiro da Poesia Brasileira (Global, 2009), é autor de vários livros publicados gratuitamente em seu blog, cujos melhores poemas foram reunidos em A Magia da Poesia (Papel&Virtual, 2000), Corte (Ibis Libris, 2004), rio raso (Patuá, 2014) e o budismo e o tinder (Multifoco, 2020). Mantém o bem sucedido site “A Magia da Poesia”, que teve mais de um milhão de acessos em 2012, onde divulga a obra de grandes poetas. Seus poemas já foram selecionados para livros escolares, traduzidos para o russo e publicados em diversas revistas literárias.

15/10/2013

isso não pode ser a vida

como me doem a poesia
a beleza, o afeto
a agonia do que pode ser dito
e depois
pode doer, pó de matar
escondido o inimigo no amigo
ciclos infinitos de rostos bonitos
depois feios

14/10/2013

samsara

tenho sonhado com tudo
todos têm sonhado comigo
contudo, seguimos
dormindo acordados

da beleza da finitude

estrelas extintas
sob as quais nossos dias
de um sol que terminará

des_ilusão

irrelevante ter ou não ter
paixão

perante a importância
da compaixão

13/10/2013

o amor que começa como amizade tende a driblar as ilusões das paixões

momentos dourados
esquecidos nos cantos da vida duradoura

momentos de pura felicidade

estrelas cadentes
em longas noites escuras

momentos extremos
fugazes
que estranhamos
e perdemos quando pensamos

12/10/2013

vento ao sol de sábado

na cama
ela se encosta
nas minhas costas

ou anda
enquanto fala no celular com a prima
(ela cala tanto)

acho bonito
o quanto a desconheço
o quanto
desconhecemos tudo e todos
o tempo todo
até nos mesmos

não tenho a ilusão
de um dia
vir a conhecê-la

tudo o que nos parece mais certo é sonho

sinto é esse frescor de tocar as mãos
que faz achar até bom
o deserto onde nos afogávamos

(aprendemos tudo errado a vida toda...)

agradeço ela
no meio da vida
nesse meio-dia

sol a pino, eu mantro:

não procuro nem espanto

não dependo nem esqueço

não comparo nem ignoro


um dia ela vai embora, eu sei
um dia também irei

vou vivendo sem esforço, medo, plano
sem verbos:
letras de um sábado sem pressa

deliciosamente imperfeitos
corpos feitos de preguiça
dormindo nas horas mais estranhas

relaxados, alimentados
quase atingindo
a complexidade
de ser simples
de ser agora
sem deixar nada pra depois
sem querer nada do depois

ela, eu, você, pronomes pessoais
(no caso, todos iguais)

before midnight

a vida posta
na mesa do efêmero

um pássaro
pousa
no crepúsculo

somos todos
os mesmos passos leves
criando danças

crianças

passando

08/10/2013

sob o mesmo sol de maiakóvski

na primeira noite elas pisam seu jardim com expectativas
vem cobrar amor nas portas fechadas
e você deixa: por pena, por medo, por culpa
sem dizer nada

na segunda noite, quando você abre a tranca do plexo
i-m-e-d-i-a-t-a-m-e-n-t-e
te largam mais sozinho que antes
sem jardim, sem casa, sem amor e sem nexo

então, a mais frágil delas
sorrateiramente, silenciosamente
tenta calar seus poemas

mas ainda posso dizer algo, camarada:
esta luz, a Minha Voz
não pode ser roubada

vaso

       dou voltas no copo
                                       eu tempestade
            esquivo furadas
                                       vazo
                 calo trovões

sólido público (preso na rede social)

"como somos felizes"
"como somos felizes"

como somos ridículos...

chega um tempo em que não basta ser:
é preciso contar
pra se convencer.

04/10/2013

autopromessa

rasgarei meu peito nada terno
mas jamais
meu caderno

03/10/2013

busca incolor e rítmica

procura-se
musa indolor
e não insípida

01/10/2013

maia

parecem
pedaços
de nuvens caindo do céu
e uma planta quase morta

(aos descrentes)

mas a desolação é ilusão de véu:
toda a minha árvore
vive e voa
pela semente

foto: Fabio Rocha



Foto da reportagem no Canal Aberto (Veículo de Comunicação Interna da CMB) - Edição Número 141 - novembro e dezembro de 2012 - p. 7