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Escritor, psicanalista e poeta nascido no Rio de Janeiro em 1976. Considerado um dos poetas brasileiros mais representativos da década de 2000 na antologia Roteiro da Poesia Brasileira (Global, 2009), é autor de vários livros publicados gratuitamente em seu blog, cujos melhores poemas foram reunidos em A Magia da Poesia (Papel&Virtual, 2000), Corte (Ibis Libris, 2004), rio raso (Patuá, 2014) e o budismo e o tinder (Multifoco, 2020). Mantém o bem sucedido site “A Magia da Poesia”, que teve mais de um milhão de acessos em 2012, onde divulga a obra de grandes poetas. Seus poemas já foram selecionados para livros escolares, traduzidos para o russo e publicados em diversas revistas literárias.

18/03/2026

a minha raiva

quando me chamam
minha raiva é tamanha
que chega 30 minutos antes

ai deles
se não me chamarem

09/03/2026

eu crisóstomo (o filho de mil homens)

eu desse poço de egoísmo e ilusão de separatividade
venho pouco a pouco entendendo deus quando estudo
sentindo deus quando silencio
e ignoro a produtividade e a pressa

mesmo eu crisóstomo
tenho feito progressos, acho

nesse sábado por exemplo
mesmo sem namorada
mesmo sem ter tido chamada
me estranhei completo
no momento presente
inteiro no segundo que passa
do jeito que passa

(passarei passarinho)

04/03/2026

redescoberta

todos os meus dedos escrevem
todos os meus poros escrevem
independentemente do resultado 

amor fati

amor fati me ocupa a nesga futura
entre a esperança e a possibilidade

isso basta

(chega um tempo onde o sonho da fruta
é mais doce que mordida)

ela traumatizada de jaulas
eu exasperado de desertos
dançamos em palavras
sem nos mover

amor fati é o afeto que faltou em nietzsche
com amor fati toda troca sem esforço
rende um texto
um sonho um filme um encontro


...


é tarde pra dar boa noite
(amor fati pode estar dormindo)

então agradeço por amor fati se manter cá dentro
com sono me despeço da ave maria
abraço jesus ateu
e rezo na santíssima trindade

01/03/2026

selfie

trabalho para comprar
o último modelo de celular

o gps me guia
a IA faz meu dever de casa
a rede social me orgia
a solidão me extravasa

dentro da boca

o artista sente a falta:
grão de areia
dentro da ostra