o ano finda
não a minha vida
mesmo assim não sei de onde
este medo nas entranhas
e a chegada vã de doenças estranhas
preparo o site caso eu morra
os blogs os livros as redes sociais
(corro as camisetas e feliznatais)
e todo ano corvo
(novo e de novo e de novo)
me preparo e não morro
- Fabio Rocha
- Escritor, psicanalista e poeta nascido no Rio de Janeiro em 1976. Considerado um dos poetas brasileiros mais representativos da década de 2000 na antologia Roteiro da Poesia Brasileira (Global, 2009), é autor de vários livros publicados gratuitamente em seu blog, cujos melhores poemas foram reunidos em A Magia da Poesia (Papel&Virtual, 2000), Corte (Ibis Libris, 2004), rio raso (Patuá, 2014) e o budismo e o tinder (Multifoco, 2020). Mantém o bem sucedido site “A Magia da Poesia”, que teve mais de um milhão de acessos em 2012, onde divulga a obra de grandes poetas. Seus poemas já foram selecionados para livros escolares, traduzidos para o russo e publicados em diversas revistas literárias.
21/12/2023
o ano finda
19/12/2023
15/12/2023
mubi
e não me acho
as palavras socorrem
ascendo à luz
a igrejinha da janela da casa da minha tia
irmã da minha vó
que fazia café doce em coador de pano
casada com titidinho
onde eu estive?
por quantos anos nunca me achei?
busco na idealização de um encontro (ela)
até que a morte nos separe
ou até que o Felizes para sempre
fuja pela janela?
14/12/2023
enfim
que são poetas que não escrevem?
colido livros com falta de vontade
desta sopa nasce o vídeo ou o videogame
morto em telas percorro o tempo
esperando o futuro que repetirá o mesmo:
- sou incurável de mim
~remendo do afetivo
~eu num quero filho porra
botar nu mundo otro fudido
cum intolerancia a lactose
cum lactentes intolerantes
cum dor di barriga careca i caganera
cum dor na coluna no ovido nas junta tendo qui usá óculus
cum sangue todo fudido de triglicerido i maluco
que num podi cumê nada num pode pegá sol num pode saí di casa nem fuder
pra dispois invelhicê i morrê cum mais duenssainda
cum inteligenssia mano
porra!
05/12/2023
23/11/2023
wish you were here
é o que tinha
sardinha em latas
doenças que se tocam e estranham
(estrangeiros de almofada)
é o que tinha
e aqui estamos
sem conexões côncavo-convexo
tigres nos armários trancados que se entreolham complexos
minha pressa passa a porta e rosna
sem base
minha nova palavra minha
minha minha minha
(outrora a coisa ia
ela-eu pensava conversava completava escrevia:
ela me lia - elo
eu me me lava)
18/11/2023
idade
talvez já esteja tudo bem
(perdas e ganhos)
de vez em quando canto
de quando em vez escrevo
a profissão nova ajuda os outros
talvez já esteja tudo bem
(suco de uva integral em vez de coca-cola light)
dentre viagens
casei e separei
sorri e chorei
um amigo veio e outro foi
mas amanhã tenho um encontro
06/11/2023
ferencziano kardecista
a mágoa não digerida prende
coração ressente
repete
(mas o interno é indestrutível)
é dessa lama
dessa mesma lama
a chance da flor:
a ternura recebida desfaz a cegueira
(amigos da mesma bandeira de luz)
e quebra a corrente antiga
muito além da palavra Jesus
da prece cantada
a lágrima da nova Vida
é quente de amor
29/10/2023
cara
lentamente se organizam na palavra completude
açaí assalto açude
taça cheia de possível
coração afobado:
o filme?
legendado
19/10/2023
(e não caso)
a pausa da palma do monte
napalm nas crianças nas guerras de sempre
sigo cego mas tateio mamas
dentro frio da confusão de confúcio
deito e nego
os dentes ardentes de raiva
trinco da porta que abre o mesmo
descasos à parte
descanso no mel das pernas
(e não caso)
08/10/2023
11/09/2023
all shall fade (at night)
"home is behind: the world ahead"
diz a canção
espreito a beleza de não ser
tentando ver sincronia e sentido
onde parece só haver
um cão latindo dor e caos
