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Escritor, psicanalista e poeta nascido no Rio de Janeiro em 1976. Considerado um dos poetas brasileiros mais representativos da década de 2000 na antologia Roteiro da Poesia Brasileira (Global, 2009), é autor de vários livros publicados gratuitamente em seu blog, cujos melhores poemas foram reunidos em A Magia da Poesia (Papel&Virtual, 2000), Corte (Ibis Libris, 2004), rio raso (Patuá, 2014) e o budismo e o tinder (Multifoco, 2020). Mantém o bem sucedido site “A Magia da Poesia”, que teve mais de um milhão de acessos em 2012, onde divulga a obra de grandes poetas. Seus poemas já foram selecionados para livros escolares, traduzidos para o russo e publicados em diversas revistas literárias.

08/01/2024

rimas em ar

a dor no ombro pode ser no videogame
e de atender online
e de digitar poemas
e de respirar

nessas infinitas possibilidades
após reclamar melhoro

estranho uma nesga de felicidade solar
caminhando e suando pelo bairro quente
sem um flerte para motivar

05/01/2024

os dez livros de pedrobial com capa dura

o meu inconsciente é raiva
um rio de lava
querendo romper crostas

rio

o poema erupe do sonho
(espinha)

por exemplo
pedrobial dava aula e conversava comigo
como se fosse íntimo
e fala do seu livro
e eu pego na livraria
e reclamo do excesso de opções de produtos em todos os cantos
para ser filosófico
(todos concordam)

pedrobial fala mais do seu novo livro com capa dura e imagens
folheio e elogio as gravuras
acho a poesia direta e curta e digo
ele explica que continua na próxima página
e na verdade são doze livro de cem páginas de um poema só
e disfarço e pergunto ao cara da xerox da ufrj que abandonei o preço:
cem reais
(abandono o livro e o pedrobial pra ir pra próxima aula)

antes pergunto se tá vendendo bem
pois meus livros sempre venderam muito pouco pros meus planos de grandiosidade
ele ainda diz: isso irmana os poetas
(e olha que era o pedrobial)

me arrasto com mochila pesada e velho pra próxima aula
pra próxima sala
e esqueci de fazer algum trabalho
a professora começa a ler um trecho de algo absolutamente dela
e meu coração se abre e ouve
e tudo é ela

acho que nessa hora eu era o indianajones
e a menina grávida a meu lado com a mãe ajudando com o bebê
se decepciona comigo e levanta dando ataque com a matriarca
e eu vou pro fundo da sala
na esquerda
focar no filme que passa no quadro negro
com outros alunos alheios à cena
tentando parecer intelectuais focados

os banheiros da faraônica ufrj são feios e sujos
tudo é longe
mas volto do sonho pra cama e pro poema digitado
lembrando de bukowski chutando a novinha
e digitando com vontade de 
acordar

03/01/2024

3D

a lágrima
é uma pirâmide de água
circular

21/12/2023

o ano finda

o ano finda
não a minha vida

mesmo assim não sei de onde
este medo nas entranhas
e a chegada vã de doenças estranhas

preparo o site caso eu morra
os blogs os livros as redes sociais
(corro as camisetas e feliznatais)

e todo ano corvo
(novo e de novo e de novo)
me preparo e não morro



19/12/2023

me dite a ação

o dragão chora
sonhos de palavras
num mundo que não lê

15/12/2023

mubi

apago a luz do quarto pra ver o filme e depois dormir
e não me acho

as palavras socorrem
ascendo à luz

a igrejinha da janela da casa da minha tia
irmã da minha vó
que fazia café doce em coador de pano
casada com titidinho

onde eu estive?
por quantos anos nunca me achei?

busco na idealização de um encontro (ela)
até que a morte nos separe
ou até que o Felizes para sempre
fuja pela janela?

14/12/2023

enfim

que são poetas que não escrevem?
colido livros com falta de vontade
desta sopa nasce o vídeo ou o videogame
morto em telas percorro o tempo
esperando o futuro que repetirá o mesmo:
- sou incurável de mim

~remendo do afetivo

~eu num quero filho porra 
botar nu mundo otro fudido
cum intolerancia a lactose
cum lactentes intolerantes
cum dor di barriga careca i caganera
cum dor na coluna no ovido nas junta tendo qui usá óculus
cum sangue todo fudido de triglicerido i maluco
que num podi cumê nada num pode pegá sol num pode saí di casa nem fuder
pra dispois invelhicê i morrê cum mais duenssainda

cum inteligenssia mano

porra!

05/12/2023

cássia eller djavan

quantos dois sóis atrás
me perdi da paz
na palavra minha?

23/11/2023

wish you were here

é o que tinha
sardinha em latas
doenças que se tocam e estranham
(estrangeiros de almofada)

é o que tinha
e aqui estamos
sem conexões côncavo-convexo
tigres nos armários trancados que se entreolham complexos

minha pressa passa a porta e rosna
sem base

minha nova palavra minha
minha minha minha

(outrora a coisa ia
ela-eu pensava conversava completava escrevia:
ela me lia - elo
eu me me lava)

18/11/2023

idade

talvez já esteja tudo bem

(perdas e ganhos)

de vez em quando canto
de quando em vez escrevo
a profissão nova ajuda os outros

talvez já esteja tudo bem

(suco de uva integral em vez de coca-cola light)

dentre viagens
casei e separei
sorri e chorei
um amigo veio e outro foi
mas amanhã tenho um encontro

06/11/2023

ferencziano kardecista

o ódio recalcado fixa ao objeto odiado
a mágoa não digerida prende
coração ressente
repete
(mas o interno é indestrutível)

é dessa lama
dessa mesma lama
a chance da flor:

a ternura recebida desfaz a cegueira
(amigos da mesma bandeira de luz)
e quebra a corrente antiga
muito além da palavra Jesus

da prece cantada
a lágrima da nova Vida
é quente de amor

29/10/2023

cara

recortes de fome de sede de falta
lentamente se organizam na palavra completude

açaí assalto açude
taça cheia de possível
coração afobado:
o filme?

legendado

19/10/2023

(e não caso)

a pausa da palma do monte
napalm nas crianças nas guerras de sempre

sigo cego mas tateio mamas
dentro frio da confusão de confúcio
deito e nego

os dentes ardentes de raiva
trinco da porta que abre o mesmo

descasos à parte
descanso no mel das pernas

(e não caso)

08/10/2023

ave

uma noite de rodapé
cintila o passado:
passei passo passarei
(pássaro)