- Fabio Rocha
- Escritor, psicanalista e poeta nascido no Rio de Janeiro em 1976. Considerado um dos poetas brasileiros mais representativos da década de 2000 na antologia Roteiro da Poesia Brasileira (Global, 2009), é autor de vários livros publicados gratuitamente em seu blog, cujos melhores poemas foram reunidos em A Magia da Poesia (Papel&Virtual, 2000), Corte (Ibis Libris, 2004), rio raso (Patuá, 2014) e o budismo e o tinder (Multifoco, 2020). Mantém o bem sucedido site “A Magia da Poesia”, que teve mais de um milhão de acessos em 2012, onde divulga a obra de grandes poetas. Seus poemas já foram selecionados para livros escolares, traduzidos para o russo e publicados em diversas revistas literárias.
08/08/2022
06/08/2022
psicanálise crítica (saudade de Jung)
os terapeutas com muito vocabulário
não querem te ouvir:
querem te humilhar
nadam num aquário de diplomas
batem recorde de artigos que nada dizem
e quase não tem horário
os terapeutas com muito vocabulário
fizeram outro curso na Sorbonne
não se calam para te ouvir melhor
mas apenas para mostrar para si mesmos
como conseguem conter o corolário
os terapeutas com muito vocabulário
não abrem o coração, abrem a carteira
e dão cursos caros com muita teoria de aquário:
não acolhem, não entendem, não cuidam
não há mar
(não amar)
esqueletos no armário
desconfie
dos terapeutas
com muito vocabulário
02/08/2022
poetrix antiMarketing (sublimação)
01/08/2022
26/07/2022
a taxa de mortalidade dos vivos é de cem porcento (universo 25)
mas a pata do leão
está se movendo
felicidade
(muito perto mesmo)
23/07/2022
20/07/2022
11/07/2022
a_bunda
a janela é a esperança de encontro
tal qual já encontrei no passado
porque a vida é isso: o outro
companhia prazer alegria de estar
a beleza a_bunda
e a certeza futura é a tumba
hilstiano número 2
lentamente na casa
na caixa
deus?
uma promessa vazia
silencio ou alvoroço
com olhos de ave
a janela
a janela se abre pro depois
pra esperança
04/07/2022
novo aumento do número de casos e de mortes
a vacina a máscara a pandemia
já nem sei como era
quando saía
30/06/2022
porma
Não tive filhos. Quatro livros. Quarto livre.
Cada vez menos ligo pro conteúdo de meus poemas. Forma se forma em forma e informa.
Não fui super-herói. Não sou super-herói. Nem quero mais ser super-herói. Não sou nem legal.
A poesia, porém, sai. Da boca peluda. Não meço o lirismo por moda ou pra ser atual. Não sei nem o que é lirismo. Sei que está frio e escuro. Estou só. Sofrimento ou não sofrimento tanto faz. E se escrevo estou sol
29/06/2022
27/06/2022
sempre
enquanto olhamos nossas mãos
(e os aparelhos em nossas mãos)
minha vida é uma espera
num lugar nunca pronto
solidão e obediência
entende?
às vezes são
às vezes tonto
me distraio com videogames da adolescência
no castelo que me prende
o furo da prisão é a janela
abrindo sorriso
o futuro da solidão é ela
a poesia que resiste calada
estrela
09/06/2022
o ovo de salvaDor
se ela geme de lá
que eu gema Dali