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Escritor, psicanalista e poeta nascido no Rio de Janeiro em 1976. Considerado um dos poetas brasileiros mais representativos da década de 2000 na antologia Roteiro da Poesia Brasileira (Global, 2009), é autor de vários livros publicados gratuitamente em seu blog, cujos melhores poemas foram reunidos em A Magia da Poesia (Papel&Virtual, 2000), Corte (Ibis Libris, 2004), rio raso (Patuá, 2014) e o budismo e o tinder (Multifoco, 2020). Mantém o bem sucedido site “A Magia da Poesia”, que teve mais de um milhão de acessos em 2012, onde divulga a obra de grandes poetas. Seus poemas já foram selecionados para livros escolares, traduzidos para o russo e publicados em diversas revistas literárias.

05/01/2021

a esperança é entre parênteses

sempre há escolha

por instance:
eu podia passar o dia brigando com o síndico
mas escolhi escolher versos pra te mandar

a maioria se espanta
mas eu escolho continuar 
criando minha relação de um lado
e mandando poemas e corações alados

se ponto:
pronto. 
final!

aí enterro a invenção com flores
adubo a emoção
e morro um pouco junto
até rimar novos amores

(algumas vezes dá frutos)

03/01/2021

manhã / instagram

uma da manhã
e o silêncio entra no apartamento

pausa no videogame e no seriado

na janela 
não há mais fogos

a maioria
das outras janelas
dorme

na vida
a busca de um sentido 
(ou de uma mulher)
me cansa

mas ainda há alguma
esperança

como biscoito saudável
com guaraná diet
porque o vazio me fome

fotografo o momento 
com estas palavras
e não posto no instagram

29/12/2020

isolamento reprolongado

entre o medo da morte
e a agonia pela solidão
ano novo de vacinação

22/12/2020

da importância da espera

o botão de flor
não se apressa
nem toca:

- não é tela

16/12/2020

e ela goza

reverencio a lânguida presença
certa
e sem meta romântica

mimo

a nudez sem medo
a palavra sem métrica
o ventre molhado

aprecio os seios pequenos
com gosto na boca
um pouco amenizar a vida dura

o mínimo de luz
em duas vidas escuras
dentre filmes dublados

desprogramo o amor que não vem
que não veio
que me feio
que desmarca
que amarga outros inícios e quedas e farpas de futuros que não chegam

duro

AGORA

simplifico o que não edifico
mas se solidifica
em solidariedade:


não sou sério


estou velho


e ela gosta

reinfância

manoel existe
enquanto houver
o simples

por exemplo:
a lua da minha rua
é mais pura

congregar (tradição da trunca)

a poesia de luta
não se apaga

os palhaços comunistas
ainda fazem sorrir

ainda botam flores
no cano das espingardas

ainda acendem o sorriso
no simples da criança

08/12/2020

bauman dado 2

o homem sem vínculos
tem vícios

velocidade de
escolher
conversar
gozar
e bloquear

o homem todo velocidade
não sabe onde chegar

06/12/2020

areia fina nas mãos cansadas

noto visitando amigos antigos
que os poetas vão parando de escrever

como se a vida (besta)
fosse sem recompensa pra letra

como se a vida pouca
fosse vencida
pela pressa

como se a voz
rouca
desistisse de dizer
perante o mundo enorme
mundo duro e surdo
cada vez mais certo

breve olhar sobre nossa história

agora que a periferia
virou poesia
a nação criou a taxação de livros

04/12/2020

michael scott

pausa de palavras 
num dia perfeito
onde nada dói

não importa o prefeito

felicidade se constrói

29/11/2020

hell de janeiro

a moça que curtiu meu poema
no instagram resoluta
chamei em vez do cinema 
para a praia

soltei a vaia 
quando ela pediu que eu pagasse o seu uber
e ela confessou: sou prostituta

24/11/2020

já deve ser natal na líder magazine

minha família
é um ninho de fome
todo espinho

juntos muitas vezes se atacam
arrancam pedaços
pedindo carinho

em bandos
(crentes)
maldizem os ausentes

dormir direito ninguém dorme
nem nota acima
um céu enorme

doa a quem doa:
absolutamente ninguém 
voa 

17/11/2020

anemofilia

canto porque o canto me canta
quem canta seus mares espanta
semeando vendo na tempestade

atenção menina do lado de fora de um abraço

outra flor pulou
do condomínio aqui do lado

antes ainda da lição
vida em botão
voo ao chão

sem elevador
nem eleição:
a dor a levou

cedo elevou sem fome
do chão da avenida sem nome