a imensidão escura
entre a palavra estrela
e a estrela
- Fabio Rocha
- Escritor, psicanalista e poeta nascido no Rio de Janeiro em 1976. Considerado um dos poetas brasileiros mais representativos da década de 2000 na antologia Roteiro da Poesia Brasileira (Global, 2009), é autor de vários livros publicados gratuitamente em seu blog, cujos melhores poemas foram reunidos em A Magia da Poesia (Papel&Virtual, 2000), Corte (Ibis Libris, 2004), rio raso (Patuá, 2014) e o budismo e o tinder (Multifoco, 2020). Mantém o bem sucedido site “A Magia da Poesia”, que teve mais de um milhão de acessos em 2012, onde divulga a obra de grandes poetas. Seus poemas já foram selecionados para livros escolares, traduzidos para o russo e publicados em diversas revistas literárias.
19/10/2019
15/10/2019
simbologia do esquecido
os peixes que esqueci no sonho
que esqueci
não morreram sem comida:
multiplicaram-se
a água pouca e suja
para os peixes muitos
pequenos e vários
alimentei-os
que esqueci
não morreram sem comida:
multiplicaram-se
a água pouca e suja
para os peixes muitos
pequenos e vários
alimentei-os
12/10/2019
barras de access
poesia em geral é um drama
mas eu queria mesmo
era poder fazer barras de access em bukowski
mas eu queria mesmo
era poder fazer barras de access em bukowski
11/10/2019
a cota condominial segue chegando
imbecis eleitos e depostos
postos de gasolina incendiados
militares a postos
a nova terapia da moda chega e passa
o oceano sobe - o oceano desce
a raça humana nasce
a raça humana desaparece
rimar agora é bom
rimar agora é ruim
o sol talvez não nasça mais assim
mas a cota condominial segue chegando
postos de gasolina incendiados
militares a postos
a nova terapia da moda chega e passa
o oceano sobe - o oceano desce
a raça humana nasce
a raça humana desaparece
rimar agora é bom
rimar agora é ruim
o sol talvez não nasça mais assim
mas a cota condominial segue chegando
07/10/2019
06/10/2019
hã?
enquanto os poetas da moda se perdem
na forma
sem conteúdo
eu adio meu poema e minha meditação
o marketing digital o marketing digital o marketing digital o marketing digital
- saiu o vídeo novo no youtube daquele boçal, você viu?
- eu vi mas não lembro se vi
porque eu tava também no facebook e plantando bananeira
eu acho
na forma
sem conteúdo
eu adio meu poema e minha meditação
o marketing digital o marketing digital o marketing digital o marketing digital
- saiu o vídeo novo no youtube daquele boçal, você viu?
- eu vi mas não lembro se vi
porque eu tava também no facebook e plantando bananeira
eu acho
26/09/2019
19/09/2019
para roberta tostes daniel
o ser humano é o único animal que sabe que vai
e passa a vida quase toda
fingindo que não vai
e passa a vida quase toda
fingindo que não vai
04/09/2019
não sei se é depressão ou budismo este cansaço das coisas do mundo que ruem
ela gostou de algum texto meu na rede social e eu gostei da foto dela. marcamos num centro espírita. a palestra era sobre vícios, compulsões e drogas. eu estava mesmo me convencendo de que deveria ter menos sexo só pelo sexo, videogame e tinder na minha vida. lembrei da mesa radiônica ter me dito que isso era compulsão derivada de 18 vidas atrás... fui. lotado. sentei onde deu. e ela chegou. sentou ao meu lado. vontade e pegar na mão mas não podia. (centro espírita. palestra contra o sexo. outro clima...) um perfume delicioso vindo dos cabelos dela encaracolados e avermelhados. magrinha. 20 anos. pela conversa virtual eu sabia que gostava de homens mais velhos. e sabia mais de literatura do que eu. estudava letras. trabalhava com letras. eu só me perco nas letras... o palestrante falava de como o sexo pode ser viciante. como pode ser igual a uma droga. mas eu estava perdido no perfume dos cabelos dela e não conseguia acompanhar muito bem. acabou a palestra. tomamos passe. não senti nada. saímos. peguei na mão. as bocas se tocaram. fomos pra minha casa no outro lado da cidade de uber. minha cama. ela fazia tudo e bem e muito. gostava de eu ser bem mais velho. depois dos muitos orgasmos ela precisava fumar maconha. e na minha casa não dá pra se fumar maconha, é um centro budista, com altar na sala! nos desentendemos. ameaçou ir embora. meu orgulho deixou ir embora. pediu um fósforo pra fumar lá embaixo. não tinha. a diarista tinha roubado meus fósforos. saiu sem me abraçar. sem chorar. só saiu para sempre e me deixou para sempre só. ela nunca tinha ganhado um poema mas fiz um poema pra ela mesmo assim. não chorei e fui jogar videogame pensando na palestra espírita enquanto a amazônia queimava.
22/08/2019
doença
a geladeira e o freezer brancos
sãos os guardiões do silêncio da cozinha
escura e impassível
sua luz verde e constante
seu ruído baixo
preservando o tempo
sãos os guardiões do silêncio da cozinha
escura e impassível
sua luz verde e constante
seu ruído baixo
preservando o tempo
21/08/2019
amazônia em chamas
enquanto o nível do mar não chega no capacho do meu prédio
enquanto a humanidade não acaba
acumular mandar, mulher e moeda
não me parece um bom plano
enquanto a humanidade não acaba
acumular mandar, mulher e moeda
não me parece um bom plano
19/08/2019
vento
os loucos de ar
me encontram
em qualquer lugar
elas tem mãos bonitas
e infinitas
possibilidades
me encontram
em qualquer lugar
elas tem mãos bonitas
e infinitas
possibilidades
07/08/2019
astronauta de mármore
astronauta
cada vez mais lento num mundo cada vez mais rápido
explicada a sensação de deriva:
seu rumo não é o padrão
plano de navegação desde sempre:
boca ligada ao coração
cada vez mais lento num mundo cada vez mais rápido
explicada a sensação de deriva:
seu rumo não é o padrão
plano de navegação desde sempre:
boca ligada ao coração
31/07/2019
22/07/2019
borboleta azul
a poesia vem na fresta mais impensada do dia
na pausa
no intervalo
na surpresa
não ver a borboleta azul é ver a borboleta azul
na pausa
no intervalo
na surpresa
não ver a borboleta azul é ver a borboleta azul
Assinar:
Postagens (Atom)