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Escritor, psicanalista e poeta nascido no Rio de Janeiro em 1976. Considerado um dos poetas brasileiros mais representativos da década de 2000 na antologia Roteiro da Poesia Brasileira (Global, 2009), é autor de vários livros publicados gratuitamente em seu blog, cujos melhores poemas foram reunidos em A Magia da Poesia (Papel&Virtual, 2000), Corte (Ibis Libris, 2004), rio raso (Patuá, 2014) e o budismo e o tinder (Multifoco, 2020). Mantém o bem sucedido site “A Magia da Poesia”, que teve mais de um milhão de acessos em 2012, onde divulga a obra de grandes poetas. Seus poemas já foram selecionados para livros escolares, traduzidos para o russo e publicados em diversas revistas literárias.

09/03/2018

completo

nasço um poema morninho
pra acolher todas as faltas
pacificar todas as distâncias
acalmar o passado magro sobre cavalos de sonho
e caminhar sem pressa na beira da praia

completo

sem nenhuma meta além de
caminhar sem pressa na beira da praia

02/03/2018

a forma da água (ou da completude líquida após desertos)

nosso a gente é de antes de palavras:
cidades inundadas de paz
e o brilho antigo do renome
abraço

nosso encontro é sempre:
racionais demais
sentindo tudo no laço

tudo agora

tudo
menos
fome de fora

26/02/2018

momento

a desimportância das minhas histórias me enormizam.
há tanto céu pra gente andar sem tanto cuidado
e morar o olhar em verbos mais múltiplos...

22/02/2018

as time goes by

através da música
sem se perder em causas
(ela, a prática, a idade, o momento)
a cor lentamente
aumenta a intensidade presente

20/02/2018

onomatopoiético

poesia é quebrar as regras da linguagem e suas próprias
não lembro a última vez que contei uma métrica
e diariamente descarto descartes

18/02/2018

11/02/2018

carnaval embora

comprei suco de manga no mercado
depois da musculação

vi o confete no chão do elevador
único e brilhante

voltei pra casa o quanto antes
e liguei o ar condicionado

nem um arranhão
da antiga sensação
de estar perdendo alguma festa
fora

09/02/2018

pokemon go tinder

estou matutando este texto há um tempo. este poema não me satisfez sobre a temática. o número imenso de semelhanças não pode ser coincidência. tinder é o pokemon go. apenas num sonho diferente. semelhanças:
- busca autocentrada por algo externo que nunca traz uma satisfação verdadeira, completa, final
- você desliza o dedo na tela do celular para tentar poder chamar de seu o objeto do desejo
- dá pra tirar foto dos encontros mais inusuais e compartilhar
- andando pela cidade, aumentam suas chances de encontros diferentes
- a quantidade enorme de encontros diminui a chance de satisfação em cada encontro
- toda a lógica do sucesso do encontro se baseia em probabilidades, fundamentada em características e estratégias
- quanto mais ansiedade, pior a eficiência e eficácia do resultado
- tempo enorme gasto para uma satisfação decrescente

rumo do caminho

quanto mais diferente do planejado melhor
quanto mais distante do combinado melhor
quanto mais inesperado melhor

04/02/2018

os índios - sim

nascemos e somos cuidados por babás
os índios não

ficamos sentados em salas quadradas para aprender
os índios não

vendemos nosso tempo em salas quadradas
os índios não

destruímos nossa saúde em hospitais quadrados
os índios não

usamos drogas para suportar o padrão de vida quadrado em cidades cinzas
os índios não

construímos prisões e hospícios quadrados para os que não se encaixam
os índios não

antes de morrer contratamos enfermeiras
os índios não

poluímos o planeta além do limite suportável por ele
os índios não

03/02/2018

teoria

a aranha do sábado
vem pelo furos na minha prática

arranha os fundos
deste silêncio bom
com futuros

o ranho de minhas contas bancárias
observa estável minha instalibidade
quando urde a solitude

incomprável paz
incomparável

01/02/2018

pokemon tinder go

dentro do sonho da vida cabem
mais sonhos fora
fora da gente ou do agora

cito dois:
tinder
e pokemon go

gastam com eficiência
a bateria do celular
e nossa paciência

encontros raros são raros
encontros raros são raros
encontros raros são raros

o canto da nossa pokebolsa sempre
tão cheia quanto
nosso quarto

a morte fria questionando infartos:
insaciáveis e fartos de vazio
estamos vivendo?

28/01/2018

é tudo um sonho

muitas vezes algo chama a atenção de meus olhos
e meus olhos inventam um som baixinho para aquela visão
mesmo sendo algo que não faz nenhum som

26/01/2018

a maré

amar é
encontrar alguém
para amarrar o seu cansaço

cansaço
de se perder na pele
se perder no perfume
se perder nos planos autocentrados
se perder na imaginação

a outra ponta da vitória é a derrota

amor é encontro intransitivo
intransitável
maior que sempre

23/01/2018

tudo

o mundo
o mesmo

o mesmo mundo

calando
eu mudo