como se o fruto da resposta
estivesse desde sempre
no fundo do ventre das árvores
as árvores:
feminino, plural
- Fabio Rocha
- Escritor, psicanalista e poeta nascido no Rio de Janeiro em 1976. Considerado um dos poetas brasileiros mais representativos da década de 2000 na antologia Roteiro da Poesia Brasileira (Global, 2009), é autor de vários livros publicados gratuitamente em seu blog, cujos melhores poemas foram reunidos em A Magia da Poesia (Papel&Virtual, 2000), Corte (Ibis Libris, 2004), rio raso (Patuá, 2014) e o budismo e o tinder (Multifoco, 2020). Mantém o bem sucedido site “A Magia da Poesia”, que teve mais de um milhão de acessos em 2012, onde divulga a obra de grandes poetas. Seus poemas já foram selecionados para livros escolares, traduzidos para o russo e publicados em diversas revistas literárias.
09/01/2014
garantia
televisores não quebram
para que possamos ver e querer
Comprar coisas que quebram
para que possamos ver e querer
Comprar coisas que quebram
Temas:
crítica social,
eu,
loucura,
melhores poemas,
poesia,
poetrix
06/01/2014
poliamor em decassílabos
queria deixar mas tenho ciúme
queria casar mas tenho desejos
então silencio lumes e gumes
pela profundidade de teu beijo
queria casar mas tenho desejos
então silencio lumes e gumes
pela profundidade de teu beijo
02/01/2014
caio feliz nas melhores tentações
(Para Olga, que me fez conhecer Lima)
estava cansado de ser homem
até me perder em teu toque
não sei como chegaste
nem a história de onde vieste
(e eu nem sabia que te esperava)
mas vieste
com esse jeito forte
com esses olhos móveis
com esse corpo esculpido em carne
a palavra delícia
dança no céu sem estrelas
onde meus dedos buscam
esse corpo de estátua que toco
treme
(as cavernas do teu corpo)
me chama e me puxa
pequeno, visceral e quente
num frenesi de vulcão invertido
e, pulsando, também me ascende
úmido e liso como deveria ser deus
nossas línguas
não se entendem tão bem
quanto nossas línguas
com tua boca na minha
aprendo:
corpos se compreendem
sem palavras
sem limites
mar de infinitas possibilidades
dentro do beijo mais longo:
criação gradual de pacífico e atlântico
beija-me, então
que estamos todos
longe de casa
beija-me
que nem penso
nem falo palavras
dentro da tua boca múltipla
beija-me
e assim descanso
pois no teu beijo
quase morro
de tanta vida
estava cansado de ser homem
até me perder em teu toque
não sei como chegaste
nem a história de onde vieste
(e eu nem sabia que te esperava)
mas vieste
com esse jeito forte
com esses olhos móveis
com esse corpo esculpido em carne
a palavra delícia
dança no céu sem estrelas
onde meus dedos buscam
esse corpo de estátua que toco
treme
(as cavernas do teu corpo)
me chama e me puxa
pequeno, visceral e quente
num frenesi de vulcão invertido
e, pulsando, também me ascende
úmido e liso como deveria ser deus
nossas línguas
não se entendem tão bem
quanto nossas línguas
com tua boca na minha
aprendo:
corpos se compreendem
sem palavras
sem limites
mar de infinitas possibilidades
dentro do beijo mais longo:
criação gradual de pacífico e atlântico
beija-me, então
que estamos todos
longe de casa
beija-me
que nem penso
nem falo palavras
dentro da tua boca múltipla
beija-me
e assim descanso
pois no teu beijo
quase morro
de tanta vida
Temas:
amor,
melhores poemas,
musas,
paixão,
poemas eróticos,
poesia,
top10,
top20,
top50
30/12/2013
porque podemos ser mais e a hora é agora
caminhamos para o trabalho
que em nada muda a destruição do mundo
engarrafados, lentos
numa perda coletiva de esperança
nem caminhar, caminhamos...
aceitamos esteiras
sem olhar as estrelas
aceitamos os números
sem ouvir corações
por causa do rádio não há mais diálogo
e da TV nem se fala
mas a internet pode mudar isso
porque aqui todos tem voz
a internet pode mudar
nosso jeito de viver para nada
destruindo tudo
não, não quero comprar nada. nem vender.
não, também não quero proteger uns poucos escolhidos e ferrar com os outros.
não quero o padrão absurdo de comportamento
que seguimos somente por ser o padrão em todas as áreas da vida.
quero, apenas, o que já está acontecendo
o novo ano que respira
cada vez que uma mão humana se ergue nas ruas
a favor do amor
contra tanta estupidez
pois essa mão é maior
que o amante, a família, os amigos, a rua, o bairro, a cidade ou o país
essa mão é o mundo!
que em nada muda a destruição do mundo
engarrafados, lentos
numa perda coletiva de esperança
nem caminhar, caminhamos...
aceitamos esteiras
sem olhar as estrelas
aceitamos os números
sem ouvir corações
por causa do rádio não há mais diálogo
e da TV nem se fala
mas a internet pode mudar isso
porque aqui todos tem voz
a internet pode mudar
nosso jeito de viver para nada
destruindo tudo
não, não quero comprar nada. nem vender.
não, também não quero proteger uns poucos escolhidos e ferrar com os outros.
não quero o padrão absurdo de comportamento
que seguimos somente por ser o padrão em todas as áreas da vida.
quero, apenas, o que já está acontecendo
o novo ano que respira
cada vez que uma mão humana se ergue nas ruas
a favor do amor
contra tanta estupidez
pois essa mão é maior
que o amante, a família, os amigos, a rua, o bairro, a cidade ou o país
essa mão é o mundo!
mate y pisco o machu picchu
(Para Olga)
mate y pisco o machu picchu
naranja como un cielo
naranja como un sueño:
toda la vida es ahora
este atardecer
es preciso y precioso
tener un caos
dentro de tu orden
dentro de tu morada en la paz
(resollar de los opuestos)
así es que los borrachos caminan rotos
por lunas de manzanas
y masticam - tontamente
el imposible
mate y pisco o machu picchu
naranja como un cielo
naranja como un sueño:
toda la vida es ahora
este atardecer
es preciso y precioso
tener un caos
dentro de tu orden
dentro de tu morada en la paz
(resollar de los opuestos)
así es que los borrachos caminan rotos
por lunas de manzanas
y masticam - tontamente
el imposible
29/12/2013
20/12/2013
l'art d'aimer
a música mais rara
é a de duas
paixões simultâneas
geralmente um quer samba
outro, tango
e acabam
cada um
prum lado
ou pior:
quatro pés
machucados
é a de duas
paixões simultâneas
geralmente um quer samba
outro, tango
e acabam
cada um
prum lado
ou pior:
quatro pés
machucados
18/12/2013
monogamia padrão
monoamor (monopaixão?) tem desgosto de despeixe com deslimão
uma monoânsia, um monofulgor, uma monopressa
um monoplano, uma monometa, um monomeio
pra mais monótona desilusão
uma monoânsia, um monofulgor, uma monopressa
um monoplano, uma monometa, um monomeio
pra mais monótona desilusão
11/12/2013
o valente não é violento
o valente
volta a visão
para dentro
( participe você também: http://www.ovalentenaoeviolento.org.br/ )
volta a visão
para dentro
( participe você também: http://www.ovalentenaoeviolento.org.br/ )
07/12/2013
incondicional
eu te amo leve
como essa brisa entrando no apartamento
eu te amo intransitivo
sem depois ou antes
condições ou requisitos
meu amor é esquisito
como um desconhecido
que joga um sorriso em seu rosto
e sai correndo pra longe
sorrindo também
como essa brisa entrando no apartamento
eu te amo intransitivo
sem depois ou antes
condições ou requisitos
meu amor é esquisito
como um desconhecido
que joga um sorriso em seu rosto
e sai correndo pra longe
sorrindo também
06/12/2013
pai, professor, patrão, pátria...
olho as ordens de sempre
de cima
um olho que tudo vê
tentando controlar e manter
o olho do querer
um olho de máquina
destruindo tudo
por poder
olho mais leve que qualquer fim:
não vou amar assim
de cima
um olho que tudo vê
tentando controlar e manter
o olho do querer
um olho de máquina
destruindo tudo
por poder
olho mais leve que qualquer fim:
não vou amar assim
05/12/2013
29/11/2013
iaiá
Para Ingrid
nossos sonhos quase mortos.
o padrão, o patrão, os esforços.
repressão em todas as faces.
contratos sem cantar contraltos.
segurar em vez de deixar que passe.
nossos sonhos quase mortos.
o padrão, o patrão, os esforços.
repressão em todas as faces.
contratos sem cantar contraltos.
segurar em vez de deixar que passe.
25/11/2013
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