semáforos só amarelos
somos
quem semeamos
(papel higiênico
nos oceanos)
- Fabio Rocha
- Escritor, psicanalista e poeta nascido no Rio de Janeiro em 1976. Considerado um dos poetas brasileiros mais representativos da década de 2000 na antologia Roteiro da Poesia Brasileira (Global, 2009), é autor de vários livros publicados gratuitamente em seu blog, cujos melhores poemas foram reunidos em A Magia da Poesia (Papel&Virtual, 2000), Corte (Ibis Libris, 2004), rio raso (Patuá, 2014) e o budismo e o tinder (Multifoco, 2020). Mantém o bem sucedido site “A Magia da Poesia”, que teve mais de um milhão de acessos em 2012, onde divulga a obra de grandes poetas. Seus poemas já foram selecionados para livros escolares, traduzidos para o russo e publicados em diversas revistas literárias.
21/04/2013
20/04/2013
a ilha e a sede
perdemos o orkut pro facebook
o facebook pro orkut
o brilho nos olhos
o rumo...
e a falta de prumo
torna a norma o pranto
algo deforma
qualquer instante
ou possibilidade
de acalanto
quebra
gasta
trinca
há algum fantasma que respiramos
algum mistério de algas nos pratos que comemos
algum contato extraterreno
alguma energia telúrico-jurídica
alguma carta do i-ching
alguma macumba de osho
o preço do tomate
ou apenas o tempo
tirando o sal do gosto
pesando o olho cansado
ao mesmo tempo
algo como o que já somos
ainda é
ainda temos
sem esse sono...
sinto fome do que fomos.
mas a voz crispada em grito
as lágrimas que não precipito
o ouro apertando a mão
o não apertando o são
a guerra...
nada mais inútil
que um poema
ou um livro cheio deles
quando o que falta é água
e tens sede
de nada
o facebook pro orkut
o brilho nos olhos
o rumo...
e a falta de prumo
torna a norma o pranto
algo deforma
qualquer instante
ou possibilidade
de acalanto
quebra
gasta
trinca
há algum fantasma que respiramos
algum mistério de algas nos pratos que comemos
algum contato extraterreno
alguma energia telúrico-jurídica
alguma carta do i-ching
alguma macumba de osho
o preço do tomate
ou apenas o tempo
tirando o sal do gosto
pesando o olho cansado
ao mesmo tempo
algo como o que já somos
ainda é
ainda temos
sem esse sono...
sinto fome do que fomos.
mas a voz crispada em grito
as lágrimas que não precipito
o ouro apertando a mão
o não apertando o são
a guerra...
nada mais inútil
que um poema
ou um livro cheio deles
quando o que falta é água
e tens sede
de nada
19/04/2013
do método
a poesia ruim
dança p(r)ensada
no precipício
entre a inspiração
e o sacrifício
a poesia
muito revisada
se perde de si:
não diz nada
a poesia
muito reescrita
nem em si mesma
acredita
a poesia
muito perfeita
sobre seu túmulo
deita
dança p(r)ensada
no precipício
entre a inspiração
e o sacrifício
a poesia
muito revisada
se perde de si:
não diz nada
a poesia
muito reescrita
nem em si mesma
acredita
a poesia
muito perfeita
sobre seu túmulo
deita
18/04/2013
afilhada
trago a voz definhada pelo desuso
mas o peito permanece querente
medito pra me afastar-te
e esbarro-te em mim
dentro desse calor sem fim
entendo a pressa dos helicópteros quentes
giro
(tonto)
mas não me elevo
afiadas:
a hélice sua
a minha dor
mas o peito permanece querente
medito pra me afastar-te
e esbarro-te em mim
dentro desse calor sem fim
entendo a pressa dos helicópteros quentes
giro
(tonto)
mas não me elevo
afiadas:
a hélice sua
a minha dor
17/04/2013
fico
tonto, quebro o prato
da regra contra o ato
desacato em protesto íntimo
tal desencontro
dito isto, constato:
gastrites à parte,
parto
da regra contra o ato
desacato em protesto íntimo
tal desencontro
dito isto, constato:
gastrites à parte,
parto
16/04/2013
quando o assunto é vida
estico-me em direção...
a mão parada à força:
a parede do não
sem circulação
acordo
a_corda enforca o pulso
e corta o espontâneo
a razão
escolha que encolhe:
não mergulho e dor
ou mergulhador?
há razão?
encurvo-me tonto em torno do plexo
com certeza profissional:
sou completo amador
a mão parada à força:
a parede do não
sem circulação
acordo
a_corda enforca o pulso
e corta o espontâneo
a razão
escolha que encolhe:
não mergulho e dor
ou mergulhador?
há razão?
encurvo-me tonto em torno do plexo
com certeza profissional:
sou completo amador
13/04/2013
desap_ego 911
o terror
contra o terrorismo
não funciona, amor
é preferível deixar-se
fuzilado sem chorar bis
plantando flores incríveis
em fuzis
contra o terrorismo
não funciona, amor
é preferível deixar-se
fuzilado sem chorar bis
plantando flores incríveis
em fuzis
modus operandi
por não agir
nunca
no momento do agir
(principalmente no sofrer)
meu corpo racional se curva
em lordose cervical
concha ao redor do plexo
caramujo que adia
a energia do agora
passam dias,
gastrites, tonturas, tendinites
e faço um poema complexo
nunca
no momento do agir
(principalmente no sofrer)
meu corpo racional se curva
em lordose cervical
concha ao redor do plexo
caramujo que adia
a energia do agora
passam dias,
gastrites, tonturas, tendinites
e faço um poema complexo
12/04/2013
poder
repasso
passo a passo
o lugar de minha força
o amplo céu
lentamente
desiste da luz
pescadores silenciosos
tentam tirar do mar
a última cor
sinto demais
pra não querer
o infinito
passo a passo
o lugar de minha força
o amplo céu
lentamente
desiste da luz
pescadores silenciosos
tentam tirar do mar
a última cor
sinto demais
pra não querer
o infinito
11/04/2013
oshíssimo
adio para nunca
a tensão na nuca
fatos não importam:
nada é seguro
e sempre haverá
gente erguendo muros
gente abrindo portas
a tensão na nuca
fatos não importam:
nada é seguro
e sempre haverá
gente erguendo muros
gente abrindo portas
10/04/2013
com_pressa
esqueço sonhos, poemas
as vértebras fora do lugar
o plexo fora do lugar
o nexo fora do siso
sigo
porém
complexo
as vértebras fora do lugar
o plexo fora do lugar
o nexo fora do siso
sigo
porém
complexo
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