lustro imóvel as impossibilidades
contemplo preços e precipícios
tonto na encruzilhada
nenhuma perna se move
(não se precipite)
moldo presentes invisíveis
com arte sã e mãos de artrite
- Fabio Rocha
- Escritor, psicanalista e poeta nascido no Rio de Janeiro em 1976. Considerado um dos poetas brasileiros mais representativos da década de 2000 na antologia Roteiro da Poesia Brasileira (Global, 2009), é autor de vários livros publicados gratuitamente em seu blog, cujos melhores poemas foram reunidos em A Magia da Poesia (Papel&Virtual, 2000), Corte (Ibis Libris, 2004), rio raso (Patuá, 2014) e o budismo e o tinder (Multifoco, 2020). Mantém o bem sucedido site “A Magia da Poesia”, que teve mais de um milhão de acessos em 2012, onde divulga a obra de grandes poetas. Seus poemas já foram selecionados para livros escolares, traduzidos para o russo e publicados em diversas revistas literárias.
19/03/2013
18/03/2013
alianças
medo do avô
pânico do pai
e agora minha assombração
as sombras da noite
do afeto impossível
a largura
a profundidade
da noite imprevista
imprevisível
e tão certa...
açoitam lagartos
caramujos
grilos
relógios
o som
da sombra
do escuro
contra o qual
construímos
alianças
pânico do pai
e agora minha assombração
as sombras da noite
do afeto impossível
a largura
a profundidade
da noite imprevista
imprevisível
e tão certa...
açoitam lagartos
caramujos
grilos
relógios
o som
da sombra
do escuro
contra o qual
construímos
alianças
16/03/2013
quer tc?
o poema escapa
corro parado na cadeira
a coluna meio torta
a vida meio manca
o dia com sono
a noite sem
tudo bem
e você?
corro parado na cadeira
a coluna meio torta
a vida meio manca
o dia com sono
a noite sem
tudo bem
e você?
13/03/2013
poetrix de constatação
se não estou fazendo um poema
ou me inspirando para fazer
estou perdendo tempo
ou me inspirando para fazer
estou perdendo tempo
11/03/2013
primeiro dia de aula de psicologia na universidade privada (sem aula)
cobram das massas
e as massas sofrem
mas pagam
o papel com os horários das aulas está errado
a palestra, atrasada
mas à noite não tem trote
mandam as massas
se sentarem no calor, no chão de escadas
e as massas sentam
e as massas suam
mas sentam, atentas
mosquitos me mordem
cheiro de esgoto
fico de pé, perto da porta
pedem pras massas serem modestas
cumprimentarem o desconhecido ao lado
e aplaudirem os professores coordenadores doutores palestrantes
a massa - como na missa - cumpre
eu vou pra casa
e as massas sofrem
mas pagam
o papel com os horários das aulas está errado
a palestra, atrasada
mas à noite não tem trote
mandam as massas
se sentarem no calor, no chão de escadas
e as massas sentam
e as massas suam
mas sentam, atentas
mosquitos me mordem
cheiro de esgoto
fico de pé, perto da porta
pedem pras massas serem modestas
cumprimentarem o desconhecido ao lado
e aplaudirem os professores coordenadores doutores palestrantes
a massa - como na missa - cumpre
eu vou pra casa
fumaça
o charuto caríssimo
é o escorbuto na sua boca,
caríssimo
dólares enrolados
por povos enrolados
em brasa
suas ilustres gargantas
ardem à meia luz
trêmulas
pela certeza íntima
da razão da revolução
em querer cortá-las
é o escorbuto na sua boca,
caríssimo
dólares enrolados
por povos enrolados
em brasa
suas ilustres gargantas
ardem à meia luz
trêmulas
pela certeza íntima
da razão da revolução
em querer cortá-las
08/03/2013
da arte sem aplausos
escrevo sem lavar as mãos
é preciso comer o amendoim
por inteiro
dos bares sujos dos puteiros
(é preciso sim)
pois o caos dança luz
nos espelhos onde se vê
ordem e beleza
(meu olhar sorrindo Bukowski)
o infinito deitado na axila
espasmos sincrônicos de pernas pro ar
a velha caindo da mesa no velho:
tudo em seu devido lugar
é preciso comer o amendoim
por inteiro
dos bares sujos dos puteiros
(é preciso sim)
pois o caos dança luz
nos espelhos onde se vê
ordem e beleza
(meu olhar sorrindo Bukowski)
o infinito deitado na axila
espasmos sincrônicos de pernas pro ar
a velha caindo da mesa no velho:
tudo em seu devido lugar
06/03/2013
antes da morte
um poema
antes que caia
o sono a net a noite
antes que nos açoite
o tempo
da inspiração
virar esquecimento
antes que caia
o sono a net a noite
antes que nos açoite
o tempo
da inspiração
virar esquecimento
02/03/2013
quando montei pela primeira vez
inda lembro o exato instante
em que o cavalo saiu da metáfora
e o mundo, abaixo de nós
abriu-se em aventura
em que o cavalo saiu da metáfora
e o mundo, abaixo de nós
abriu-se em aventura
01/03/2013
cima cima baixo baixo esquerda direita esquerda direita Y B X A
um poema travado no peito
pressa por todos os poros
não há tempo de fazer um poema
a reunião inútil dentro do trabalho inútil da vida inútil
a energia perdida azul no plexo sem tempo de mãos
arranhão street fighter lute antes de pensar
muito antes de sentir que arde
ainda antes
tarde demais
para um hadouken
ou um infarte
pressa por todos os poros
não há tempo de fazer um poema
a reunião inútil dentro do trabalho inútil da vida inútil
a energia perdida azul no plexo sem tempo de mãos
arranhão street fighter lute antes de pensar
muito antes de sentir que arde
ainda antes
tarde demais
para um hadouken
ou um infarte
28/02/2013
pólvora 2013
as pessoas do rádio
obedecem aos chefes, às leis, aos pastores
e se matam nos estádios
por times de futebol de atores
obedecem aos chefes, às leis, aos pastores
e se matam nos estádios
por times de futebol de atores
25/02/2013
24/02/2013
22/02/2013
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