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Escritor, psicanalista e poeta nascido no Rio de Janeiro em 1976. Considerado um dos poetas brasileiros mais representativos da década de 2000 na antologia Roteiro da Poesia Brasileira (Global, 2009), é autor de vários livros publicados gratuitamente em seu blog, cujos melhores poemas foram reunidos em A Magia da Poesia (Papel&Virtual, 2000), Corte (Ibis Libris, 2004), rio raso (Patuá, 2014) e o budismo e o tinder (Multifoco, 2020). Mantém o bem sucedido site “A Magia da Poesia”, que teve mais de um milhão de acessos em 2012, onde divulga a obra de grandes poetas. Seus poemas já foram selecionados para livros escolares, traduzidos para o russo e publicados em diversas revistas literárias.

28/02/2026

50 anos vindouros

a febre não me matou
nem a bronquite ou o pânico

antibiótico me deixa lerdo por semanas
e agora dói um dente e a coluna

nada me matou mas não me acho vivo
(minha vida não tem mais mulheres ou risadas com amigos)

até que ouço krishna das
uma palestra do lama padma samten
ou um documentário do milton nascimento
e tudo volta a fazer sentido
e vou em silêncio pelas letras de braço dado com as palavras
imaginando que sou um cantor
que serei
que fui

e lá se vai mais um dia

Na cabeça, o Om Mani Padme Hung e o medo do câncer de pele

quando caminho na praia meia hora
vou até uma amendoeira
toco suas folhas com sal
e volto

peço ajuda caso ela já esteja iluminada
caso não esteja, desejo que se ilumine

16/02/2026

a mãe insuficientemente boa de winnicott

o mundo é duro:
adapte-se
e não viva

jazz

cabelos de fogo de curupira
sobrevoam a mulher arte

seu silêncio é meditação
seu som é melodia
seu corpo é dança
seu olhar é fotografia

uma poema para sua poesia

10/02/2026

roteiro diário

a vida se esconde
nos mesmos quartos
nos mesmos erros
nas mesmas coisas

e do nada pela fresta da janela
a palavra
sol

vício

uma casa toda vento
quando as pessoas podiam se escutar sem telas na mão
uma casa toda pranto

09/02/2026

lux vivens

irrupção

voo

pelos poros o sonho toma o corpo
antes da palavra sonho, o sonho

o corpo pré-verbal desnuda o tempo
o silêncio observa o silêncio

hoje em dia a palavra honra a gente vende
e com a grana suborna o guarda

antes sonhos derrubavam impérios
e a palavra valia mais que a mais-valia

porém o sonho resiste
fora dos celulares
dentro de cada célula